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Daryl Hall & John Oates faz 1º show no Brasil após cinco décadas

Daryl Hall e John Oates, que fazem primeiro show no Brasil - Divulgação
Daryl Hall e John Oates, que fazem primeiro show no Brasil Imagem: Divulgação

Leonardo Rodrigues

Do UOL, em São Paulo

11/06/2019 04h00

Ostentando o título de "duo mais bem-sucedido da história" --fãs de Pet Shop Boys contestam--, a dupla americana Hall & Oates faz hoje, em São Paulo, seu histórico primeiro show brasileiro após quase cinco décadas de estrada e uma penca de hits que por si só já justificariam visitas ao país pelo menos duas vezes por ano.

Segundo Daryl Hall, há um culpado com nome e sobrenome: Tommy Mottola, empresário que tomou as rédeas da parceria nos anos 1970, a colocou no topo e, anos mais tarde, seria motivo de dor de cabeça para a dupla --segundo John Oates, além de definir as turnês, foi Mottola quem o induziu ao estilo de vida perdulário que o levaria à falência.

"Vir a o Brasil não era uma decisão que dependia de nós. Tivemos muitos problemas com ele", explica ao UOL Dary Hall, que já ironizou a relação com o empresário na faixa "Gino (The Manager)", lançada em 1975, antes de estourar com Oates e virar símbolo da primeira era da MTV americana.

No show único no Brasil, no Espaço das Américas, zona oeste de São Paulo, o duo trará a maioria dos sucessos que muitos brasileiros sabem assobiar ---atire o primeiro CD quem nunca solfejou "Maneater" e "Out of Touch"--, mas nem sempre conseguem ligar música ao artista. Também há promessa de surpresas no setlist, dignas de uma estreia. "Certeza que não será um show comum."

Falando com poder de síntese de um experiente executivo do ramo, Hall ainda lembrou-se dos tempos de "vice-rei" do pop, criticou novos artistas e deu sua visão sobre o colega Michael Jackson, acusado novamente de abuso infantil. Arrependimento na carreira? Só um: "Deveria ter me interessado mais pelo lado 'business' da música".

A dupla Hall and Oates - Facebook/Reprodução
A dupla Hall and Oates
Imagem: Facebook/Reprodução

Cinco perguntas para Daryl Hall.

UOL - Vocês começaram nos anos 1970 tocando soul e folk, mas só chegaram ao topo dez anos depois, produzindo música pop. O quanto foram pressionados para mudar de estilo?

Daryl Hall - É importante dizer que os anos 1970 e 1980 eram tempos em que as gravadoras dominavam tudo. Existe todo um jogo político que tínhamos que jogar. Nós tínhamos que andar numa linha tênue entre o que queríamos fazer artisticamente e o que os diretores de gravadoras esperavam de nós.

Era uma linha difícil de se andar. Mas nós fizemos tudo do nosso jeito. Nós não éramos fáceis de lidar, digamos assim. Havia sempre algo em nosso benefício e algo contra nós. Acho que, no fim das contas, esse embate foi bom para o nosso lado artístico. Tudo isso aconteceu por causa do nosso relacionamento com as gravadoras.

Já vi em entrevistas vocês confessando que gravar tantos clipes nos anos 1980 era algo estranho e de certa forma desconcertante. Isso é verdade?

A verdade é que era natural na época. Nada que nós criamos foi algo que pensamos demais em fazer. Nós apenas seguíamos nossos corações. Eu sou cantor soul. Componho de maneira muito pessoal. Eu sempre fiz o que parecesse ser o certo para mim. Se há algo a fazer e eu não quero, eu simplesmente não faço.

O cantor e compositor Daryl Hall - Reprodução/Facebook
O cantor e compositor Daryl Hall
Imagem: Reprodução/Facebook

Como você, considerado um dos grandes compositores do pop, avalia a produção atual? Concorda com quem diz que a música está pasteurizada demais?

Concordo totalmente. Hoje existem regras mais rígidas a se seguir. Escuto pessoas fazendo coisas fora do que você chamaria de normal, mas ainda percebo que existe muita similaridade. Isso tem muito a ver com a tecnologia e as novas técnicas de gravação. E os novos artistas são empurrados em direção a isso. Os próprios artistas soam inócuos. Eles se parecem muito uns com os outros. Especialmente as cantoras. Há muita pouca personalidade no pop de hoje, assim como a produção. Com isso, eles ficam ainda mais similares.

John Oates revelou em biografia que passou por sérios problemas financeiros quando a dupla parou de fazer sucesso. Precisou vender coleção de carros, avião etc. Isso não te atingiu de alguma forma?

Não foi um período ruim para mim, porque eu compus a maioria das músicas, e minha editora é diferente da do John. Houve muitos problemas com nosso antigo empresário. Se eu tenho algum arrependimento na minha carreira, foi não ter prestado atenção na parte dos negócios e ter me concentrado por muito tempo só na música.

Vocês conheceram Michael Jackson na época de "We Are the World", quando ele disse ter "roubado" a introdução de "I Can't Go For That" para compor "Billy Jean". Como você está lidando com as novas denúncias de abuso infantil?

Acho que o Michael era um cara complicado. Teve uma vida difícil. Acho que o comportamento dele é uma reação direta ao que viveu na infância. Ele viveu coisas que provavelmente não eram apropriadas e não foram boas para ele. Ele era uma pessoa com muitos problemas, e o tipo de problema que ele tinha costuma ser originário da infância, na maioria dos casos. Tem a ver com a forma como você é criado --ou simplesmente a ausência de criação.

Daryl Hall & John Oates
Quando Hoje (11), às 21h30
Onde Espaço das Américas, r. Tagipuru. 795
Preço de R$ 230 a R$ 420

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