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Série de Kondzilla, Sintonia faz o 1º retrato fiel da periferia na Netflix

Kondzilla com o trio de protagonistas de Sintonia: Bruna Mascarenhas (Rita), Jottapê (MC Doni) e Christian Malheiros (Nando) - Divulgação
Kondzilla com o trio de protagonistas de Sintonia: Bruna Mascarenhas (Rita), Jottapê (MC Doni) e Christian Malheiros (Nando) Imagem: Divulgação

Renata Nogueira

Do UOL, em São Paulo

09/08/2019 04h00

O dono do mercadinho, o líder religioso, a vizinha encrenqueira, o carinha que "mexe com drogas", o famosinho do bairro. Se você vive ou já viveu na periferia de São Paulo, provavelmente conhece pelo menos um dos tipos retratados em Sintonia, série original brasileira da Netflix que estreou hoje.

Idealizada por Kondzilla, que criou um império com a direção e produção de clipes de funk, Sintonia mostra as diferentes faces de um bairro periférico da capital paulista a partir das histórias de um trio de protagonistas.

Com vários núcleos dentro da própria favela, a série é a primeira produção original brasileira da Netflix a representar um universo que já consumia o serviço de streaming, mas ainda não se via representado nele.

Criados juntos desde a infância, Doni (Jottapê), Rita (Bruna Mascarenhas) e Nando (Christian Malheiros) tomam rumos diferentes com a chegada das primeiras responsabilidades da vida adulta, mas sem quebrar os laços da amizade verdadeira.

Christian Malheiros, Bruna Mascarenhas e Jottapê, o Nando, a Rita e o Doni de Sintonia - Rafael Roncato/UOL
Christian Malheiros, Bruna Mascarenhas e Jottapê, o Nando, a Rita e o Doni de Sintonia
Imagem: Rafael Roncato/UOL

Donizete, o MC Doni, é o menino mimado pelos pais que têm uma vida financeira um pouco melhor do que os vizinhos e, por isso, colocam o filho para estudar em um colégio particular. A família também tem uma casa um pouco mais confortável e acolhe os vizinhos nos momentos de perrengue.

A situação aparentemente mais tranquila que a dos amigos, porém, não poupa Doni de gastar 2 horas em um ônibus só para ir à escola, algo bem comum para quem vive na periferia. Ele também enfrenta o preconceito dentro da própria casa por querer virar cantor de funk.

Rita é órfã de mãe e tem um passado obscuro que possivelmente só será mais explorado em uma segunda temporada, ainda não confirmada oficialmente pela Netflix.

A menina, primeiro papel de Bruna Mascarenhas, vive sozinha e se vira como pode vendendo mercadorias de todos os tipos nas ruas. Após uma situação tensa envolvendo uma amiga, ela encontra o conforto na igreja evangélica, apesar de não concordar com algumas situações que vê na instituição.

Nando é um rapaz de 18 anos que já é chefe de família. Ele tem uma filha pequena com a namorada e vê no tráfico de drogas uma saída para ganhar seu próprio dinheiro e também o respeito dentro daquele universo em que vive.

É o personagem de Christian Malheiros, ator premiado pelo longa Sócrates, o responsável pelas cenas mais tensas e moralmente complexas dos seis episódios da primeira temporada.

UOL entrevista Kondzilla e elenco de Sintonia

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O funk conduz a série, mas não é preciso ser um entusiasta do ritmo para assistir Sintonia. As situações enfrentadas pelo trio afiadíssimo também trazem reflexões sobre temas importantes e atuais como violência policial, racismo, sexualidade e preconceito.

É curioso observar porém a importância da indústria do funk para mudar a realidade das pessoas que acham uma oportunidade de trabalho com a popularidade do gênero, sejam elas os artistas, quem atua nos bastidores dos shows e, principalmente, aqueles que ganham a vida no comércio paralelo dos fluxos - as festas de funk que ocupam as ruas das favelas madrugada adentro.

Primeiro episódio também no YouTube

Kondzilla: "Favela venceu" - Rafael Roncato/UOL
Kondzilla: "Favela venceu"
Imagem: Rafael Roncato/UOL

A linguagem é outro ponto que traz originalidade, já que a forma de se falar nas favelas não foi alterada. Para quem vive fora de São Paulo, talvez seja necessário inclusive ativar as legendas em algumas cenas carregadas de gírias. Kondzilla também fez questão de levar a equipe para conhecer seu escritório e andar pelas ruas da zona leste para ouvir as pessoas falando e observar como elas se comportavam.

Paulo Bronks, figura da internet conhecida como "É o Bronks", foi um dos consultores para o texto da série. Apresentado aos produtores pelo próprio Kondzilla, que mostrou um dos vídeos virais em que ele filosofa sobre situações cotidianas das periferias, ele até ganhou um papel em Sintonia, o Torto. Além disso, participam da série ex-presidiários que passaram por oficinas de atuação em uma penitenciária em Guarulhos (SP).

O caráter democrático está também na estratégia da Netflix de liberar o primeiro episódio completo no canal de Kondzilla no YouTube, o maior da plataforma no Brasil e o segundo maior de música do mundo, com mais de 50 milhões de inscritos. A ação inédita no Brasil, que deixará o conteúdo disponível no canal por 48 horas, e a estreia simultânea em 190 países provam que o bordão de Kondzilla está mais vivo do que nunca: "Favela venceu".

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