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Hungria revê origens em 'Made in Favela' e lança projeto em meio à pandemia

Renata Nogueira

Do UOL, em São Paulo

09/04/2020 12h35

O show não pode parar. Mas pode ser adaptado.

É o que Hungria, cantor com mais de 15 milhões de seguidores no YouTube e Instagram, tem feito enquanto a previsão de voltar aos palcos segue distante. Em casa e com a mente ativa, ele lança hoje, às 19h, o single "Made in Favela". A música é a primeira do projeto "Legacy", em que ele promete outros três lançamentos até junho.

"É o momento de imaginar novos horizontes para a minha carreira", conta o rapper brasilense em entrevista ao UOL, por videoconferência. No quintal da casa, na capital do país, onde segue trabalhando durante a quarentena, ele fez há alguns dias seu primeiro show online, transmitido pelo YouTube e visto por mais de 2 milhões de pessoas.

"Me preocupo mais em fazer história do que fazer momentos. Quero que meu nome fique cravado no coração de cada pessoa com um sentimento bom", diz Hungria, que nunca viu problema em contar a trajetória de favelado a milionário nas letras de suas canções. É o que faz mais uma vez em "Made in Favela".

"O meu sucesso é consequência/ Mérito de quem trampa / Ouro pra nóis é lixo/ Falência pros pilantra", diz um dos trechos da música nova, que também exalta os bens materiais conquistados. "Compro um Bugatti igual o do Cristiano / Eles vão dizer que esse pretinho tá traficando."

Por enquanto, "Made in Favela" é a única faixa do projeto que sai com música e clipe, gravado antes da pandemia.

"Não queria que esse projeto fosse muito cru para a rua, quero gravar algo nem que seja algum vídeo dentro da minha casa mesmo. Sei que é um momento difícil, mas queria muito que esse projeto fosse concluído da maneira que eu imaginei."

"E Agora?"

Em paralelo com os lançamentos de "Legacy", que já estavam previstos antes mesmo da pandemia do coronavírus, Hungria deixou um pouco sua marca da ostentação de lado para refletir sobre o momento inédito de distanciamento social.

O rapper se juntou a uma artista local de Brasília, Larissa Nogueira, e colaborou com versos de "E Agora?", uma música que fala de família e esperança.

As pessoas se identificaram e essa foi intenção. Não queria ganhar dinheiro ou mídia, e sim fazer com que refletissem e tirassem algo bom dessa situação.