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Abraji lamenta hostilidade a jornalistas na web após agressão a Greenwald

Do UOL, em São Paulo

07/11/2019 16h03

A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) emitiu hoje uma nota criticando a onda de incitação a violência nas redes sociais após a agressão física de Augusto Nunes contra Glenn Greenwald.

O grupo afirma que "a onda de reações que se seguiu ao episódio dispara um alerta que não pode ser ignorado a respeito do estágio que a hostilidade aos jornalistas e aos veículos de imprensa atingiu no Brasil".

Na nota, a diretoria da Abraji ainda declara que as pessoas que criam este clima de hostilidade "tem intenção de calar vozes críticas e sufocar a liberdade de expressão - sem ela, as outras liberdades também morrerão".

Leia abaixo a nota completa:

A agressão física de Augusto Nunes contra Glenn Greenwald, após uma discussão acalorada deu início a uma onda de ataques à imprensa, na internet, como poucas vezes vimos nos últimos anos no Brasil.

A cena de violência, difundida exponencialmente nas redes sociais nesta quinta-feira, 7/11/2019, passou a ser usada a seguir como exemplo de comportamento a ser adotado pelos descontentes com a imprensa em geral - a despeito do episódio em si envolver desavenças e comentários de cunho pessoal entre Nunes e Greenwald. Como em outras ocasiões, membros do governo e pessoas influentes no poder difundiram mensagens de incitação direta à violência, como no caso de Olavo de Carvalho, ou de aprovação velada, como no caso de um dos filhos do presidente, Carlos Bolsonaro.

A Abraji emite notas sobre ameaças a jornalistas no exercício da profissão. O debate ocorrido na emissora não corresponde a esse parâmetro. Entretanto, a onda de reações que se seguiu ao episódio dispara um alerta que não pode ser ignorado a respeito do estágio que a hostilidade aos jornalistas e aos veículos de imprensa atingiu no Brasil. Quem atiça esse clima de hostilidade tem intenção de calar vozes críticas e sufocar a liberdade de expressão - sem ela, as outras liberdades também morrerão. Diretoria da Abraji, 7 de novembro de 2019.

O caso

O jornalista Augusto Nunes, da Jovem Pan, Veja e Record, agrediu Glenn Greenwald, do The Intercept, durante participação no programa Pânico, da Jovem Pan, hoje.

A agressão aconteceu depois de Glenn chamar Nunes de covarde por ter feito comentários sobre os seus filhos com o deputado David Miranda. Depois da agressão, o apresentador Emilio Surita suspendeu o programa por 12 minutos. Na volta, Augusto Nunes tinha deixado a atração, enquanto Glenn continuava na bancada.

A rixa entre eles começou em 1º de setembro. Crítico do jornalismo praticado pelo The Intercept com as revelações das conversas privadas que os procuradores da Operação Lava Jato, Nunes falou na Jovem Pan sobre os filhos de Glenn e Miranda.

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