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Kevin Hart se desculpa por homofobia, mas rejeita rótulo de aliado LGBTQ+

Photo by Phillip Faraone/Getty Images for The Wall Street Journal and WSJ. Magazine
Kevin Hart Imagem: Photo by Phillip Faraone/Getty Images for The Wall Street Journal and WSJ. Magazine

Caio Coletti

Colaboração para o UOL

08/01/2019 09h26

A polêmica em torno de Kevin Hart continua após sua demissão do cargo de apresentador do Oscar 2019, graças a piadas de conteúdo homofóbico postadas no Twitter anos atrás. O comediante falou novamente sobre o caso durante seu programa de rádio "Straight From the Hart", na noite de segunda-feira (7).

"Eu vou dizer uma coisa, e quero deixar isso bem claro: Mais uma vez, quero me desculpar pelas minhas declarações que machucaram membros da comunidade LGBTQ+. Eu peço desculpas", comentou Hart, em seguida reclamando que suas piadas foram tiradas de contexto.

"Meu tuíte começava com: 'Eu não tenho problema nenhum com as pessoas gays. Não tenho um osso homofóbico no meu corpo. Eu quero que vocês sejam gays e felizes'. Só depois disso, eu dizia que, como um homem heterossexual, eu faria algo radical para parar meu filho [se ele apresentasse 'tendências homossexuais']. Aí é onde a piada começa", explicou o comediante.

"O único trecho do tuíte que eu vejo na mídia é a parte da piada, que basicamente sou eu dizendo: 'Pare de fazer isso, isso é gay!'", continuou. "Essas não são palavras que eu disse diretamente para pessoas gays, são só coisas que eu e meus amigos idiotas dizíamos no Twitter. Achamos que isso era okay, porque quando estamos entre nós, conversamos desse jeito. Hoje em dia, olho para isso e penso: 'P**ra, isso é errado'".

"Eu estou em um espaço na minha vida, neste momento, em que estou cercado de pessoas LGBTQ+. Eu sei como essas palavras os machucam, por causa daquilo que eles passaram em suas vidas. Então, eu e meus amigos dizemos: 'Ei, pessoal, vamos apagar essa m**da. Vamos parar de fazer isso. Vamos parar de postar isso nas redes sociais'", disse ainda.

Hart pediu que suas desculpas sejam aceitas, no interesse da igualdade. "Se a luta da comunidade LGBTQ+ é por igualdade, tudo ótimo. Eu estou do lado de vocês. Eu entendo vocês. Mas nessa luta, tem que haver espaço para aceitar a mudança. Se vocês não aceitam a mudança das pessoas, onde está a igualdade?", comentou.

O comediante ainda respondeu a comentários do jornalista Don Lemon, da CNN, que indicou que se tornar um aliado LGBTQ+ seria uma boa forma de mostrar que suas visões sobre esta comunidade evoluíram. "Eu não gosto de ser forçado. Ser um aliado da comunidade LGBTQ+ não é o meu sonho, cara. Eu estou apenas tentando me desculpar", comentou.

Lemon respondeu à citação de Hart defendendo o seu direito de se posicionar dessa forma. "Pode ser que você não goste da forma como ele falou, mas ele se desculpou. Há níveis de homofobia, tanto quanto há níveis de racismo. Ele não quer ser um aliado, e você pode se sentir como quiser em relação a isso. Você pode ficar furioso. Mas é o direito dele", comentou o jornalista.

"Ouça o que ele está dizendo. Ele quer ser aceito por seus próprios méritos. Não é isso que a comunidade LGBTQ+ também quer? Não é a mesma coisa pela qual eles estão lutando, o direito de ser aceito e não estigmatizado? Então talvez... Talvez isso seja como hastear uma bandeira branca", completou.

A Academia do Oscar ainda não se posicionou quanto a mais esse capítulo da discussão em torno de Hart. Após a aparição do comediante no programa de Ellen DeGeneres, em que a apresentadora (membro proeminente da comunidade LGBTQ+) defendeu sua recontratação para a cerimônia, a instituição estava estudando o retorno de Hart para o cargo.