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Gabriel Diniz: polícia ainda não concluiu inquérito sobre queda de avião

Avião pequeno em que estava Gabriel Diniz caiu em Estância (SE) - Reprodução
Avião pequeno em que estava Gabriel Diniz caiu em Estância (SE) Imagem: Reprodução

Aliny Gama

Colaboração para o UOL, em Maceió

27/05/2020 21h09

Passado um ano da queda do avião Piper Cherokee, prefixo PT-KLO, que matou o cantor Gabriel Diniz, 28, o piloto Abraão Farias, 27, e o copiloto Linaldo Xavier Rodrigues, 37, a Polícia Federal ainda não concluiu o inquérito que apura as circunstâncias do acidente. O monomotor fazia um voo irregular quando caiu no povoado de Porto do Mato, em Estância (SE), a 66 km de Aracaju, no dia 27 de maio do ano passado.

O avião caiu no meio de uma área de mangue e todos os ocupantes morreram na hora. Diniz havia se apresentado em Feira de Santana (BA) e voltava para Maceió para comemorar o aniversário da noiva dele, Karoline Calheiros, quando morreu. O artista estava no auge do sucesso com a música "Jenifer". O enterro do artista ocorreu em João Pessoa, onde ele morava desde criança com a família.

Hoje, a família de Diniz programou uma missa online em memória dele, nas redes sociais do cantor, mantidas por Cizinato Diniz, pai do artista. "A vontade é de acordar desse pesadelo, porém tudo isso é real e não podemos negar o que aconteceu. Mas também temos que lembrar e festejar o quanto Gabriel foi feliz e contagiante enquanto esteve entre nós. Por isso, celebremos a Páscoa dele juntos, com alegria, na certeza de que ele esteja como anjo que é ao lado de Deus todo-poderoso", escreveu Cizinato.

No Instagram, Karoline Calheiros lembrou sobre o dia trágico com um vídeo com fotos do casal e uma mensagem intitulada "1 ano sem você". No texto, ela diz que o tempo passou rápido e destacou que a data é confusa, pois é também aniversário dela. "Deve haver alguma explicação", destaca a psicóloga, que virou digital influencer e tem 1 milhão de seguidores no Instagram.

Voo irregular

O voo teria custado R$ 4 mil, que seriam pagos aos pilotos assim que Diniz chegasse a Maceió. Entretanto, segundo o RAB (Registro de Aeronáutico Brasileiro) da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), o avião tinha registro para apenas instrução e não tinha autorização para táxi aéreo. A aeronave era de propriedade do Aeroclube de Alagoas.

O avião, que deveria ser restrito para instrução de curso de piloto, fazia voos panorâmicos para turistas em Maceió. O serviço era oferecido pelo Aeroclube de Maceió e influenciadores digitais foram convidados para voos panorâmicos para divulgar o serviço.

Logo após a queda do avião, A Polícia Federal instaurou inquérito para apurar eventual prática de crime de atentado contra a segurança de transporte aéreo. Passados quatro meses da queda, no ano passado, policiais federais voltaram ao local para recolher mais peças da aeronave, que haviam sido encontradas por moradores do povoado de Porto do Mato.

Investigações

Hoje, Márcio Alberto Gomes Silva, delegado da PF que preside o inquérito, informou que as investigações ainda não foram concluídas porque faltam laudos do Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos) e do INC (Instituto Nacional de Criminalística) da Polícia Federal.

"Todas as diligências de campo foram materializadas, como também as requisições de perícia no momento que fomos noticiados a cerca da queda, as oitivas foram materializadas no estado de Sergipe tanto em Alagoas. Agora, aguardamos para conclusão efetiva do feito a conclusão dos laudos periciais feito pelo Cenipa e INC", disse o delegado, destacando que solicitou novamente um posicionamento dos dois órgãos sobre as finalizações dos laudos técnicos.

"Assim que os laudos forem concluídos a gente vai, oportunamente, avaliar a eventual a responsabilidade dos proprietários da aeronave para promover ou não o indiciamento dessas pessoas", reforçou o delegado.

A Polícia Federal informou, ainda, que o laudo do INC aguarda a conclusão do trabalho dos peritos realizado no local do acidente e com as peças recolhidas da aeronave no local. Ainda não há data para conclusão.

Em nota enviada ao UOL, na noite de hoje, a FAB (Força Aérea Brasileira) informou que está em fase final de análise a investigação da queda do avião e, quando for concluída, terá o Relatório Final publicado no site do Cenipa. O documento conterá "os fatores que contribuíram para o acidente e as Recomendações de Segurança."

"A necessidade de descobrir todos os fatores contribuintes garante a liberdade de tempo para a investigação. A conclusão de qualquer investigação conduzida pelo Cenipa terá o menor prazo possível dependendo sempre da complexidade do acidente. É importante esclarecer que a investigação realizada pelo Cenipa tem o objetivo de prevenir acidentes", informou a FAB, sem determinar prazo para conclusão do documento.

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