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Por Iron Maiden, fãs enfrentam grade do Rock in Rio até de cadeira de rodas

O casal Sara Ferreira e Patrick Rocha, que vai assistir ao show do Iron Maiden coladinho na grade do Palco Mundo do Rock in Rio - Renata Nogueira/UOL
O casal Sara Ferreira e Patrick Rocha, que vai assistir ao show do Iron Maiden coladinho na grade do Palco Mundo do Rock in Rio Imagem: Renata Nogueira/UOL

Renata Nogueira

Do UOL, no Rio

04/10/2019 18h15

Que loucura você faria para ver seu ídolo de pertinho? No caso do Iron Maiden, banda que se apresenta hoje no Rock in Rio, os fãs não medem esforços. Vale até enfrentar de cadeira de rodas a grade - a parte mais próxima do palco, onde é inevitável o empurra-empurra.

É assim que Sara Ferreira vai assistir ao show da banda britânica de heavy metal. Junto com o namorado, Patrick Rocha, que a ajuda na locomoção, a carioca é frequentadora assídua de shows e diz que prefere enfrentar a muvuca a ficar na área reservada a cadeirantes e deficientes físicos, garantida por lei em qualquer evento.

"Da outra vez eu fiquei lá na plataforma de acessibilidade", explica Sarah, que está na segunda vez no Rock in Rio, após ver Red Hot Chilli Peppers em 2017. "Só que lá o campo de visão ficou muito restrito. Não consegui assistir nada, aqui achei bem melhor", explica ela, portadora desde o nascimento de artogripose múltipla congênita, que causa deformidade nos membros superiores e inferiores.

Para não perder o local na frente do palco Mundo, o casal veio preparado. "Na mochila tem pizza, biscoito e água. Água é o mais importante", conta Patrick, que acompanha a namorada em vários shows. "Eu me amarro. Somos um casal de roqueiros. A gente já foi a shows do Capital Inicial, Raimundos, Matanza...", conta Sara.

O UOL também conversou com outros fãs de metal que, desde o início do Rock in Rio, não saem da grade do palco Mundo e pegou dicas para sobreviver a 14 horas de festival sem sair do lugar.

Use protetor solar

Natham de Castro, 21 anos: protetor solar e mais nada para enfrentar a grade - Renata Nogueira/UOL
Natham de Castro, 21 anos: protetor solar e mais nada para enfrentar a grade
Imagem: Renata Nogueira/UOL

Pode parecer muito óbvio, mas é importante chegar cedo. Para reduzir a distância da Cidade do Rock pela metade, Nathan Castro, que é de São Gonçalo, 50 km distante, dormiu na casa de um tio em Botafogo. Chegou às 9h na Barra da Tijuca e foi um dos primeiros a cruzar os portões do Rock in Rio, que abrem todos os dias às 14h.

"Eu quis vir para comemorar meu aniversário que é no dia 7. Já vim no Queen e no System of a Down em 2015. Em 2017 vim no dia do Aerosmith. E sempre peguei grade", conta o estudante de Jornalismo de 21 anos.

A dica dele é tomar muita água e caprichar no protetor solar antes de sair de casa - já que o item não entra no festival. "Fora isso é resistência. Esse ano eu não trouxe nem mochila", afirma o corajoso fã de Iron Maiden, que pretende ficar ali até o final do show dos Scorpions, banda que toca depois dos britânicos.

Café da manhã reforçado

Pai e filha, Aryane Hendrix e Joaquim vieram de Brasília para curtir o Dia do Metal no Rock in Rio - Renata Nogueira/UOL
Pai e filha, Aryane Hendrix e Joaquim vieram de Brasília para curtir o Dia do Metal no Rock in Rio
Imagem: Renata Nogueira/UOL

Aryane Hendrix, de Brasília, carrega a paixão pelo rock n' roll até no nome. Ela foi batizada em homenagem à lenda da guitarra e desde os 15 anos frequenta os shows com seu pai, Joaquim. Pai e filha chegaram às 8h na Cidade do Rock, mas antes garantiram uma alimentação reforçada para aguentar a maratona. Isso porque em 2013 Aryane passou mal.

"Foi o meu primeiro Rock in Rio e a gente não veio preparado com questão de alimentação, de beber água. É super importante. Estava muito sol e eu quase desmaiei na grade no show do Bruce Springsteen. Tem que tomar um café da manhã bem reforçado antes de vir pra cá. É importante vir bem alimentado e hidratado", conta a estudante de enfermagem de 21 anos.

Já o pai, de 57 anos, garante que aguenta qualquer coisa depois de já ter enfrentado o Rock in Rio de 1985. "Ela já passou mal, mas eu não. Sou viciado [em Rock in Rio], venho desde 85. Era o bicho. Hoje mudou tudo, naquela época era mais amadorismo. Era barraca lá fora armada, lama, chuva, todo mundo doidão. Era como se fosse o Woodstock do Brasil", relembra.

Planejamento

Denner Sousa veio de Juazeiro do Norte, no Ceará, para ver o Iron Maiden no Rock in Rio - Renata Nogueira/UOL
Denner Sousa veio de Juazeiro do Norte, no Ceará, para ver o Iron Maiden no Rock in Rio
Imagem: Renata Nogueira/UOL

Denner de Sousa se planejou por quase um ano para vir ao Rock in Rio. O consultor de vendas de Juazeiro do Norte, no Ceará, toca em uma banda cover de Iron Maiden e terá hoje a primeira chance de ver os ídolos de perto.

"Sou do Ceará, vim de muito longe e estou com muita expectativa para o show. Me decidi ano passado, planejei e vim sozinho mesmo. Cheguei meio-dia, entrei, corri e parei aqui. Agora fico até o final", diz o fã solitário, que acabou fazendo amizades na grade do show.

Ainda que a viagem tenha sido muito bem planejada, Denner só levava com ele uma garrafinha de água já pela metade. "Quando esvaziar peço para o bombeiro encher. Na verdade não sei como vou fazer. O negócio era chegar aqui. Já cheguei, o resto não pensei ainda. Só sei que daqui eu nao saio até acabar o Scorpions", finaliza o cearense.

Hoje é o quinto dia de Rock in Rio 2019, e as atrações no palco Mundo são Sepultura, Helloween, Iron Maiden e Scorpions. No Palco Sunset, Nervosa, Torture Squad & Claustrofobia, Anthrax e Slayer agitam a galera. São 14 horas de shows por dia, no Parque Olímpico do Rio de Janeiro, com nove palcos e espaços, além da programação nas arenas. O festival vai até domingo, dia 6.

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