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RPM volta a fazer shows sem Paulo Ricardo, que aponta "violação de contrato"

Divulgação
RPM com nova formação, com Dioy Pallone, Luiz Schiavon e Paulo P.A. Pagni e Fernando Deluqui Imagem: Divulgação

Felipe Branco Cruz

Do UOL, em São Paulo

2019-03-15T04:00:00

15/03/2019 04h00

O RPM está de volta, mas sem Paulo Ricardo. Com agenda de shows aberta e lançando músicas inéditas, o grupo tenta seguir adiante com um novo baixista e vocalista, Dioy Pallone. Nas plataformas digitais, já são duas faixas novas divulgadas ("Ah! Onde Está Você" e "Escravo da Estrada") que refletem sobre a vida de uma banda de rock.

Embora Paulo Ricardo conteste e considere a nova formação como "RPM Cover", a banda garante que não há nenhum impedimento legal para que eles usem a marca RPM. E de fato eles estão usando.

Fernando Deluqui, que assumiu os vocais, explicou a nova fase. "A conta é simples: a maioria quer. A maioria precisa. Não é só porque Paulo Ricardo não concorda que eu, Luiz Schiavon e Paulo P.A. Pagni não poderemos usar o nome da banda. O RPM é o investimento da nossa vida e não é justo que depois de tanto tempo sejamos privados desse legado".

Sem a voz de Paulo Ricardo nos shows, Deluqui e Pallone intercalam os vocais. "Dioy entrou na banda no início de 2018 e se adaptou muito bem", elogia Deluqui. "É um grande instrumentista e vocalista. Tem uma voz potente. Estamos numa banda para sermos felizes e trazermos alegria. E o Dioy é uma boa companhia", garantiu.

Para Deluqui, o novo baixista não está substituindo Paulo Ricardo e sim ocupando a vaga de baixista. "Ele não faz o que Paulo fazia. Agora estamos fazendo uma coisa mais relaxada, nos moldes dos Eagles ou do Roupa Nova".

Alinhado aos novos tempos, a ideia de Deluqui não é lançar um álbum novo do RPM e, sim, alimentar os canais oficiais da banda com novidades a cada 15 dias. "Nossa ideia é lançar nas plataformas de streaming uma nova música periodicamente", disse. As músicas estão sendo gravadas em um estúdio próprio, batizado de estúdio RPM, construído no bairro de Vila Madalena, em São Paulo.

Deluqui disse que a banda está com a agenda de shows aberta e que um repertório perfeito do RPM não pode faltar os hits "Olhar 43", "Rádio Pirata", "London, London", "Loiras Geladas", "Alvorada Voraz" e "Cruz e Espada".

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A banda RPM com nova formação Imagem: Divulgação

"Deus Ex-Machina"

A atual briga com Paulo Ricardo é bem diferente do clima que a banda manteve entre 2015 e 2016. Naquela época, parecia que o RPM voltaria com tudo. Os quatro contrataram Lucas Silveira (da banda Fresno) e foram gravar um disco de inéditas, batizado de "Deus Ex-Machina" no estúdio que Lucas construiu dentro de sua casa.

Mas, segundo Deluqui, o clima no estúdio não estava tão bom assim. "Foi um período confuso", disse. "Não entrou nenhuma música minha no disco 'Elektra' (2011) e eu tinha canções que gostaria que entrassem no novo álbum. Mas eles não quiseram", lembrou.

"Entramos em contato com o Lucas Silveira e gravamos lá, mas foi tudo muito às pressas. O Luiz tinha sofrido um acidente e não compareceu a metade das gravações. Quando eu ouvi o disco, eu achei que 70% era de coisas boas, mas o Paulo não quis lançar".

Foi neste momento que Deluqui percebeu que algo na banda não estava dando certo. A última apresentação ocorreu depois de um show feito em um navio de cruzeiro, em 2017. "Não foi um show muito legal. Tivemos alguns problemas técnicos. Eu senti que a energia da banda tinha acabado. Foi uma despedida melancólica".

Depois disso, os três integrantes não falaram mais com Paulo Ricardo e atualmente só se comunicam por meio dos advogados. "Tentamos falar com ele, mas ele não quis falar conosco", lamentou.

Outro lado

Procurado pela reportagem, Paulo Ricardo comentou as declarações de Deluqui por meio de sua assessoria de imprensa.

"O uso da marca RPM só é possível pelos quatro integrantes originais do que já foi uma banda e hoje é um legado protegido por seus detentores. Qualquer ex-integrante que use sozinho, ou quaisquer dois ou três ex-integrantes que usem sem a unanimidade dos quatro originais, a designação RPM está violando frontalmente um contrato havido em 2007 e uma ordem judicial da 6ª. Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça do Estado de SP", disse Paulo Ricardo em comunicado.

A nota diz ainda que o advogado do Sr. Schiavon procurou o advogado de Paulo Ricardo, mas a condição para iniciar qualquer negociação era interromper a negativa de autorização para que Paulo Ricardo gravasse suas próprias músicas".

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