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De "Piratas" a "Colette", as formidáveis mulheres de época de Keira Knightley

Keira Knightley em cena do filme "Colette" - Reprodução
Keira Knightley em cena do filme "Colette" Imagem: Reprodução

Caio Coletti

Colaboração para o UOL

13/12/2018 04h00

"Colette", que chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (13), é o filme pelo qual Keira Knightley esteve procurando toda a sua carreira. Quem diz isso é a própria atriz, em entrevista ao site Deadline, afirmando que interpretar a personagem-título, uma famosa escritora e agitadora cultural francesa do começo do século 20, foi uma experiência transformadora.

"O que eu amo sobre ela é que, em certo ponto da minha carreira, eu percebi que interpretei poucas mulheres que eu acho inspiradoras", diz Knightley. "Eu a achei realmente inspiradora de se interpretar, e espero que as pessoas a achem inspiradora de assistir".

O filme de Wash Westmoreland, primeiro que o cineasta assina após a morte do marido e parceiro artístico Richard Glatzer (juntos, eles fizeram "Para Sempre Alice"), acompanha a autora de clássicos como "Chéri" e "Gigi" durante o seu primeiro casamento, com o também escritor Willy.

Willy convenceu Colette a publicar seus primeiros trabalhos, os bem-sucedidos livros da série "Claudine", sob o nome dele. Segundo ele, o mercado editorial não aceitaria uma mulher escritora, algo que Colette desafiou anos mais tarde.

Além da luta por autonomia profissional, Colette também explorou noções de sexualidade e gênero que estavam muito a frente do seu tempo. No filme, essas experiências são condensadas no relacionamento com Missy (Denise Gough), uma aristocrata rebelde com quem a escritora dividiu um beijo que causou polêmica durante uma peça de teatro.

"Ela foi uma mulher que viveu corajosamente, sem nenhuma vergonha. Uma mulher que viveu sua verdade", elogia Knightley. "Se você pesquisa sobre a vida dela, ela não foi uma santa. Eu amei a oportunidade de interpretar alguém que não era perfeita, mas era corajosa o bastante para cavar um espaço para si em um mundo que não tinha espaço para ela".

Keira Knightley vive Elizabeth Swann em "Piratas do Caribe - No Fim do Mundo" - Divulgação - Divulgação
Keira Knightley vive Elizabeth Swann em "Piratas do Caribe - No Fim do Mundo"
Imagem: Divulgação

Galeria de papéis invejável

Keira Knightley ganhou fama ao interpretar personagens não muito distantes de Colette. Em 2003, aos 18 anos de idade, ela consolidou sua estrela em Hollywood ao viver Elizabeth Swann no primeiro filme da saga "Piratas do Caribe".

O energético longa de Gore Verbinski, que se tornou uma das maiores bilheterias daquele ano, trazia a atriz britânica como uma garota de família aristocrática que larga tudo para viver o sonho de se aventurar com os piratas.

A jornada de Elizabeth para ganhar o seu lugar no mundo masculino da pirataria, onde a mera presença de uma mulher no navio é considerada má sorte, é um dos elementos mais bacanas do filme. Se nas continuações a personagem foi usada de forma menos inventiva, ao menos o impacto deste primeiro grande sucesso nas telas americanas impulsionou Knightley para papéis cada vez mais interessantes.

Keira Knightley em cena de "Desejo e Reparação" - Divulgação - Divulgação
Keira Knightley em cena de "Desejo e Reparação"
Imagem: Divulgação

Três destes papéis vieram da colaboração com o diretor Joe Wright, que primeiro a escalou como Elizabeth Bennet, a clássica heroína de "Orgulho & Preconceito". A adaptação do livro de Jane Austen, lançada em 2005, rendeu à Knightley sua primeira indicação ao Oscar, aos 20 anos de idade.

O filme jogava Knightley no século 19, onde a sua afiada Elizabeth, decidida a se casar por amor, não era exatamente bem vista pela sociedade, nem mesmo por sua própria mãe. Combinando vulnerabilidade e firmeza, a atriz redefiniu a heroína mais famosa de Austen para toda uma geração.

Wright chamou sua musa de volta para dois outros papéis de época: Cecilia Tallis, em "Desejo e Reparação" (2007), pelo qual venceu o Bafta, maior prêmio da indústria britânica; e a personagem título de "Anna Karenina" (2012). Ambas viviam romances socialmente proibidos, e a ambas Knightley emprestou extraordinário ímpeto e emoção.

Keira Knightley em cena de "Anna Karenina" - Divulgação - Divulgação
Keira Knightley em cena de "Anna Karenina"
Imagem: Divulgação

A estes papéis marcantes, Knightley amarrou protagonistas em "A Duquesa" (2008), "Um Método Perigoso" (2011) e "O Jogo da Imitação" (2014), pelo qual foi indicada pela segunda vez ao Oscar.

Em cada um destes títulos, viveu uma mulher que, graças às normas de sua época, precisou lutar com unhas e dentes por suas ambições românticas ou profissionais. Algumas destas histórias se passam no começo do século 18, e outras em meados do século 20, o que ilumina o quanto a luta feminina por mais espaço e autonomia se arrastou através das eras.

"Eu sempre amei história, sempre amei fazer o passado viver e respirar de novo, e é claro que você percebe que, embora as culturas mudem, como seres humanos, emocionalmente, nós não mudamos tanto assim", reflete Knightley sobre seus muitos papéis de época.

"Eu acho que, nestes filmes, você pode passar mensagens políticas sem fazer o espectador sentir que isso está sendo martelado em sua cabeça. Elas podem ser sutis e ficar escondidas de uma forma que eu realmente gosto", completa.

Em 2019, Knightley continuará explorando estes paralelos em "The Aftermath", drama passado no período imediatamente após a Segunda Guerra Mundial que analisa a relação entre os vencedores (britânicos) e derrotados (alemães) no confronto.

A trama mostra o que se passa quando Rachael (Knightley), mulher de um oficial do exército britânico (Jason Clarke), se muda para a cidade alemã de Hamburgo, onde o marido se comprometeu a ficar para ajudar na reconstrução após o fim da guerra.

Acontece que, para facilitar a recuperação da cidade, o casal vai morar com um viúvo alemão (Alexnader Skarsgard) e seu jovem filho. A atmosfera de desconfiança logo dá espaço para empatia.

Ainda sem previsão de estreia por aqui, "The Aftermath" terá que se mostrar digno de figurar entre o rol de filmes de época com os quais Knightley construiu uma das carreiras mais ilustres de sua geração.