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Liniker canta "verdades que têm de ser ditas" em 2º álbum; ouça "Goela Abaixo"

Liniker e os Caramelows lançam o álbum "Goela Abaixo" - Leila Penteado/Divulgação
Liniker e os Caramelows lançam o álbum "Goela Abaixo" Imagem: Leila Penteado/Divulgação

Maurício Dehò

Do UOL, em São Paulo

22/03/2019 04h00

"Remonta", primeiro disco de Liniker e os Caramelows, levou a cantora a altos voos, chegando ao Rock in Rio e ao Lollapalooza e passando por mais de duas dezenas de países. Hoje, a paulista de 23 anos lança seu segundo disco, com o provocativo nome de "Goela Abaixo". São 13 faixas de uma Liniker buscando se mostrar mais madura e sem medo de ser transparente nas composições.

"Este disco é importante pelo lugar que ele nasce. O primeiro levou muito tempo, por eu ter escrito desde mais jovem e ele abriu muitas portas no nosso caminho. Lançar 'Goela Abaixo' é mostrar uma maturidade sonora, ele nasce seguro, pautado nas nossas questões reais e que acontecem agora. E ritualiza muito do encontro e de viver o presente através da arte, da música ser uma moeda de troca", explica Liniker, ao UOL.

Rafael Barone, baixista da banda, foi responsável por produzir o disco, que foi feito em partes. O grupo trabalhava em duas ou três canções por vez, as resolvia e ia para o estúdio gravar. "Quando você vê a forma como foi feito, faz sentido. Ele foi construído na estrada, feito de pequenos ciclos", detalha Barone.

Boa parte dos instrumentos - geralmente bateria, percussão, guitarra e baixo - foram gravados na mesma sala e dão uma sonoridade orgânica ao álbum. "Goela Abaixo" traz influências de música africana e da América Central, mas, como costuma ser, as letras e a mensagem de Liniker são o ponto alto.

"Nesse disco escrevo muito sobre ansiedade, expectativa... Estou escrevendo sobre o presente, sobre o agora, as coisas que acontecem e são ditas agora, que não ficam em cima do muro, que a gente precisa por pra fora. No anterior, falava sobre o que não acontecia, sobre projeções, então, agora é um disco olhando pra frente", explica Liniker.

As particularidades e dificuldades de ser uma mulher trans em um momento conservador do Brasil, principalmente na política, transparecem nas letras.

"A mensagem é sobre a gente não ter medo de ser transparente, não ter medo de dizer as coisas que precisam ser ditas, não deixar inverdades e falta de segurança afoguem a gente em questões que nem sempre são nossas. Temos de ser presentes, estarmos atentos e privilegiar a existência. Ter calma com o tempo, com o coração...", complementa Liniker, resumindo: "É sobre autocuidado."

"Goela Abaixo" tem como um dos destaques a intensa "Goela", que fecha o álbum com um coral feminino formado por Josyara, Juliana Strassacapa, Ayiosha Avellar, Natália Nery, Grasielli Gontijo, Tássia Reis, Mel Gonçalves e Lina Pereira, além de Renata Éssis (integrante dos Caramelows), cantando sobre respeito à mulher. "Beau", com grande performance vocal, traz como convidadas as cantoras ganesas Florence Adooni e Lizzy Amaliyenga, e "Lava", lançada anteriormente como single, brilha com seu suingue e seus metais.

Liniker lança o disco em São Paulo amanhã, no Cine Joia, e é uma das atrações do Lollapalooza, quando toca no sábado (6/4). Ela é a segunda atração do Palco Onix, às 13h15, voltando para "completar" o set que foi abreviado no Lolla do ano passado, quando problemas técnicos cortaram seu show antes do fim.

Três perguntas para Liniker:

Como foi produzir "Goela Abaixo" em relação ao "Remonta"?
Acho muito interessante que aconteceu de podermos fazer tudo muito juntos, seja na criação, ou no estúdio. Já escrevia as músicas e mostrava, escrevia e mostrava. Então foi legal o processo. O "Remonta" demorou muito tempo, por ser o primeiro, eu já vinha escrevendo faz tempo. E agora chego mais madura ao "Goela Abaixo", com 23 anos. Antes eu era mais insegura com o que que queria dizer.

Liniker - Mariana Pekin/UOL - Mariana Pekin/UOL
Liniker no Lollapalooza de 2018, quando o show teve problemas técnicos
Imagem: Mariana Pekin/UOL

O Brasil vive um momento conservador e de violência contra LGBTs. Sua música tem preocupação de passar mensagens políticas?
O "Goela Abaixo" é sobre legitimar o lugar de fala. Sobre vivência, sobre encarar meu trabalho de frente. É isso que me motiva, a música é minha moeda de troca, minha criação, minha arte.

Como é poder voltar ao Lolla este ano, depois dos problemas que cortaram seu show mais cedo?
Vai ser muito massa poder apresentar o "Goela". Ano passado teve aquele problema, mas acontece. Vai ser ótimo poder apresentar os novos sons e os antigos do "Remonta", e será nosso primeiro festival com o "Goela", com um naipe de sopros. É o grande momento para sentirmos o novo show.

SERVIÇO
Lançamento Goela Abaixo no Cine Joia (SP)

Data: sábado, 23 de março de 2019
Horários: Abertura da casa - 23h
Ingressos: Estão disponíveis no site da Ingresse