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A ótima "Chernobyl" é a redenção da HBO após fim controverso de "Game of Thrones"

Cena da série Chernobyl, da HBO - Reprodução
Cena da série Chernobyl, da HBO
Imagem: Reprodução

Beatriz Amendola

Do UOL, em São Paulo

07/06/2019 04h00

A oitava e última temporada de "Game of Thrones" deixou um gosto amargo na boca de muitos fãs. Mas a HBO parece ter encontrado a redenção numa produção que não foi divulgada com a mesma pompa da saga fantástica: a ótima "Chernobyl", minissérie de cinco episódios que se encerra hoje.

Criada por Craig Manzin (roteirista da franquia "Se Beber Não Case"), a produção é um mergulho fascinante em um dos grandes desastres do século passado: a explosão de um dos reatores da usina nuclear de Chernobyl, em 1986.

A trama reconstitui os acontecimentos da fatídica noite do acidente e dos dias que se seguiram a ele, pelo ponto de vista de três protagonistas: Valery Legasov (Jared Harris), diretor do Instituto Kurchatov e responsável por liderar os esforços de emergência; Boris Shcherbina (Stellan Skarsgård), presidente do Conselho de Ministros do Estado Soviético, e a física Ulana Khomyuk (Emily Watson), uma amálgama de vários cientistas que tentaram descobrir as razões por trás da explosão do reator.

Os esforços de Manzin foram recompensados, e "Chernobyl" se tornou unanimidade de crítica e público. No IMDB, sua nota já é de 9,7, o que a colocou como a série mais bem avaliada da história do site, superando "Game of Thrones" e "Breaking Bad".

Se você ainda não deu uma chance para a minissérie, não tem problema: ainda dá tempo de maratonar antes de o final ir ao ar. Listamos abaixo três motivos para você conferir a produção.

A história como você nunca viu

Em plena Guerra Fria, custou para o governo soviético admitir a catástrofe de Chernobyl, e os detalhes em torno da explosão ficaram, por anos, envoltos em uma cortina de fumaça. Esse talvez seja o principal motivo por trás do fascínio exercido por "Chernobyl": ela faz uma reconstituição riquíssima, trazendo detalhes antes pouco conhecidos pelo grande público.

Com um roteiro bem amarrado e um belo trabalho de direção de arte, a minissérie traça minuciosamente o cenário desolador de uma tragédia anunciada, incluindo todo o seu horror. Das consequências nefastas da radiação nos corpos daqueles que se aproximaram da usina ao sacrifício de animais para conter os danos, "Chernobyl" não se furta às cenas difíceis, o que a torna ainda mais contundente.

Assustadoramente atual

Apontar culpados não é o objetivo de "Chernobyl", que faz um esforço consciente para humanizar as vidas atingidas pelo desastre. A minissérie, no entanto, deixa claríssima a responsabilidade do governo soviético e de seus burocratas, desde o início mais preocupados em manter intacta a imagem da superpotência soviética do que em encarar a real proporção da catástrofe. Os oficiais só foram admitir os danos perante a comunidade internacional quando a radicação chegou à Suécia, e não era mais possível esconder os fatos.

A produção propõe uma reflexão sobre poder e ego que extrapola os limites temporais e geográficos - e que se conecta a outra, mais atual do que nunca, sobre a verdade. "O perigo real é que, se ouvirmos mentiras o bastante, não reconheceremos mais a verdade", diz Legasov logo nos primeiros minutos do primeiro episódio. Impossível não pensar nos nossos tempos de pós-verdade, e em como a história, inevitavelmente, se repete.

Elenco espetacular

O elenco é uma das grandes forças de "Chernobyl". O trio principal formado por Jared Harris, Stellan Skarsgard e Emily Watson conduz a história com performances contidas e poderosas que guiam o espectador pelo cenário da tragédia. Eles são apoiados por coadjuvantes igualmente essenciais à história, como Jessie Buckley, intérprete de Lyudmilla Ignatenko, viúva de um dos bombeiros que perderam a vida por conta da radiação do acidente.

O último episódio de "Chernobyl" vai ao ar hoje, às 21h, na HBO