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Bring me The Horizon põe SP pra pular e hostiliza Bolsonaro antes do Lolla

Maurício Dehò

Do UOL, em São Paulo

2019-04-04T08:50:04

04/04/2019 08h50

O Bring me The Horizon é uma das atrações do festival Lollapalooza, que começa amanhã, mas chegou ao Brasil cheio de dúvidas quando ao que mostrará no autódromo de Interlagos:

  1. Com seu novo álbum, "Amo", o mais pop da carreira do grupo, será que o público da banda ainda está ao seu lado?
  2. A voz de Oliver Sykes, que rompeu um lado das cordas vocais recentemente, está totalmente recuperada?

Com um show na Audio, em São Paulo, os britânicos responderam às duas perguntas, e com firmeza. A apresentação fez parte das Lolla Parties, as festas paralelas que o festival organiza com algumas bandas de seu cast e teve um BMTH lotando a casa, colocando o público para pular e Sykes cantando bem, falando muito português e citando até o presidente Jair Bolsonaro. Isso sem contar o show de abertura insano do Fever 333 - sobre o qual falamos mais abaixo.

Oliver Sykes mostrou ter o público na mão, não apenas por ter um repertório que privilegiou os hits mais recentes da banda, cantados refrão por refrão pelo público, mas por ter aproveitado sua namorada brasileira para aprender muitas palavras e frases em português.

A todo o momento Sykes falava em português, mostrava seu repertório de palavrões e, em certo momento, sobrou para Bolsonaro. "Vai se f..., Bolsonaro", disse o vocalista, aplaudido pela maioria, que entoou um coro hostilizando o presidente. "Eu não gosto Bolsonaro (sic)", disse ele, desculpando-se pelos erros fora de sua língua mãe. Vale lembrar que o disco mais recente dos britânicos ganhou um nome exatamente em português "Amo".

O show teve estrutura praticamente completa em São Paulo. Com teclado em um canto e bateria no outro, um telão dava o tom do ambiente das músicas, com criações específicas para cada uma. Havia ainda dois caras que apareciam com parte do rosto escondido e "armas" que soltavam fumaça.

Sykes é o líder da performance do Bring me the Horizon, indo dos guturais - mais comuns no começo da banda, mais voltada ao deathcore - a linhas mais limpas e doces. O repertório foi focado nos três últimos discos, "Sempiternal", "That's the Spirit" e "Amo", em que o grupo foi ficando cada vez mais pop e acessível. Isso também permite um show mais plural, já que foi do peso e dos mosh pits de "The House of Wolves" a "Doomed", tocada só com voz e violão, passando por "Nihilist Blues", basicamente uma rave em um show de metal.

O público reagiu tão bem ao show e gritou tanto pedindo músicas, que fez o BMTH fez uma adição inesperada no setlist, com um medley de seus sucessos mais antigos - e mais pesados. O show fechou com "Throne", do "That's the Spirit", com Sykes se declarando em português: "São Paulo, te amo".

Fever 333: Pronto para roubar a cena

Não estivesse o público tão nas mãos do BMTH, seria possível que a banda de abertura desta parada das Lolla Parties, o Fever 333, tivesse roubado a cena, de tão energético que foi o show do trio californiano.

Tocando uma mistura de rap metal e hardcore - meio que uma mistura de Rage Against the Machine com Linkin Park, a grosso modo -, eles só não fizeram chover. Faz parte da fama do Fever 333 entregar tudo no palco, e foi assim na Audio.

O vocalista Jason Aalon Butler subiu em estruturas de palco e em caixas de som, jogou água no chão para ficar escorregando no palco, atirou seu microfone para o alto, pulou por sobre a bateria e, no clímax de sua performance, escalou até o camarote e cantou por lá, antes de se jogar na galera. O guitarrista Stephen Harrison e o baterista Aric Improta não ficam para trás pulando e agitando a galera.

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O trio mostrou já ter fãs no Brasil, que cantavam junto músicas do primeiro álbum, "Strength in Numb333rs", e impressionou quem não os conhecia. Butler ainda fez discursos pró-liberdade e disse que aquele momento era para que todos sentissem em casa, do jeito que são. Ainda dedicou "One of Us" às mulheres: "shows não são só para os caras se baterem no moshpit".

As duas bandas mostraram que em um show em casa fechada, pregando para os catequizados, sabem como incendiar o palco e fazer a plateia suar. O próximo teste é em um festival ao ar livre, com um público mais amplo, o que sempre é um desafio maior. O Bring me The Horizon toca no Lollapalooza no sábado, enquanto o Fever 333 está na sexta-feira.

Fever 333

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Confira o set list do BMTH:
MANTRA
Avalanche
The House of Wolves
Happy Song
Mother Tongue
Wonderful Life
Shadow Moses
Follow You
Nihilist Blues
Can You Feel My Heart
Antivist
Drown (acústica)
Doomed
Medicine
Medley (The Comedown / Medusa / Diamonds Aren't Forever / Re: They Have No Reflections)
Throne