Serguei é enterrado em Saquarema, cidade onde mantinha seu Templo do Rock
O corpo de Serguei, que morreu ontem aos 85 anos, foi velado na manhã de hoje na Câmara Municipal de Saquarema, na região dos Lagos do Rio de Janeiro e enterrado em seguida, por volta de meio-dia, no Cemitério Municipal da cidade.
O roqueiro vivia em Saquarema desde 1972 e transformou sua casa em museu em 2006, que ficou conhecida como o Templo do Rock. Considerado patrimônio cultural do município, o local será conservado pela prefeitura, que decretou luto de três dias pela morte do ilustre morador.
Carlos Loffler, último a visitar o amigo no hospital, publicou hoje um vídeo em seu Instagram a caminho da despedida do amigo. "Partiu Saquarema! O velório do nosso querido Serguei vai ser hoje na Câmara Municipal de Saquarema, das 8 as 11 horas", escreveu.
Muito abalado, o ator falou sobre a morte de Serguei ontem ao UOL. "Está muito difícil para mim. Ontem, depois da visita, eu soube que ele estava indo embora. Ele estava muito abatido e magro."
Na última visita, Carlos disse que cantou "(I Can't Get No) Satisfaction", dos Rolling Stones, e Serguei reagiu balançando as mãos e os pés. O artista, no entanto, não conseguiu falar porque estava entubado. "Mostrei também alguns vídeos no celular. Foi uma 'festa' a visita."
Divino do rock
Sérgio Augusto Bustamante nasceu em 8 de novembro de 1933. Filho de um executivo da IBM, Domingos Bustamante, ele teve um amigo russo na infância que o chamava de Serguei e o apelido acabou pegando.
Morou com a avó paterna em Nova York, nos Estados Unidos, quando ainda era adolescente e participou de festivais estudantis. De volta ao Brasil, trabalhou em bancos e como comissário de bordo. No retorno aos Estados Unidos, iniciou sua carreira na música e esteve no famoso Festival de Woodstock, em 1969.
O cantor afirmava que teve um relacionamento amoroso com a cantora Janis Joplin no final daquele ano. Quando Janis Joplin visitou o Brasil em 1970, Serguei foi uma das pessoas que acompanharam a artista no Rio de Janeiro.
Em 1972, Serguei mudou-se para Saquarema, na Região dos Lagos, no Rio de Janeiro. Em sua residência foi criado o Museu do Rock, administrado por ele e constituído de peças de roupas, discos, prêmios, cartazes, filmes e outros materiais sobre sua carreira.
Serguei morava sozinho no Templo do Rock, onde recebia diariamente amigos e turistas e recebia uma mesada da prefeitura para manter o museu. O UOL visitou o local em 2015.
Em 2013, Serguei desfilou pela escola de samba Mocidade Independente de Padre Miguel no enredo que contava a história do Rock in Rio. Conhecido como "O Divino do Rock", ele lançou oito compactos simples, um LP e dois CDs entre 1966 e e 2009 e chegou a tocar no Rock in Rio II (1991) e Rock in Rio III (2001).
Serguei continuou ativo na música até o final de 2018, tocando com sua banda Pandemonium.
Serguei não deixa herdeiros.
5 Comentários
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Nem Raul Seixas, Arnaldo Baptista ou Rita Lee. O maior roqueiro brasileiro de todos os tempos, foi e sempre será o Serguei. Ele adotou intensamente o estilo "rock'n'roll of life" até os seus momentos finais. Mesmo idoso, o estilo dele ainda era totalmente rock'n'roll numa mistura de Mick Jagger com Steven Tyler. A impressão que tinha, era que o tempo tinha parado para ele em meados dos anos 70. Nunca mais teremos uma personalidade como essa por aqui. Descanse em paz, Serguei !
"Rock n' Roll não é só estilo musical , é atitude e estilo de vida", (Serguei) Isso é um tapa nos "posers" do rock de fim de semana !