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Augusto Nunes sobre agressão a Glenn: "Não resisti à honra ferida"

Do UOL, em São Paulo

07/11/2019 19h33

O jornalista Augusto Nunes gravou vídeo, na noite de hoje, no qual lamenta briga com Glenn Greenwald, ocorrida durante participação no programa "Pânico", da rádio Jovem Pan.

A agressão aconteceu depois de Glenn chamar Nunes de covarde por ter feito comentários sobre os seus filhos com o deputado David Miranda. Depois da agressão, o apresentador Emilio Surita suspendeu o programa por 12 minutos. Na volta, Augusto Nunes tinha deixado a atração, enquanto Glenn continuava na bancada.

Na mensagem gravada, o jornalista disse que a pensou em abandonar o estúdio, "mas entendi que essa atitude confirmaria o teor das agressões verbais que sofrera. E não resisti ao que me sugeriam a voz dos instintos e honra ferida."

"Lamento o ocorrido. E peço aos ouvintes, espectadores e leitores que evitem traduzir em atos físicos quaisquer discordâncias políticas, e mesmo a indignação provocada por insolências inaceitáveis. Como disse na festa de premiação do Comunique-se, no meu mundo sempre será possível torcer pelo Fluminense no meio da torcida do Flamengo. Sem ofensas aos torcedores adversários", afirma Nunes. (Leia o comunicado, na íntegra, no fim do texto)

Como foi a agressão

A confusão começou logo após Glenn questionar Nunes se um juiz deveria investigar sua família. (Assista ao vídeo abaixo)

"Nós temos muitas divergências políticas, eu não tenho problema nenhum em ser criticado pelo meu trabalho - eu critico ele também. Mas o que ele fez foi a coisa mais feia e suja que eu vi na minha carreira como jornalista, inclusive fazendo guerra com CIA, governo Obama, governo do Reino Unido. Ele disse que um juiz de menores deveria investigar nossos filhos e decidir se nós deveríamos perder nossos filhos. (Que) eles deveriam voltar para o abrigo, com base nenhuma. Acusando que estamos abandonando, fazendo negligência de nossos filhos. Eu quero saber se você acredita que um juiz de menores deveria investigar nossa família com possibilidade de tirar nossos filhos de nossa casa, sem pai nem mãe, sem família nenhuma", disse Glenn.

"Essa é a prova de que o Brasil criou o faroeste à brasileira. Quem tem que se explicar é quem comente crimes, quem fica cobrando quem age honestamente. Ouça-me: o que eu disse, vocês vão perceber, é que ele não sabe identificar ironias, não sabe identificar um ataque bem-humorado. Convido ele a provar em que momento eu pedi que algum juizado fizesse isso. Disse apenas que o companheiro dele passa tempo em Brasília, passa o tempo todo lidando com material roubado. Quem vai cuidar dos filhos?", respondeu Nunes.

Glenn reagiu: "Você é um covarde! Você é um covarde! Eu vou falar o porquê". Ele então foi interrompido por Nunes. A primeira tentativa de agressão não deu certo, mas depois Nunes atingiu o rosto de Glenn. O norte-americano tentou revidar, mas não conseguiu.

A volta ao ar

Depois de cerca de 12 minutos, o programa voltou ao vivo, sem Nunes. A Jovem Pan pediu desculpas pelo ocorrido. "Não foi nada irônico. (...) Ele nunca falaria que um juiz deveria investigar se os chefes que têm filhos, onde as duas pessoas trabalham. Ele só fala isso sobre nós. Isso é covardia", disse Glenn.

A rádio Jovem Pan também lamentou o episódio em nota, e pediu desculpas "aos ouvintes, espectadores e convidados desta edição do Pânico, inclusive Glenn Greenwald".

"A liberdade de expressão e crítica concedida pela Jovem Pan a seus comentaristas e convidados, contudo, não se estende a nenhum tipo de ofensas e agressões. A empresa repudia com veemência esses comportamentos'", afirmou a emissora.

Marido de Glenn revoltado

Marido de Glenn Greenwald, o deputado federal David Miranda (PSOL-RJ) fez uma série de postagens em sua conta no Twitter mostrando sua revolta com a agressão cometida por Augusto Nunes contra jornalista do The Intercept. Nas mensagens, ele também pede demissão de Augusto Nunes.

"Augusto Nunes é um indigno. Covarde, sem escrúpulos. É do tamanho da reação lamentável que teve hoje na Jovem Pan", afirmou o deputado. "Esse canalha usou nossos filhos, duas crianças, para atacar o trabalho do meu marido. Hoje ele agrediu Grenn ao vivo. Se os veículos em que trabalha esse jornalista sem ética e sem escrúpulos forem sérios, ele será demitido", completou.

Leia o comunicado

Já no início do programa Pânico desta quinta-feira, 7 de novembro, o convidado Glenn Greenwald voltou a acusar-me de ter recomendado à Justiça, num comentário em os Pingos nos Is, que lhe retirasse a guarda dos dois filhos. E pela terceira vez, agora pessoalmente, qualificou-me de "covarde".

Em resposta, expliquei que ele não havia compreendido que meu comentário fora apenas uma ironia. Lembrei também a Glenn a gravidade da ofensa com que me atingira. Alheio aos sucessivos pedidos que lhe fiz, ele repetiu cinco vezes o insulto. "Covarde! Você é covarde!"

Até pensei em abandonar o estúdio. Mas entendi que essa atitude confirmaria o teor das agressões verbais que sofrera. E não resisti ao que me sugeriam a voz dos instintos e honra ferida.

Desde o começo da minha carreira pratico e recomendo que todos pratiquem o convívio dos contrários. Neste 5 de novembro, ao receber o Prêmio Comunique-se, reiterei a disposição de lutar para que seja encerrada a versão política do Fla-Flu que ocorre no brasil há alguns anos.

Lamento o ocorrido. E peço aos ouvintes, espectadores e leitores que evitem traduzir em atos físicos quaisquer discordâncias políticas, e mesmo a indignação provocada por insolências inaceitáveis.

Como disse na festa de premiação do Comunique-se, no meu mundo sempre será possível torcer pelo Fluminense no meio da torcida do Flamengo. Sem ofensas aos torcedores adversários.

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