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Virada Cultural


Preta Gil faz ode à diversidade na Virada Cultural e gasta R$ 150 em algodão doce de ambulante

Diego Padgurschi / UOL
Preta Gil faz show na Virada Cultural Imagem: Diego Padgurschi / UOL

Renata Nogueira

Do UOL, em São Paulo

2019-05-19T17:04:08

19/05/2019 17h04

Com um macacão dourado de paetês, Preta Gil escolheu "Vá se Benzer" para abrir seu show na Virada Cultural de São Paulo. A cantora aproveitou a letra da música, parceria dela com a madrinha Gal Costa, para dar seu grito de liberdade. "Eu sou preta, eu sou gorda, eu sou feliz."

"Eu sou eu, diz aí quem é você", diz o refrão de "Vá se Benzer". "Grita quem você é", pediu Preta ao público que foi prestigia-la já no finalzinho da Virada Cultural, no Palco República da Diversidade, na Praça da República, região central de São Paulo.

Animada, a cantora sambou e até dançou lado a lado com o intérprete de libras que fazia o trabalho em um dos cantos do palco. No cercadinho em frente ao palco, um grupo de amigos e fãs fiéis da cantora dividiam espaço com os fotógrafos e faziam coreografias das músicas, fazendo jus ao nome do show: "Baile da Preta". Não demorou para que ela os chamasse ao palco. "Coreografia não é o meu forte", justificou ao pedir a "ajudinha".

Preta Gil ainda se lembrou da amiga Pabllo Vittar, que já havia tocado na Virada durante a madrugada, ao cantar a parceria delas, "Decote". "Ressuscita", gritou a cantora ao fim da canção, repetindo um dos bordões da drag. Outra drag famosa, Salete Campari, assistiu ao show de Preta em frente ao palco. A performer foi reconhecida pelos fãs da cantora e atendeu pedidos de selfie.

"Não é à toa que me escolheram para tocar neste palco. Vocês sabem muito bem da minha luta de muitos anos pelo fim da desigualdade e da sacanagem neste Brasil. Vamos levantar os braços juntos e dizer não à homofobia", pediu Preta antes de entoar um de seus maiores sucessos, "Sinais de Fogo", cantada a plenos pulmões pelo público.

O clima de baile e diversidade seguiu com alguns covers que animaram bastante o público, como "Fogo e Paixão", de Wando, "Whisky a Go Go", do Roupa Nova e "Milla", do baiano Netinho. Na frente do palco, algumas idosas dançavam animadas junto ao público mais jovem e fiel de Preta.

A cantora ainda aproveitou o início de uma confusão para apaziguar e fazer mais um cover. "O que é essa roda que se abriu aí?", perguntou, apontando para o público. "Aqui a gente só abre a roda para se amar", falou a cantora, antes de emendar com um trecho de "A Roda", de Sarajane.

Boa ação com ambulante

Diego Padgurschi / UOL
Vendedor de algodão doce faturou R$ 150 depois que Preta Gil comprou todos os doces Imagem: Diego Padgurschi / UOL

Preta Gil ainda aproveitou o show para matar a vontade de comer algodão doce e ajudar um vendedor ambulante. Ao ver o rapaz circulando com os doces entre o público, pediu para os fãs avisarem que ela queria comprar todos. "Gente, por favor. Alguém avisa o moço do algodão doce que eu quero comprar todos. Traz ele aqui", pediu a cantora no microfone.

O sortudo foi Rafael Gustavo, de Ribeirão Pires, que vendeu seus doces para a cantora dividir com o público. "Sempre venho todo ano na Virada, mas isso nunca vi isso acontecer. Estou muito feliz", disse o vendedor, que negociou os quitutes com o marido de Preta Gil por R$ 150.

Gritos contra Bolsonaro

Em um dos intervalos do show, enquanto recebia uma fã no palco, o público do show de Preta Gil começou a gritar contra o presidente Jair Bolsonaro. A cantora então interrompeu a moça que estava com ela. "Peraí que eles têm algo importante para falar", pediu. Depois dos gritos de "Ei Bolsonaro, vai tomar...", a cantora apenas reagiu: "A voz do povo é a voz de Deus".

Já a fã reclamou que sua namorada terminou com ela porque ela foi ao show de Preta. Para compensa-lá, Preta a abraçou, tirou uma foto e brincou. "O que você quer mais que eu faça? Quer que eu te dê um beijo?"