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Artigos questionam cronologia com Freddie Mercury em "Bohemian Rhapsody"

Rami Malek  como Freddie Mercury em "Bohemian Rhapsody" - Reprodução/Entertainment Weekly
Rami Malek como Freddie Mercury em "Bohemian Rhapsody" Imagem: Reprodução/Entertainment Weekly

Osmar Portilho

Do UOL, em São Paulo

03/11/2018 14h01

Fazer uma cinebiografia já é uma tarefa difícil. Retratar então um idolatrado ícone do rock é uma tarefa impossível de ser feita sem receber sua cota de críticas. "Bohemian Rhapsody", em cartaz nos cinemas com a história do Queen e seu vocalista Freddie Mercury, tem sido questionado por algumas distorções na cronologia dos acontecimentos com a banda britânica.

O site The Wrap, por exemplo, levantou a questão de Freddie Mercury, vivido por Rami Malek, ter contado ao grupo sobre estar com Aids pouco antes da famosa apresentação da banda no Live Aid de 1985 no estádio Wembley como conta o longa. Citando a biografia "Mercury", escrita por Lesley Ann-Jones, o artigo questiona esse ponto, e também afirma que o grupo não estaria separado naquele momento.

A emocionante cena de "Bohemian Rhapsody" se permite adaptar a reunião do grupo com Freddie Mercury tentando amenizar o relacionamento com os companheiros em meados de 1985. No entanto, Jim Hutton, que foi namorado do vocalista, afirma que Freddie recebeu seu diagnóstico da doença apenas em abril de 1987.

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Esta distorção é apenas uma das feitas na linha do tempo do Queen que deixaram os fãs mais fervorosos do grupo descontentes com a adaptação. Mike Ryan, que escreveu uma resenha para o site Uproxx, chegou a dizer que o filme parecia "querer punir Freddie Mercury". "Sua trágica morte foi um momento que definiu a luta contra a Aids nos anos 90. Recontar essa história para se encaixar no Live Aid parece cruel", escreveu.

"Bohemian Rhapsody" também sugere que Mercury foi o primeiro a querer fazer sua carreira solo, o que teria causado uma tensão entre os membros da banda. Na vida real, quando o cantor lançou "Mr. Bad Guy", três meses antes do Live Aid, o baterista Roger Taylor já tinha em seu currículo dois discos lançados.

É compreensível que os roteiristas tenham sentido alguma necessidade em adaptar algumas passagens em busca de mais drama para criar uma linha do tempo mais "saborosa" para o cinema, mas alterar uma história tão emblemática como a do Queen e de Freddie Mercury parece agora um risco que deveria ter sido evitado.