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Sandy e Junior: Fãs anônimos e famosos aprovam corte de Maria Chiquinha da turnê

Sandy e Junior levam a turnê Nossa História ao Rio de Janeiro - Júlio César Guimarães/UOL
Sandy e Junior levam a turnê Nossa História ao Rio de Janeiro Imagem: Júlio César Guimarães/UOL

Carolina Farias

Do UOL, no Rio

03/08/2019 07h17

Sandy e Junior não cantaram um clássico antigo da dupla, a música Maria Chiquinha, no show de ontem no Rio de Janeiro. E fãs da dupla apoiam a decisão dos artistas.

No show de Fortaleza o público puxou um coro da canção do início da carreira da dupla, quando eles ainda eram crianças. No momento da música em que normalmente diria "o resto [referência ao corpo de Maria Chiquinha] pode deixar que eu aproveito" Júnior fez a intervenção. "Isso aqui não vale mais. Deixa a Maria Chiquinha ir pro mato fazer o que ela quiser", disse o cantor, aludindo ao fato de que, nos dias atuais, não se aceitam mais referências ao abuso e a sexualização do corpo da mulher.

Israna Macedo e o filho, Renato, na fila do show de Sandy e Junior no Rio de Janeiro - Júlio César Guimarães/UOL
Israna Macedo e o filho, Renato, na fila do show de Sandy e Junior no Rio de Janeiro
Imagem: Júlio César Guimarães/UOL

Na fila para a entrada do show de ontem, o UOL conversou com fãs, anônimos e famosos, sobre a atitude da dupla com uma música tão representativa na carreira deles.

"Adorei, foi demais ele atualizar para hoje em dia em dizer 'não cabe, não vou cantar', disse a enfermeira Israna Macedo, de 35 anos.

O estudante Sérgio Rocha, que é aquele tipo de fã que fazia coreografia desde pequeno, também acha que a letra da música não cabe nos dias de hoje.

"Não tem mais espaço hoje. É uma letra complicada. Como ele disse, Maria Chiquinha faz o que quiser hoje."

Sandra Rainha, 48, é professora e fã da dupla desde o início da carreira deles. Ela incentivou o gosto da filha, Carolina, de 22. Ela admite que, na época em que ouvia a música, não se atentava para a mensagem.

"Na época não levávamos dessa forma a interpretação, e hoje percebemos que a música passa uma ideia errada."

Renan Figueiredo na fila do show de Sandy e Junior, no Rio de Janeiro - Júlio César Guimarães/UOL
Renan Figueiredo na fila do show de Sandy e Junior, no Rio de Janeiro
Imagem: Júlio César Guimarães/UOL

O assessor de RH, Renan Figueiredo, de 34 anos, pode ser chamado de especialista de Sandy e Junior. Tem todos os LPs e CDs da dupla. É do tipo de fã que vai receber a dupla em aeroportos e já assistiu a dois shows da turnê comemorativa dos 30 anos.

"Tem gente que me critica, mas isso é superado quando encontro com eles e vejo nos olhos que tem reciprocidade", disse o fã sobre a dupla.

Sobre a atitude de tirar Maria Chiquinha do set list, Figueiredo também aprovou.

"Achei bacana e atual. Tem que se atualizar mesmo, e o Junior fez bem em ter feito isso", afirmou o fã, que ainda lembrou que outras músicas da dupla também poderiam ser atualizadas, como apontou reportagem do UOL que listou as músicas "proibidonas" da dupla.

"Tem muita coisa embutida. Tem uma regravação da Rita Lee da música Maria Mole que fala 'Maria mole, lenga lenga', dá para ver que tem duplo sentido. Do CD de 2001 tem A Gente Dá Certo, que fala 'do lado de lá, do lado de cá, de cima pra baixo, de fora pra dentro', que deixa essa dúvida no ar. Mas eu não mudaria a música."

A piauiense Danielle Bacelar, 33, dublou a canção Maria Chiquinha em muitas festinhas infantis, e mesmo assim aprovou a atitude da dupla em tirar a canção do show.

"Os tempos mudaram. Ninguém concorda mais com machismo, mulheres não aceitam e os homens também."

"É isso mesmo, precisamos evoluir o pensamento, na época não tínhamos noção. Eles têm representatividade e respeitam as gerações que os seguem", completou a professora Josiane Scofield, 38.

Thati Lopes, do Porta dos Fundos, compareceu ao show de Sandy e Junior no Rio - Carolina Farias/UOL
Thati Lopes, do Porta dos Fundos, compareceu ao show de Sandy e Junior no Rio
Imagem: Carolina Farias/UOL

Famosas como a atriz Thati Lopes, do Porta dos Fundos, e Rafa Brites, ex-repórter do Vídeo Show, fizeram coro com os fãs.

"Está certo, estamos em outra época e, como eles disseram da música, achei incrível. Não dá mais mesmo", afirmou Tati.

"É ótimo. Lógico que existe uma licença poética e artística, mas que isso não seja considerado normal. Na época não paramos para pensar nisso, mas hoje não vale mais. Eu, como boa feminista, achei maravilhoso", completou Rafa.

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