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Globo de Ouro


Diretor detona repórter que criticou lançamento de "Roma" na Netflix

Alfonso Cuaron posa com Globo de Ouro - Mark Ralston/AFP
Alfonso Cuaron posa com Globo de Ouro Imagem: Mark Ralston/AFP

Caio Coletti

Colaboração para o UOL

07/01/2019 02h35

Após vencer dois Globos de Ouro por "Roma", o diretor Alfonso Cuarón foi aos bastidores da premiação responder algumas perguntas da imprensa, mas pareceu se irritar com um repórter que criticou o lançamento do filme pela Netflix.

O jornalista citou que alguns distribuidores independentes caracterizaram o sucesso de "Roma" na atual temporada de premiações como algo ruim para a indústria, porque sinalizaria que filmes não precisam passar por lançamentos convencionais para serem considerados para o Globo de Ouro ou o Oscar.

A Netflix lançou "Roma" nos cinemas americanos e em alguns outros países, mas em um número reduzido de salas e por um tempo predeterminado, a fim de se qualificar para estas premiações.

"Eu te faço outra pergunta: Quantos cinemas você acha que exibiriam um filme mexicano, em preto e branco, falando em espanhol e dialeto, que é um drama sem nenhuma estrela no elenco?", replicou o cineasta.

"Meu filme ganhou um lançamento muito maior do que ganharia de outra forma", continuou. "O filme ainda está sendo exibido em alguns lugares. O lançamento nos cinemas não foi só para as premiações. Ele saiu mais de um mês atrás. Isso é raro para um filme estrangeiro".

"Eu acho que é injusto dizer isso. Por que você não pega a lista de filmes estrangeiros indicados, e compara o lançamento que eles tiveram com o meu?", disse ainda.

"Eu acho que essa disputa entre a Netflix e os cinemas tradicionais já tinha que ter acabado", opinou o diretor. "Eu acho que eles deveriam se reunir e decidir o que é melhor para o cinema juntos. Eles podem fazer coisas incríveis juntos".

"Precisamos ter consciência que a experiência de ir ao cinema se tornou muito elitizada", continuou Cuarón. "É claro que você tem muitos cineastas correndo para as plataformas de streaming, porque elas não têm medo de fazer os filmes que eles querem fazer".