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Nova She-Ra é independente, insegura e bem-humorada; e não decepciona

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A nova versão da She-Ra que aparecerá em "She-Ra e as Princesas do Poder" Imagem: Divulgação

Leonardo Rodrigues

Do UOL, em São Paulo

17/11/2018 04h00

Uma das figuras mais carismáticas dos anos 1980, a guerreira She-Ra está de volta em uma nova e repaginada série produzida para a Netflix pelos estúdios Dreamworks, dos sucessos "Shrek" e "Como Treinar o seu Dragão". A primeira temporada, com 13 episódios de 24 minutos, revela uma heroína bem diferente da que estávamos acostumados. Moderna, agora ela é uma adolescente com personalidade e traços atuais, o que gerou uma onda de controvérsia.

Fãs das antigas torceram o nariz para os contornos retos da nova protagonista, que em nada lembram os de sua hipersexy versão original. A imprensa estrangeira vem elogiando o reboot, sobretudo a forma como ele consegue ser atual e manter a aura de Greyskull, mas a opinião do público vem se dividindo. Há quem ame e quem não pretende nem ao menos dar chance.

É importante ressaltar: voltada ao público infantojuvenil, a adaptação de "She-Ra e as Princesas do Poder" foi escrita por um jovem time de roteiristas mulheres, diferentemente da original, criada e desenvolvida por duas cabeças masculinas como spin-off de "He-Man e os Defensores do Universo". Os tempos são outros, mas há muito em comum na história, universo e identidade dos personagens, e eles não decepcionam.

Veja abaixo, sem spoilers, as principais novidades da nova atração.

Traço

A primeira diferença a saltar aos olhos em "She-Ra" é o traço empregado em cenários e personagens. O visual continua em 2D, mas ele agora é mais estilizado e traz influências da cultura do anime e de desenhos mais modernos, como "Três Espiãs Demais". O sex appeal dos personagens femininos e masculinos, estes com suas montanhas de músculos, foi deliberadamente atenuado. O público-alvo das histórias são adolescentes e, principalmente, crianças. Mas esta não é uma série infantilizada, muito pelo contrário.

Personalidade

A She-Ra original se notabilizou pela elegância, racionalidade e por uma nobre mistura de sapiência e segurança. Três décadas depois, a história mudou. Agora adolescente, ela tem mil medos e inseguranças, normais para a idade. Ela também é mais questionadora, mas não se engane: a contraposição entre bem e mal ainda é de extrema importância para a série. Dá para dizer que a She-Ra do século 21 nasce mais realista. Isso não quer dizer que ela seja melhor ou pior, mas é mais fácil se identificar com a personagem, seus dramas e parceiros Cintilante e Arqueiro. O mesmo vale para a antagonista Felina.

Humor

A década de 1980 foi a década da descontração e da metalinguagem no entretenimento, mas muitas produções demoraram para perder o ar solene. Eram os casos de "He-Man" e "She-Ra". Quem não se lembra das lições de moral ao fim de cada aventura? Fato. Havia pouco espaço para o humor. Tudo isso acabou. A irreverência é uma das marcas da primeira temporada, mesmo em episódios mais dramáticos. Há uma profusão de piadas rápidas e gags, e muitas parecem ter saído da internet. Elas diminuem a tensão e, na pior das hipóteses, servem para nos aproximar das personagens.

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Imagem: Reprodução

Futurismo

Dos mitos às indumentárias, as referências medievais fizeram a fama do mundo de Defensores do Universo. Mais do que isso: são o DNA da saga. Elas continuam presentes, mas agora dividem espaço com elementos ainda mais místicos e ligados à tecnologia. As armas, por exemplo, têm um forte quê futurista. Mesmo a famosa e tradicional Espada do Poder surge mais moderna. Os veículos parecem ter sido tirados de distopias como "Blade Runner" e uniformes dos soldados da Horda chegam a lembrar os da saga "Star Trek". É um mix interessante de passado e presente.

Empoderamento

Chega a ser clichê falar no empoderamento da nova She-Ra, que já havia feito história ao quebrar barreiras na década de 1980. Mas é impossível não relacionar seu reboot à nova era de protagonismo feminino. A princesa Adora, por exemplo, está totalmente descolada da figura do irmão gêmeo Adam, o He-Man. No século 21, ela não depende mais de outro personagem para existir e, mesmo nas histórias, demonstra mais autonomia em suas decisões e atitudes, errando e acertando. Só não espere por uma trama feminista. Não é o caso.