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"Guerra" entre plataformas de streaming faz pirataria voltar a crescer

Jon Snow é esfaqueado até a morte em cena da quinta temporada de "Game of Thrones" - Divulgação/HBO
Jon Snow é esfaqueado até a morte em cena da quinta temporada de "Game of Thrones" Imagem: Divulgação/HBO

Leonardo Rodrigues

Do UOL, em São Paulo

09/02/2019 16h08

Um novo estudo mostra que, após anos de declínio, o uso da plataforma BitTorrent e o de outros sistemas de pirataria digital de vídeo está crescendo novamente, e os culpados são as próprias plataformas de streaming, como a Netflix, Amazon Prime Video e a Hulu.

O motivo: segundo o relatório Global Internet Phenomena, da Sandvine, tais serviços vêm investindo fortemente em contratos de exclusividade, o que força assinantes a ter de acessar várias plataformas diferentes para encontrar seu filme ou série favorita.

Por causa desse trabalho e, principalmente, por questões financeiras, muitos estão preferindo simplesmente baixar os conteúdos ilegalmente, como já fizeram no passado.

Segundo o relatório, 22% do tráfego mundial da internet corresponde a uploads de arquivos compartilhados, com 97% desse tráfego vindo do BitTorrent, plataforma que permite ao usuário baixar arquivos via torrent. 

Em 2011, o BitTorrent representava 52% dos uploads na América do Norte e, em 2015, a participação caiu para 26,83%, em grande parte devido ao aumento da qualidade e alternativas das plataformas de streaming à pirataria.

Essa tendência de queda, no entanto, vem sendo ligeiramente revertida graças ao novo crescimento do BitTorrent, principalmente no Oriente Médio, Europa e África. Nessas regiões a plataforma responde por 32% de todo o tráfego de uploads.

Segundo especialistas, a proliferação de conteúdos exclusivos vem trazendo dor cabeça para os usuários. Exemplos de séries de sucesso exclusivas: "Game of Thrones", da HBO, "House of Cards", da Netflix, e "Jack Ryan", da Amazon.

Claire Underwood (Robin Wright) na Casa Branca em "House of Cards" - Divulgação
Claire Underwood (Robin Wright) na Casa Branca em "House of Cards"
Imagem: Divulgação

"Ter acesso a todos esses serviços fica muito caro para o consumidor, por isso eles estão assinando um ou dois e pirateando o resto", afirma Cam Cullen, diretor na Sandvine.

A "guerra" do streaming parece estar só começando. Estudos mostram que quase todas as grandes emissoras dos Estados Unidos querem iniciar seu próprio serviço até 2022, sem falar da gigante Disney, que já prepara sua própria plataforma para este ano.

Outros dados interessantes publicados no Global Internet Phenomena: 58% do tráfego global de internet vem do streaming de vídeos e, sozinha, a Netflix, conhecida por não revelar ao público sua audiência, representa 15% do total.