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Star Wars: Substituição de Carrie Fisher foi cogitada, e JJ não gostou

Rey e Leia em Star Wars - A Ascensão Skywalker - Divulgação
Rey e Leia em Star Wars - A Ascensão Skywalker
Imagem: Divulgação

Beatriz Amendola

Do UOL, em Los Angeles*

22/12/2019 04h00

Carrie Fisher morreu em dezembro de 2016, há três anos, sem conseguir gravar sua participação em Star Wars - A Ascensão Skywalker, o filme que coloca um ponto final na saga iniciada com Uma Nova Esperança em 1977. Não havia dúvidas, no entanto, de que a eterna princesa Leia deveria ser parte do desfecho da história para a qual foi tão fundamental. "Nós percebemos que não tinha como contar o fim da saga Skywalker sem ela", lembrou o diretor J.J. Abrams durante conversa com o UOL, em Los Angeles.

A única questão era como viabilizar isso. Entre as discussões, chegou a ser cogitado que Fisher fosse simplesmente substituída no papel, muito para desgosto do cineasta, que havia trabalhado com a atriz em O Despertar da Força. "Eu ainda não consigo acreditar que isso foi uma sugestão", disse.

"Isso foi sugerido seriamente para nós, continuar contando a história com outra pessoa no lugar de Carrie. Não quero dar muitos detalhes. Foi uma sugestão séria, vinda de pessoas do alto escalão, mas não era algo que queríamos considerar".

A solução providencial veio na forma de cenas gravadas para o Episódio VII, mas nunca utilizadas. "Não sei se foi alguma loucura cósmica ou algo assim, mas tínhamos esse material que na época eu havia ficado realmente deprimido por não poder usar. E, de alguma forma, ele estava lá, pedindo para ser usado neste filme. Foi uma resposta mágica que eu não havia previsto".

Depois de receber a benção da família de Fisher - a filha dela, Billie Lourd, também é parte da franquia —, Abrams e o roteirista Chris Terrio escreveram as cenas que envolviam Leia com base no material disponível, de forma a encaixá-lo na história. O processo não foi exatamente simples, já que envolvia igualar luzes e garantir a continuidade entre as cenas. "Foi mais difícil do que você pensa", contou Abrams. "Estamos falando de um filme em que, em uma cena típica, você tem 60 pessoas, droids, marionetes, já é uma loucura".

Toda a equipe, porém, embarcou na missão de "coração aberto", segundo o diretor. "Conseguimos contar a história que contaríamos se Carrie não tivesse nos deixado, e isso foi incrível".

"Rebelde de verdade"

Para os atores, voltar ao set de Star Wars após a morte de Carrie Fisher trouxe um misto de emoções. "Eu fiquei muito aliviada por termos tido um tempo antes de voltar, porque acho que teria sido terrivelmente difícil. Mais difícil", disse Daisy Ridley. Como Rey, ela divide boa parte de suas cenas com Leia, que a orienta em seu treinamento Jedi.

Oscar Isaac, que na pele do piloto Poe Dameron havia contracenado bastante com a atriz em Os Últimos Jedi, sentiu muito sua ausência. "Foi muito estranho não tê-la por perto. Sentimos como se houvesse ficado um grande vazio."

Leia (Carrie Fisher) e Poe (Oscar Isaac) em cena de Star Wars - Os Últimos Jedi - Divulgação
Leia (Carrie Fisher) e Poe (Oscar Isaac) em cena de Star Wars - Os Últimos Jedi
Imagem: Divulgação

Ambos, no entanto, levarão boas lembranças de Fisher. Daisy recordou uma gentileza que recebeu da veterana logo que começou a trabalhar na saga e ainda estava deslocada. "Era o primeiro jantar da equipe. Eu estava sentada com Alan Horn [CEO da Disney] e um dos nossos produtores executivos. Eu pensava 'meu Deus, estou na mesa dos adultos. Eu não tenho nada a dizer para essas pessoas'. Então todo mundo se dividiu e Carrie estava com Kathy [Kennedy, presidente da LucasFilm]. Ela veio e me disse 'venha se juntar à estro-fest', no sentindo de 'festa do estrogênio' e eu disse 'obrigada, eu vou'".

Oscar, por sua vez, se lembrou de uma ocasião em que os dois começaram a dançar no set. "Ela estava murmurando uma canção e eu comecei a murmurar com ela. Eu não sabia que música era, mas nós começamos a fingir que estávamos cantando. E de repente era como uma valsa, e começamos a dançar. Ficamos valsando no set; havia espaçonaves, droids e criaturas estranhas, e nós ficamos cantando e dançando. Foi lindo."

"Ela era um pouco surreal e eu amava isso. Ela é uma rebelde de verdade, e você não vê mais rebeldes de verdade".

*A repórter viajou a convite da Disney

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