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Conan vai entrar no universo da Marvel com ajuda de quadrinista brasileiro

O quadrinista Mike Deodato Jr. durante painel na CCXP 2018 - Felipe Branco Cruz/UOL
O quadrinista Mike Deodato Jr. durante painel na CCXP 2018 Imagem: Felipe Branco Cruz/UOL

Felipe Branco Cruz

Do UOL, em São Paulo

09/12/2018 16h50

O quadrinista brasileiro Mike Deodato Jr. revelou neste domingo (9) na CCXP 18 (Comic Con Experience) que está envolvido em um novo projeto da Marvel que conta com Conan, que retorna à editora depois de 15 anos na Dark Horse.

"Não sou eu que estou dizendo isso. Vocês nunca ouviram isso de mim. Mas eu estou trabalhando em um novo projeto da Marvel, que eu não posso falar, mas o Conan vai ser inserido no universo da Marvel e eu estou envolvido. Pronto. Agora eu vou ser demitido", disse Deodato. 

Ele também relembrou do encontro que teve com Stan Lee, a grande mente criativa por trás dos personagens da Marvel, que morreu no dia 12 de novembro.

"Eu encontrei com o Stan Lee só uma vez, em 2012. Foi bem rápido e ele fingiu que me conhecia dizendo que adorava os meus desenhos. Mas ele não sabia quem eu era. Ele fazia você se sentir como um velho amigo e qualquer coisa que você dissesse ele diria que era incrível. Se eu dissesse: 'Estou com uma catota aqui no nariz', ele responderia: "Ual! Vamos fazer o Homem-Catota'", lembrou Deodato. 

Arnold Schwarzenegger já interpretou Conan nos cinemas - Divulgação
Arnold Schwarzenegger já interpretou Conan nos cinemas
Imagem: Divulgação
O brasileiro também se manifestou sobre o Comicsgate, em que fãs de quadrinho se posicionaram contra a inserção de personagens gay, negros e mulheres nas histórias. "Achei que eu deveria me posicionar. Essas pessoas não querem substituir personagem homem para mulher ou branco para negro. Esses fãs têm posturas bem violentas. Eles atacaram autores que quiseram trazer diversidade para os quadrinhos. Atacam autores homossexuais e mulheres e atacam de uma maneira brutal", disse o quadrinista. 

"Eu disse que não participaria mais de convenções que convidassem quem fizesse discursos de ódio. Imediatamente minha timeline foi repleta de ódio e de ameaça de morte. Mas eu nem ligo. A timeline fica ruim, mas cão que ladra, não morde. Não poderia me calar", completou.

Homenagem a Stan Lee

Stan Lee foi homenageado em um concorrido painel para celebrar a sua obra, que lotou os 722 lugares do auditório Ultra com a participação dos quadrinistas brasileiros da Marvel, Mike Deodato Jr., Leonardo Romero, Márcio Takara e Adriano di Benedetto.

O bate-papo girou em torno da carreira de Stan Lee e relembrou da sua história. O painel, no entanto, se resumiu em um grande bate-papo entre quadrinistas sem trazer novidades sobre o futuro do universo da Marvel. "Stan Lee fez demais. Se ele tivesse parado nos anos 1960, já estaria bom. Mas ele continuou produzindo sem parar", contou Deodato. 

Deodato apontou ainda que a dupla Stan Lee com Jack Kirby foi a melhor coisa que aconteceu na história dos quadrinhos. "Para mim, essa dupla foi para os quadrinhos como John Lennon e Paul McCartney foi para a música. Nunca mais vai acontecer na história", afirmou Deodato.

Leonardo Romero, que está trabalhando no quadrinho da Shuri, irmã do Pantera Negra, disse que os filmes da Marvel no cinema estão popularizando personagens pouco conhecidos. "Se não fosse pelo cinema, talvez uma personagem como a Shuri não estivesse vendendo tanto quadrinho como hoje", afirmou. 

Antes de concluir o painel, Márcio Takara fez uma homenagem ao quadrinista e disse que se Stan Lee não existisse, talvez a Marvel não existisse também. "Talvez ela tivesse sido engolida pela DC ou estivesse publicando histórias de faroeste até hoje".

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