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"Reconheceram que garotas gostam de heróis", diz criadora de série com heroínas adolescentes

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Mulher-Maravilha virou adolescente em DC Super Hero Girls Imagem: Divulgação

Beatriz Amendola

Do UOL, em São Paulo

2019-07-10T04:00:00

10/07/2019 04h00

E se Mulher-Maravilha, Batgirl e Supergirl fossem adolescentes enfrentando as dificuldades do ensino médio (além de combater supervilões, é claro)? DC Superhero Girls, animação exibida por aqui pelo Cartoon Network, vem respondendo essa pergunta desde 2015. E com bastante sucesso. Já são cinco temporadas, que também se tornaram um fenômeno no YouTube: um canal brasileiro dedicado à série acumula mais de 124 milhões de visualizações, enquanto o principal da atração, em inglês, já tem mais de 500 milhões.

Por trás da animação está Lauren Faust, animadora e roteirista norte-americana que trabalhou em produções como As Meninas Superpoderosas, Meu Pequeno Pônei e Mansão Foster Para Amigos Imaginários. Em 2011, quando a DC e o Cartoon Network procuravam uma série de curtas para exibir no canal, a artista propôs uma história baseada nas versões adolescentes das super-heroínas da editora. Deu certo. "Os curtas foram muito bem, e me pediram para tentar vender o projeto como uma série de TV, mas não conseguimos encontrar nenhuma emissora na época", lembra Lauren, em conversa com o UOL.

A série só foi sair do papel mesmo em 2015, quando a Warner (dona da DC e do Cartoon Network) queria lançar uma linha de bonecas baseadas nas personagens e lançou uma web série para promovê-la, sem qualquer participação de Faust. "As bonecas venderam bem, mas a série não estava tendo o alcance que eles esperavam, então me chamaram para fazer um reboot da marca como uma série de TV", conta.

Machismo

Parte das dificuldades que Faust encontrou para promover a versão inicial da produção, além de outros projetos voltados a garotas, veio de uma noção antiquada de que elas não consumiriam esse tipo de produção. "Ao longo da minha carreira, sempre que tentava vender séries para meninas, muitos comentários que eu recebia eram na linha 'nós gostamos muito da ideia, mas meninas não assistem a desenhos e não achamos que meninos vão assistir a uma animação sobre meninas'".

A experiência da artista, porém, contradiz o discurso que ouvia dos executivos de TV. "Isso é errado. As séries em que eu trabalhei antes, como Meninas Superpoderosas e Meu Pequeno Pônei, atraíram tanto meninos quanto meninas", afirma.

Faust nota, no entanto, que a situação melhorou bastante nos últimos anos. "Especialmente no que se refere a super-heróis, a mídia e a indústria de quadrinhos finalmente entenderam que as garotas gostam dessas histórias e querem se ver refletidas nela", diz. "Os quadrinhos começaram a se direcionar mais para as garotas, elas responderam, e isso agora está acontecendo com os filmes também. Eu não estou enfrentando a resistência que costumava enfrentar com séries que queria fazer e não tive a oportunidade".

Novas personagens

Com cinco temporadas cheias de personagens icônicos como Hera Venenosa, Mulher-Gato, Arlequina e a Lanterna Verde Jessica Cruz, além de Mulher-Maravilha, Batgirl e Supergil, Faust pretende trazer outros nomes conhecidos do público conforme a série avança.

"É até difícil escolher", brinca. "Você vai ver mais personagens masculinos sendo introduzidos, e mais vilãs mulheres. Também vamos colocar personagens como Deathstroke e Ra's Al Ghul na mistura".

Dc Super Hero Girls vai ao ar às 19h no Cartoon Network.