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"The Last Kingdom" é a série que pode curar sua ansiedade por "Game of Thrones"

Cena de "The Last Kingdom" - Divulgação/Netflix
Cena de "The Last Kingdom" Imagem: Divulgação/Netflix

Caio Coletti

Colaboração para o UOL

12/12/2018 04h00

"Game of Thrones" não exibe um episódio inédito desde agosto de 2017 -- e, pelas indicações da HBO, a oitava e última temporada deve estrear só em abril. Para lidar com o misto de ansiedade e luto, "The Last Kingdom" é uma das melhores candidatas ao posto. A produção, cujas três temporadas lançadas até hoje estão disponíveis na Netflix, é como uma versão historicamente correta de "Game of Thrones".

Enquanto a trama da HBO se inspira nos livros de fantasia de George R.R. Martin, que emprestam elementos da civilização medieval sem se comprometer com qualquer amarra histórica, "The Last Kingdom" é uma adaptação da saga "As Crônicas Saxônicas", de Bernard Cornwell. Embora escritos no formato ficcional, os épicos de Cornwell são conhecidos por sua precisão histórica.

As edições originais de "As Crônicas Saxônicas" (são dez livros lançados desde 2004) vêm até com notas em que Cornwell explica as poucas liberdades criativas que tomou na história, e descreve para o leitor o que ele encontraria caso visitasse os cenários onde as suas tramas se passam hoje em dia.

Toda essa rigorosa pesquisa histórica poderia resultar em uma série enfadonha pelo seu excesso de realismo. O que Cornwell e a equipe de roteiristas que adaptou seus livros fazem, no entanto, é injetar humor nos personagens e procurar pelas grandes batalhas humanas, éticas e emocionais, ocorrendo em meio ao cenário medieval.

"The Last Kingdom", em seu episódio piloto, nos mostra a história única de Uhtred (na versão adulta, Alexander Dreymon), que nasceu entre os saxões, que controlavam na época em que a série se passa o território que hoje conhecemos como Reino Unido. Os territórios saxões sofriam, entretanto, com a invasão de tribos vikings, originárias dos países nórdicos, que buscavam um local para viver que fosse mais favorável à agricultura.

O pai de Uhtred, interpretado em participação especial por Matthew Macfayden, é morto em batalha contra os vikings, e seu filho é criado entre eles. Já adulto, o nosso protagonista se envolve de maneira inesperada (e violenta) com a luta pelo domínio do território saxão. 

"The Last Kingdom" troca as batalhas grandiosas e melodramáticas de "Game of Thrones" por confrontos que, por mostrarem a face muitas vezes patética e nada honrosa da guerra, conseguem ser ainda mais brutais e chocantes. A direção segue a deixa e abusa da câmera na mão, criando uma série de visual apropriadamente cru.

Cena de "The Last Kingdom" - Reprodução - Reprodução
Cena de "The Last Kingdom"
Imagem: Reprodução

Assim como os livros de Cornwell, a série também se firma no realismo ao explorar o humor dos personagens. "The Last Kingdom" pinta uma humanidade governada por instintos tanto quanto por maquinações políticas, pela vontade de sobreviver tanto quanto pela sede de poder -- ao contrário do que acontece em "GoT", a série e seus personagens nunca se levam muito a sério.

Isso não significa que ela fuja de grandes temas. Quando nos apresenta Alfredo (David Dawson) e seu ambicioso plano de unir o território saxão em uma nação chamada Inglaterra, "The Last Kingdom" discute o mérito de visionários políticos, e os atos terríveis dos quais eles são capazes para realizar sua visão. E, enquanto todo um país cria uma identidade nas mãos de Alfredo, Uhtred e a amada Brida (Emily Cox) estão em jornada para descobrir e construir as suas.

"The Last Kingdom" começou como produção da BBC em parceria com sua filial americana, mas só chegou à terceira temporada com a intervenção da Netflix, que bancou a última leva de episódios sozinha. A renovação para a quarta temporada ainda não foi oficializada, mas tudo indica que deve acontecer.

Para quem procura um substituto a longo ou curto prazo para os prazeres de "Game of Thrones", a adaptação da extensa saga de Bernard Cornwell parece uma escolha certeira.