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Rodrigo Santoro aprendeu russo para atuar em filme cubano sobre Chernobyl

Felipe Branco Cruz

Do UOL, em São Paulo

04/04/2019 04h00

O acidente nuclear de Chernobyl, em 1986, na Ucrânia, também foi sentido pelos cubanos, a 9,5 mil quilômetros de distância. Na época, milhares de vítimas foram enviadas pela União Soviética para serem tratadas nos hospitais da ilha caribenha.

Embora os cubanos não tenham sentido os efeitos tóxicos da radiação, eles também sofreram com a chegada dessas vítimas, especialmente no campo psicológico, já que tiveram que lidar com a superlotação dos hospitais, o sofrimento dos pacientes e as inevitáveis mortes.

Essa história, que é pouco conhecida no Brasil, ganhou os cinemas no filme "O Tradutor", que estreia nesta quinta-feira (4). O longa é dirigido pelos estreantes irmãos Rodrigo e Sebastián Barriuso, com o ator brasileiro Rodrigo Santoro no papel principal.

A história é baseada no pai dos diretores, um professor universitário de literatura russa. No enredo, Santoro interpreta Malin, um professor que é deslocado pelo governo para atuar como tradutor de russo para espanhol na ala infantil do hospital que recebeu as vítimas de Chernobyl.

Para interpretar o papel, Santoro teve que aprender a falar russo, já que quase metade do filme é falado nesse idioma. Santoro, por outro lado, é fluente em espanhol e íntimo da ilha caribenha. Em 2006, por exemplo, iterpretou Raul Castro no filme "Che 2: A Guerrilha".

Cena do filme "O Tradutor", com Rodrigo Santoro - Divulgação
Cena do filme "O Tradutor", com Rodrigo Santoro
Imagem: Divulgação

Russo

"Aprender russo foi um processo longo e árduo. Tive quatro semanas intensivas com uma professora particular. Trabalhei em cima do roteiro absorvendo, memorizando e internalizando as cenas em russo. Eu tive que aprender as minhas falas e as falas de quem estava trabalhando comigo para saber exatamente quando falar e que entonação dar. Foi um trabalho dobrado", explicou o ator.

Santoro disse ainda que conheceu o pai dos irmãos Barriuso, que hoje vive na Itália onde dá aulas de literatura latino-americana. "Quis saber o que ele ouvia, o que escutava, o que via naquela época. Quis fazer uma imersão na sua vida", contou. "Além disso, o russo é uma língua que não tem referência nenhuma no latim. Eu não tinha onde me apoiar. Tive que fazer um mapa fonético de todas as falas".

Política cubana

Rodrigo Santoro evitou entrar em discussões políticas sobre o filme. "A história ultrapassa qualquer questão política. É uma história real. Ela existe e está dentro de um contexto político, mas não é um filme sobre Cuba. É um filme sobre um homem colocado nessa situação, que foi o maior acidente nuclear da história mundial".

Os irmãos, que hoje vivem no Canadá, contaram que tentaram retratar aquele período difícil sem cair na sátira. "Alguns anos depois, a União Soviética entrou em colapso e a ajuda estrangeira a Cuba minguou", disse Rodrigo Barriuso.

"Não se pode falar de Cuba e omitir aquele período. Está na memória dos cubanos. Nos disseram que Cuba necessitava de um filme como esse", explicou o diretor. "Sebastián e eu encontramos uma maneira sutil e respeitosa de falar da crise econômica e das carências do povo de Cuba sem transformá-los em comédia, com muita dignidade".

Sebastían, por sua vez, afirmou que o filme é inspirado na história do pai, mas não é um filme sobre a sua família. "É uma história coletiva. Homenageamos todos os trabalhadores daquela época que se esforçaram para atender as vítimas".

Cena do filme "O Tradutor" - Divulgação
Cena do filme "O Tradutor"
Imagem: Divulgação

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