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João Gordo relembra porrada, pazes e quando "cheirou buzina" com Chorão

Do UOL, em São Paulo

19/08/2019 10h58

Uma das tretas mais famosas do mundo do rock foi entre João Gordo, vocalista do Ratos de Porão e então apresentador da MTV, e Chorão, líder do Charlie Brown Jr. Gordo voltou a falar do caso e deu mais detalhes da relação de amor e ódio entre eles em entrevista a Felipe Solari, contando uma agressão de Chorão, como fizeram as pazes e até um episódio em que ficaram loucos juntos com gás de buzina, além de falar de Caetano Veloso e Kurt Cobain.

No programa Sistema Solari - disponível em podcast e no YouTube -, João Gordo relembrou que a treta com Chorão começou quando ele criticou um videoclipe da banda nos primórdios do Charlie Brown Jr., jogando frutas de plástico na tela do programa que fazia. O vocalista da banda de Santos foi tirar satisfação.

"Eu tinha o Gordo Pop Show e tudo que eu não gostava eu jogava fruta. Aí passou um Charlie Brown, eu nem sabia o que era, e eu joguei [frutas] e xinguei. Aí teve o VMB (Video Music Brasil) e ele veio: 'Eu sou Chorão, sou seu fã, fiquei chateado que você falou mal da minha banda...'. Eu falei: 'Dá licença, meu, eu falei mal de você, não da sua mãe'. E ele ficou puto", conta o vocalista (aos 20min do vídeo). Gordo diz que a coisa esquentou e, nos bastidores da festa da MTV, "voou sopa de cebola pra todo lado".

A treta foi aumentando a ponto de em uma festa do Rockgol Chorão prometer "quebrar" João Gordo e eles terem de ser separados. "Era, vou pegar, vou matar. Não lembra do Marcelo Camelo? Com o Chorão, ou você era amigo ou inimigo".

Em outro VMB, quando João Gordo ia apresentar um prêmio ao lado de Dercy Gonçalves, o líder do Ratos de Porão conta que a banda de Santos ganhou um prêmio e eles se cruzaram. "Chegou ali no escuro o cara me deu uma porrada, velho. Pegou meio no pescoço, no ombro. Falei: 'Agora que você vai morrer mesmo'". Ele conta que chegou a pedir a um garçom uma faca. "Ele veio com uma peixeira deste tamanho, gigante". No fim, a produção conteve ambos mais uma vez.

As pazes vieram em uma ocasião em que eles se encontraram por acaso, e foi puxada por Chorão. "Ele veio: 'Pô, Gordo, vamo parar com isso (sic). Eu gosto de você, joguei sua coleção (de CDs) toda fora'. E saindo lágrimas dos olhos. Por isso que o apelido dele era Chorão. Naquele momento, viramos melhores amigos do mundo."

A trégua funcionou, a ponto de Chorão dar presentes para João Gordo voltando de suas viagens. Um caso curioso foi em uma festa: "Uma vez foi aniversário dele, a mulher dele fez uma festa surpresa e me chamou pra discotecar, lá em Santos. Ele ficou emocionado. Conversa vai, conversa vem, eu cheguei: 'Não tem nada pra gente fumar, ou beber?'. Olhei e vi aqueles sprays de buzina, sabe? Aquilo tem um gás que deixa louco. Falei: 'Chorão, vamos cheirar buzina?'. Ele tava limpo... A buzina tem um gás que deixa louco, tipo um lança-perfume", riu João Gordo, que ainda participou do filme Magnata, feito por Chorão.

Esse tupo de buzina é um tubo de aerossol que contém butano e propano, gases tóxicos derivados do petróleo. Quando inalada, a substância reduz a circulação de oxigênio no cérebro, provocando tontura, euforia e alucinações. Segundo a professora Danielle de Oliveira, presidente da Sociedade Brasileira de Toxicologia, em entrevista à Folha de S.Paulo, "os maiores riscos (ar inalar o gás de buzina) são de infarto, por causa da ação do gás propano no coração, e de danos cerebrais, como redução da memória ou da capacidade de aprendizado, causados pela falta de oxigênio".

Caetano

Outro episódio curioso foi quando Caetano Veloso chegou ao seu programa tirando satisfação. "Uma vez eu falei que o Caetano Veloso tinha que morrer, falei brincando e ele ficou puto comigo e foi tirar satisfação comigo", contou Gordo (aos 19min do vídeo).

"Aí sentou pra fazer a entrevista comigo com cara mó de bunda e falou: 'Isso é a maior falta de respeito...'. E eu falei pra ele: 'Mas Caetano, eu não quero que você morra! Se você morrer eu vou ficar muito triste. Eu falei brincando, pô, eu falei brincando, cara'."

Kurt Cobain

João Gordo relembrou também quando conheceu o guitarrista e vocalista do Nirvana Kurt Cobain, na época do Hollywood Rock, em 1993. "Eu, Rei da Cocada Preta, com saco de merchandising do Ratos, distribuindo maconha, roupa e pó pra todo mundo. Aí veio o Anthony Kieds: 'Ei, Gordo, quero um boné'. E dei um boné pra ele."

"O show do Nirvana foi uma bosta. O Kurt com aquela frescurada dele... A hora que falei pra ele que o show era patrocinado por uma marca de cigarro, ele ficou puto, cara... E cagou no show. No fim, ele falou: 'Pra onde vocês vão?'. Nós fomos pra uma casa de grunge, ele perguntou se tinha droga e eu disse que sim", conta João Gordo.

O "bonde" contava com Gordo, Cobain, Flea, do Red Hot Chili Peppers, e Courtney Love, e fechou a balada. "Tinha umas dez pessoas. Ficamos até dez da manhã. Ali eu vi o Kurt rindo, rolando no chão, ele ficou de cavalinho em mim. Dancei com a Courtney Love. Foi foda, parecia um sonho", diz o vocalista. "Eu já esperava [a morte de Kurt], sabia? Muito deprê, cara, muito deprê".

João Gordo ficou cerca de dez dias internado com pneumonia, em São Paulo, chegando a ficar na UTI, mas foi liberado no último fim de semana.

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