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Jennifer Aniston tenta se distanciar da Rachel de "Friends" com "Dumplin"

Danielle Macdonald e Jennifer Aniston em "Dumplin"" - Divulgação/IMDb
Danielle Macdonald e Jennifer Aniston em "Dumplin'"
Imagem: Divulgação/IMDb

Caio Coletti

Colaboração para o UOL

08/02/2019 04h00

Jennifer Aniston é uma das melhores partes de "Dumplin'", filme lançado nesta sexta-feira (8) pela Netflix. No longa, ela encarna Rosie, ex-Miss de uma cidadezinha pequena do Texas, nos Estados Unidos, que agora coordena o concurso de beleza que venceu quando jovem.

É uma personagem que, nas mãos de outra atriz, poderia soar caricata, mas Aniston parece determinada a evitar que isso aconteça. Não há qualquer sombra da Rachel de "Friends", ou das mulheres neuróticas que ela encarnou em outras comédias. Diferente disso: sua Rosie tem sensibilidade, é cheia de falhas, e você quer torcer por ela.

Em "Dumplin", pessoas e grupos socialmente desfavorecidos se unem para ajudar uns aos outros. Inspirado pelo livro de Julie Murphy, o filme de Anne Fletcher ("A Proposta") foi vendido como comédia, mas pouco se pauta por piadas descaradas e dificilmente vai arrancar alguma gargalhada.

A verdadeira protagonista é Will (Danielle Macdonald), filha de Rosie. Há seis meses, Will perdeu a tia, Lucy (Hillary Begley), que sempre esteve mais presente para ela do que a própria mãe.

Mãe e filha vivem em conflito porque Will sabe que o mundo de Rosie não comporta uma garota fora dos padrões como ela. Meio como vingança contra a mãe, meio como homenagem à tia, a jovem resolve se alistar no concurso de beleza local e acaba arrastando outras "desajustadas" com ela.

A jornada de Will é genuína: ela faz de tudo para ganhar confiança e competir no concurso, vive em conflito com a mãe sobre a devida forma de guardar luto pela tia, tem uma relação calorosa e complicada com a amiga de infância, e reage de forma adversa ao receber as atenções românticas de um colega de trabalho.

Em seu melhor, o filme examina temas importantes como autoestima, amadurecimento e pertencimento. Tem momentos descontraídos e alegres, especialmente ao introduzir um grupo de drag queens que ajuda as protagonistas em sua jornada, mas, na maior parte do tempo, tenta mesmo é pegar pelas emoções.

Odeya Rush e Danielle Macdonald em "Dumplin'" - Divulgação/IMDb - Divulgação/IMDb
Odeya Rush e Danielle Macdonald em "Dumplin'"
Imagem: Divulgação/IMDb

Com 1h50 de duração, o filme é cheio de flashbacks filmados em lentes tingidas de cor-de-rosa, abusando de câmera lenta e edição típica dos filmes românticos ou vídeos amadores de família. Soa como um sentimentalismo barato que não rima com o restante de uma obra espertamente construída.

O roteiro de Kristin Hahn, tentando sintetizar a narrativa do livro original, usa muitos atalhos para comunicar a evolução de Will e seus dilemas. Em várias cenas diferentes, ela vaga sem rumo pela casa, relembra a tia ou mexe nas caixas que contêm seus pertences, tudo como forma de comunicar sua angústia, seu pesar e sua insegurança.

Nestes momentos, "Dumplin'" quase se transforma em um filme tedioso. A sorte é que, pouco depois, Aniston entra em cena, ou algum hit de Dolly Parton começa a tocar, tratando de colocar o filme na marcha certa de novo.