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Game of Thrones


"Game of Thrones" tem final agridoce; saiba como a série termina

Emilia Clarke como Daenerys no episódio final de "Game of Thrones" - Divulgação
Emilia Clarke como Daenerys no episódio final de "Game of Thrones"
Imagem: Divulgação

Beatriz Amendola

Do UOL, em São Paulo

19/05/2019 23h19

ATENÇÃO: O texto abaixo contém spoilers do final de "Game of Thrones". Não leia se não quiser saber o que acontece.

Acabou. Após oito temporadas, "Game of Thrones", a série mais cultuada dos últimos anos, exibiu seu último episódio neste domingo. E seu final foi, de fato, agridoce, como há anos vinham nos alertando os showrunners David Benioff e D.B. Weiss e o escritor George R.R. Martin, autor dos livros da saga "As Crônicas de Gelo e Fogo", que deram origem à atração da HBO.

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Daenerys (Emilia Clarke), que no penúltimo episódio sucumbiu à tirania e destruiu Porto Real, foi morta pelo seu sobrinho e amante Jon Snow (Kit Harington), e teve seu corpo levado para longe por seu único dragão remanescente, Drogon. Jon, por sua vez, acabou de volta à Patrulha da Noite, além da Muralha -- e reunido com seu lobo gigante, Fantasma.

Quem acabou no posto de rei dos Sete Reinos (Seis, na verdade, mas falamos disso depois), surpreendentemente, foi Bran (Isaac Hempstead-Wright), com Tyrion (Peter Dinklage) como sua Mão. O Trono de Ferro? Não existe mais, já que foi queimado por Drogon.

Sansa (Sophie Turner) terminou governando o Norte após garantir a independência dele, enquanto Arya (Maisie Williams) resolveu explorar o que existe a oeste de Westeros - uma referência direta a uma frase dita pela personagem na sexta temporada.

Já Verme Cinzento (Jacob Anderson) resolveu partir com os Imaculados para a Ilha de Naath, terra de sua amada Missandei (Nathalie Emmanuel), que havia morrido no quarto episódio, sob ordens de Cersei (Lena Headey).

Como tudo aconteceu

O episódio derradeiro de "Game of Thrones" se iniciou com novas tomadas da destruição de Porto Real, desta vez vista de perto por Jon, Tyrion e Davos (Liam Cunningham).

Nos restos da Fortaleza Vermelha, Tyrion avistou a mão de ouro de Jaime (Nikolaj Coster-Waldau) e confirmou que tanto ele quanto Cersei estavam mortos. Jon e Davos, paralelamente, toparam com Verme Cinzento e seus soldados, prestes a executar um grupo de soldados Lannister. Jon tentou convencer Verme Cinzento do contrário, mas ouviu que ele só recebia ordens da rainha. Depois de um momento tenso, em que Imaculados e nortenhos ficaram com armas em riste, Jon resolveu seguir em frente -- e Verme Cinzento passou a cortar as gargantas dos soldados inimigos.

Peter Dinklage como Tyrion no episódio final de "Game of Thrones" - Divulgação
Peter Dinklage como Tyrion no episódio final de "Game of Thrones"
Imagem: Divulgação

Jon então atravessou hordas de soldados dothraki e Imaculados que comemoravam a vitória até uma grande escadaria. Do alto dela, Daenerys surgiu imponente, com Drogon atrás, em uma cena que fez parecer com que a rainha tinha asas de dragão.

Ela em seguida deu início a um discurso inflamado, primeiro dirigindo-se aos dothraki e, depois, aos Imaculados. Após fazer de Verme Cinzento o comandante de todas as suas forças, ela disse que pretendia libertar o resto do mundo, da mesma forma que havia feito em Porto Real. "Vocês vão quebrar a roda comigo?", questionou, recebendo uma resposta ruidosa de seu exército.

Nesse momento, Tyrion apareceu e andou até o lado da Mãe dos Dragões, que lhe disse que ele havia cometido traição. "Eu libertei meu irmão. Você massacrou uma cidade inteira", respondeu ele, jogando o broche de Mão da Rainha no chão. Os soldados imediatamente pararam de comemorar, e se estabeleceu um clima de tensão até que Daenerys ordenasse que seu antigo conselheiro fosse levado a uma cela.

A tragédia de Jon e Daenerys

Jon, que assistia a tudo com uma expressão de desolação, então foi encontrado por Arya, que disse que ele nunca estaria seguro perto da rainha, posto que, como herdeiro de Rhaegar Targaryen, ele representava uma ameaça à reivindicação dela ao trono. "Eu reconheço uma assassina", concluiu Arya.

O protetor do Norte foi então conversar com Tyrion. "Pelo menos as cinzas do Varys poderão dizer para as minhas: 'eu avisei'", ironizou ele, antes de notar que Daenerys não iria conter a violência frente a novos inimigos: "Em todo lugar que ela vai, homens maus morrem, e nós comemoramos isso. Ela se torna mais poderosa e mais certa de que ela é boa e justa. Ela acredita que é o destino dela construir um mundo melhor para todos. Se você realmente acreditasse nisso, você não mataria quem ficasse entre você e o seu paraíso?"

Tyrion então acrescentou que também amava Daenerys e que havia acreditado nela. "O amor é a morte do dever", disse Jon, evocando uma frase de meistre Aemon. "O dever é a morte do amor", provocou Tyrion, insinuando que o certo a fazer era matar Daenerys, já que ela pretendia impor a mesma destruição a outros lugares. Jon resistiu até mesmo quando o amigo disse que ele poderia ser morto, mas ficou balançado quando Tyrion lembrou que Sansa e Arya nunca se curvariam à nova rainha.

Foi o pontapé para o momento mais dramático do episódio. Daenerys, finalmente cara a cara com o Trono de Ferro que tanto almejou, foi interrompida por Jon -- que tentou, em vão, convencê-la a perdoar Tyrion e mostrar misericórdia. "Não podemos nos esconder atrás de pequenas misericórdias", retrucou a rainha, antes e dizer que tanto ela quanto Jon sabem o que é o bem, e que não há espaço para outros que não compartilhem da mesma convicção. "Vamos quebrar a roda juntos", disse ela. Jon então se aproximou para um beijo e a apunhalou com uma adaga.

Daenerys morreu nos braços do amado, que a deitou sobre o chão. Nesse momento, Drogon chegou e soltou gritos de partir o coração. Revoltado com a morte da mãe, ele disparou uma rajada de fogo em direção ao Trono de Ferro, que derreteu. Em seguida, a criatura voou para longe, carregando o corpo de Daenerys.

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Um novo rei

Jon Snow acabou feito de prisioneiro por Verme Cinzento, e foi convocado um conselho para decidir o que seria feito com ele e com Tyrion, uma vez que os Sete Reinos estavam sem um governante. Sansa, Arya, Gendry (Joe Dempsie), Sam (John Bradley), Yara (Gemma Whelan), Brienne (Gwendoline Christie) e Robin Arryn (Lino Facioli) estavam entre os presentes da reunião, que aconteceu no Fosso do Dragão - e que acabou deixando aparecer garrafas de água em cena, em uma nova gafe da série.

Verme Cinzento levou Tyrion aos lordes e ladies, e o prisioneiro bem notou que o comandante de Daenerys não podia tomar nenhuma decisão quanto aos destinos dele e de Jon Snow, já que isso só cabia a um rei ou uma rainha. Edmure Tully (Tobias Menzies) tentou se voluntariar para o posto, mas foi interrompido por Sansa: "Sente-se, tio, por favor". Sam chegou a sugerir uma eleição democrática, envolvendo todos os habitantes dos Sete Reinos, mas sua sugestão foi descartada aos risos.

Tyrion então indicou Bran para o cargo, notando que ele tinha uma ótima história como o garoto que ficou paraplégico e, sem poder andar, aprendeu a voar. Sua impossibilidade de ter filhos também não seria problema. "Essa é a roda que nossa rainha queria quebrar", disse Tyrion para Verme Cinzento. "A partir de agora, os reis serão escolhidos aqui, pelos lordes e ladies", completou. Ele então perguntou se o filho de Ned Stark governaria. "Por que você acha que eu cheguei até aqui?", respondeu o rapaz.

Todos os presentes então aprovaram Bran -- mas Sansa pediu, antes, que o irmão concedesse a independência do Norte, com o que ele concordou. Bran em seguida nomeou Tyrion como sua Mão, sob protestos. O novo rei então afirmou que Tyrion cometeu "erros terríveis", mas passaria o resto da vida tentando consertá-los.

Depois disso, o destino de Jon Snow foi logo revelado: Bran optou por mandá-lo de volta para a Patrulha da Noite. Como Sansa o queria de volta ao Norte e Verme Cinzento o queria morto, vestir o preto foi um meio-termo, conforme explicou Tyrion a um Jon ainda abalado pelo assassinato de Daenerys. "Foi certo o que eu fiz? Não parece", questionou o filho de Rhaegar e Lyanna, atormentado.

Jon teve, pelo menos, a chance de se despedir dos irmãos (primos, na verdade). Sansa lhe pediu desculpas por não ter conseguido salvá-lo da Patrulha, ao que Jon respondeu que o Norte era livre graças a ela e que ela era a melhor governante que eles poderiam ter. Arya, por sua vez, disse que não poderia aceitar o convite de Jon para visitá-lo na Muralha, pois iria viajar para ver o que está a oeste de Westeros. "Você ainda tem a sua Agulha?", perguntou ele, antes de abraçá-la, emocionado.

Diante de Bran, Jon se ajoelhou e pediu desculpas por não ter estado perto quando ele precisava. "Você estava onde deveria estar", respondeu o rei, repetindo a frase que foi seu mantra por toda a temporada.

"Game of Thrones" se encerrou mostrando os quatro Starks remanescentes, a começar por Bran, que deixou uma sessão do conselho para tentar localizar Drogon. Aliás, Bronn se tornou seu Mestre da Moeda e Brienne ganhou o posto de chefe da guarda real. Em um easter egg divertido, Sam, o meistre do rei, mostrou a Tyrion um novo livro sobre as guerras que ocorreram após a morte de Roberth Baratheon. O nome? "As Crônicas da Gelo e Fogo".

Em seguida, uma sequência em montagem deu destaque a Sansa, Arya e Jon Snow. Sansa foi aclamada Rainha do Norte; Arya partiu em sua viagem; e Jon reencontrou Tormund e Fantasma, que finalmente ganhou o carinho que merecia. Na última cena de toda a série, ele e os dois companheiros apareceram indo além da Muralha, ao lado de outros selvagens.

Nossa vigília, agora, realmente acabou.

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