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Não foi só o Porta dos Fundos: 6 versões de Cristo que irritaram a Igreja

Cena do especial A Primeira Tentação de Cristo - Reprodução
Cena do especial A Primeira Tentação de Cristo Imagem: Reprodução

Do UOL, em São Paulo

19/12/2019 04h00

Quando diretores se embrenham em contar a trajetória de Jesus Cristo, algo é quase tão certo quanto a crucificação do filho de Deus no estopim da via-crúcis: a controvérsia. O Jesus gay e resistente ao chamado divino, retratado no especial do Porta dos Fundos, não é a primeira e muito provavelmente não será a última representação a incomodar Igreja e grupos religiosos, que costumam acusar tais produções de cometerem blasfêmia e promoverem intolerância religiosa. Essa é uma história tão antiga quanto o cinema.

O Rei dos Reis (1961)

Pode parecer banal, mas exibir o rosto de Cristo já foi motivo de discussão. Este épico dirigido por Nicholas Ray, com Jeffrey Hunter no papel de protagonista, foi o primeiro grande filme de língua inglesa a mostrar as feições do personagem, apresentado não miticamente mascarado, como em Ben-Hur (1959) e outros longas. O Jesus é um homem com tendências filosóficas, e, além disso, o fato de ter sido interpretado por um galã bronzeado e sem pelos no corpo também não pegou bem com cristãos ortodoxos.

Jeffrey Hunter em O Rei dos Reis (1961) - Reprodução - Reprodução
Imagem: Reprodução

Jesus Cristo Superstar (1973)

Transformar Cristo (Ted Neeley) em protagonista de ópera-rock, praticamente um astro hippie da música, já seria ir muito longe nos ainda conservadores anos 1970. Conservadores reclamaram da relação da música pop, que teria banalizado a história bíblica, e do fato de Jesus ser um humano em conflito, com possível interesse carnal. O musical, assim como outras produções do gênero, ainda irritou judeus por terem sido retratados como vilões e carrascos de Cristo.

Ted Neeley em Jesus Cristo Superstar - Reproduçaõ - Reproduçaõ
Imagem: Reproduçaõ

Jesus de Nazaré (1977)

Exibido há décadas na TV brasileira, a minissérie virou demônio para cristãos e protestantes fundamentalistas. O motivo: as qualidades humanas de Cristo, vivido por Robert Powell, teriam sido ressaltadas demais, deixando sua divindade em segundo plano. A produção foi elogiada pela crítica, e o papel marcou a carreira do ator, o que não impediu detratores de pedirem o boicote da GM Motors, que, pressionada, desistiu de investir US$ 3 milhões na produção.

Robert Powell em Jesus de Nazaré - Allstar/Divulgação - Allstar/Divulgação
Imagem: Allstar/Divulgação

A Última Tentação de Cristo (1988)

Mais polêmica, agora com o ator Willem Dafoe. O filme dirigido por Martin Scorsese sofreu ataques principalmente por causa da cena da crucificação, quando, próximo da morte, Jesus vislumbra como teria sido uma vida em "normal", caso não tivesse atendido o chamado de Deus. Ele imagina um casamento com Maria Madalena. Com o desvio da narrativa bíblica, o longa motivou protestos violentos e acabou proibido na Turquia, México, Singapura, Argentina, Chile e em algumas localidades dos Estados Unidos.

Willem Dafoe em A Última Tentação de Cristo (1988) - Reprodução - Reprodução
Imagem: Reprodução

Dogma (1999)

A comédia do diretor Kevin Smith foi o quarto filme do Universo View Askew, ambiente fictício que conta uma história sobre temas cristãos que causaram protestos e polêmicas. Jesus é visto apenas na forma de estátua, a famosa Buddy Christ, que anos depois acabaria virando meme. Católicos radicais protestaram fervorosamente nos Estados Unidos, chegando a ameaçar o diretor de morte, apesar de o personagem principal redescobrir sua fé no fim da trama.

O Jesus estátua de Dogma - Reprodução - Reprodução
Imagem: Reprodução

A Paixão de Cristo (2004)

Dirigido por Mel Gibson e protagonizado por James Caviezel, o filme rendeu barulho, principalmente pela representação judaica, mais do que por seu tratamento a Cristo. Por exemplo, a história identifica Simão de Cirene como judeu, apesar de os evangelhos fornecerem apenas seu nome e origem. A história ainda mostra um soldado romano ridicularizando Simão, que ajuda Jesus a carregar a cruz, chamando-o ironicamente de judeu. Gibson colocou lenha na fogueira ao criticar publicamente a crença judia, o que fez o filme ser alvo de boicotes.

James Caviezel em A Paixão de Cristo - Reprodução - Reprodução
Imagem: Reprodução