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Filha de Zé do Caixão faz desabafo: 'Não tive direito de chorar e sofrer'

Reprodução/Instagram
Imagem: Reprodução/Instagram

Do UOL, em São Paulo

28/02/2020 15h40

Liz Marins, filha de José Mojica Marins, mais conhecido como Zé do Caixão, falou sobre a morte do pai com uma publicação em seu Instagram. Na rede social, ela informou aos seguidores os detalhes da missa de sétimo dia, que acontecerá no dia 1º de março, na Paróquia São João Batista do Brás, em São Paulo, às 18h.

Além disso, Liz escreveu também um desabafo sobre fazer com que os desejos do seu pai, conhecido popularmente como Zé do Caixão, se realizassem e como precisou "se anular" para que isso acontecesse.

"Depois de uma maratona de madrugadas na UTI do Hospital Sancta Maggiore em prol da vida do meu pai, infelizmente, uma nova maratona. Fazer com que ele tivesse um velório e enterro dignos, como sempre manifestou que queria. Um velório em que não só os familiares e amigos pudessem se despedir do seu corpo físico, como também os fãs pudessem fazê-lo", escreveu.

"Destaco: A despedida do seu perecível corpo físico, pois, sua essência é perene, eterna. Sua obra profissional e pessoal ficarão para sempre tatuadas no cosmos, como marcas d'água no éter. Anulei os meus sentimentos por dias e pensei somente na minha missão. Nos desejos do meu pai para quando este momento chegasse. Desculpem, não tive tempo de atender a todos os telefonemas, de amigos, fãs, jornalistas, responder mensagens ou até entrar na Internet. Até então, não tive o direito de chorar, de sofrer, de cair, pois, o meu pai ainda precisava de mim".

Liz acrescentou estar vivendo o luto, de fato, só agora, depois de passar por todas essas etapas em respeito ao pai.

"E agora? Só o vazio... Ainda não sei exatamente o que está se passando comigo... Parece que cavaram uma cova profunda em meu peito... Uma cova sem fim. A sensação é de estar perdida em uma brecha entre o tempo e espaço... Continuo como nesta imagem captada na madrugada do velório... conversando com ele. Às vezes em voz baixa, às vezes em pensamento... Mas, o contato físico já não existe".

"E, as respostas ecoam das incontáveis conversas de uma vida inteira. Postei esta foto que me foi enviada em respeito ao desejo do meu pai. Ele desejava ser registrado em sua despedida física. E, estava com um aspecto tão sereno... A essência do meu pai está impregnada em meu corpo, em meu DNA, em meu coração, em meus pensamentos. Éramos tão 'um', tão complexos e parecidos em tantas coisas, que a explicação só o etéreo contém".

"Sei que terei uma nova missão a cumprir. Dar continuidade ao seu legado. Os Projetos começados e outros que sei que ele desejava, serão materializados. A minha alma só precisa conseguir respirar para prosseguir", concluiu.

Zé do Caixão morreu aos 83 anos no último dia 19. Ele foi vítima de uma broncopneumonia.

Liz, que é uma dos sete filhos do ex-cineasta, também seguiu a carreira artística do pai. E o gênero de terror foi o seu caminho, assim como Zé do Caixão. O Vamp que ela adotou em seu nome, inclusive nas redes sociais, faz referência a "uma vampira brasileira e metropolitana" que vive desde o começo dos anos 2000.

Ela esteve presente no velório que aconteceu no MIS, na capital paulista. Zé do Caixão foi enterrado no dia 21 no Cemitério de São Paulo.

Em entrevista à Folha, Liz chegou a falar que sofreu perseguição quando era mais nova por ser filha de Zé do Caixão.

"Eu e meus irmãos sofremos perseguição. O pessoal dizia que a gente dormia em caixão, comia coisa esquisita. Falavam: 'Zé da Caixinha, Zé da Caixinha'."