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Após aviso a Waters, ministro da Cultura diz estar de "saco cheio" de política em shows

Dario Oliveira/Folhapress
O ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão Imagem: Dario Oliveira/Folhapress

Maurício Dehò

Do UOL, em São Paulo

18/10/2018 10h54

O ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão, falou em entrevista ao jornal "O Estado de S. Paulo" sobre o momento de sua pasta, tendo em vista as eleições. Para ele, uma eleição de Jair Bolsonaro (PSL) não deve significar um "apocalipse" na Cultura, tampouco um fechamento da pasta. Sá Leitão contou também que conversou com o empresário de Roger Waters antes das manifestações políticas que o músico inglês fez em show em São Paulo e que, como fã, fica "de saco cheio" desse tipo de ação.

O ministro da Cultura relatou que chegou ao show de Waters na capital paulistana mais cedo e que pôde conversar com o empresário do ex-Pink Floyd. "Eu estive lá, conversei com o empresário dele antes. Confesso que, pensando como público, como fã, eu estou de saco cheio. A gente não consegue mais ir a um show ou ver um filme sem que haja algum tipo de manifestação política. Muitas pessoas estão com essa sensação", afirmou.

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O ministro afirmou que tem tentado manter os trabalhos da pasta sem contar com a interferência das eleições, lamentou que mais uma vez o tema ficou muitas vezes esquecido em propostas e debates e falou sobre o que espera caso Bolsonaro seja eleito. Sá Leitão citou a aproximação de Flávio Bolsonaro, eleito senador pelo Rio de Janeiro, para falar sobre a Cultura.

"Eu não tenho essa visão apocalíptica. Aos 51 anos, já vi muita coisa acontecer desde o final do regime militar. Acho que a democracia é muito sólida, temos instituições consolidadas e um bom sistema de pesos e contrapesos. Estou mais otimista, mas entendo o que você disse no que diz respeito a Jair Bolsonaro não fazer menção à cultura. As falas dele até agora foram muito poucas", disse o ministro.

"Mas acredito que, ao se sentar na cadeira, se vencer as eleições, e tomar conhecimento do que é o MinC [Ministério da Cultura], das políticas, dos programas e das ações, vai reconhecer a importância da área. Há pessoas em seu entorno com algum interesse por esse assunto que tem buscado diálogo. Paulo Marinho é um empresário do Rio que tem empresa de produção cultural. Outro que se interessa pelo assunto é o filho Flávio Bolsonaro, com o qual falei algumas vezes."

Outro ponto abordado na entrevista foi o apoio de artistas aos candidatos. Questionado se há mais artistas apoiando Bolsonaro de forma silenciosa, ele elogiou a "coragem" de Regina Duarte (que manifestou apoio público ao candidato do PSL) e afirmou que sim, e que alguns temem falar publicamente.