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Com clima de balada, VillaMix é o Lolla para o sertanejo chamar de seu

Público curtiu 11 horas de música na edição paulistana do VillaMix Festival - Mariana Pekin/UOL
Público curtiu 11 horas de música na edição paulistana do VillaMix Festival
Imagem: Mariana Pekin/UOL

Rodolfo Vicentini e Tiago Dias

Do UOL, em São Paulo

23/09/2018 08h00

Há tempos que o sertanejo está mais pop e diversificado, e o VillaMix Festival é a prova disso. A edição paulista do mega festival ganhou neste sábado (22) uma nova casa para reforçar ainda mais essa intenção: o Autódromo de Interlagos, onde outro festival jovem de sucesso ganhou definitivamente uma cara: o Lollapalooza Brasil.

Mas fora isso, muita coisa difere os dois festivais, e não se trata apenas da intenção por trás da escalação — afinal, após trazerem nomes internacionais em edições anteriores, como Demi Lovato, Maluma, Fifth Harmony e Shawn Mendes, o funkeiro MC Kevinho teve destaque em uma noite cheia de hitmakers como Wesley Safadao, Gusttavo Lima e Jorge e Mateus.

Restrito a apenas um espaço do gigantesco autódromo, onde no último Lollapalooza foi dedicado ao palco eletrônico, a ideia do VillaMix não é bater recorde de público, mas dar às 40 mil pessoas (conforme o esperado pela organização) uma grande balada ao ar livre. Não há espaço para roda-gigante e brinquedos. As atrações são apenas duas: a música e a bebida.

Outfit VillaMix

VillaMix Bonés - Mariana Pekin/UOL - Mariana Pekin/UOL
Bonés dos artistas que se apresentam no VillaMix Festival são vendidos a R$ 50 na loja oficial
Imagem: Mariana Pekin/UOL

Entre as três áreas (com valores e mordomias diferentes), o destaque fica na pista em frente ao palco, onde o público tem direito até a uma mesinha caso compre um dos combos alcoólicos, que vai de R$ 400 a 590 (preço de uma garrafa de whisky com 6 latinhas de energético).

"Eu já vim no Lollapalooza e tinha amado, mas faltava as músicas que eu gosto", disse Nicole Oliveira, 23, de São Paulo, enquanto cantava "Romance com Safadeza" durante o show de Wesley Safadão. Ao lado, na mesa, a bolsa e as garrafas de vodka dos amigos. Afinal, todo artista que subia no palco pedia "copos pra cima" e saudava os "cachaceiros".

Mayara Rodrigues, 32, e André Rangel, 23, de Rio Branco (AC) - Rodolfo Vicentini/UOL - Rodolfo Vicentini/UOL
Mayara Rodrigues, 32, e André Rangel, 23, de Rio Branco (AC)
Imagem: Rodolfo Vicentini/UOL

O casal de amigos André Rangel, 23, e Mayara Rodrigues, 32, vieram de Rio Branco (AC) para conhecer a famosa festa. "Lá a gente tem uma festa ou outra, mas são eventos de agropecuária. Aqui a pegada da balada é mais legal", disse Mayara, enquanto o amigo fazia as contas dos gastos. "Acho que vai R$ 1 mil só de bebidas".

Para chegar próximo do palco em formato de jukebox, colorido e cheio de efeitos, com 38 metros de altura e 55 metros de comprimento, cada um desembolsou R$ 450. Enquanto falavam com a reportagem, gastavam mais R$ 100 com produtos da loja oficial. Saíram com bonés, copos, chinelos e óculos. "Vale cada centavo", disse Mayara.

A dentista Gisele Domingos, 30, também usava o boné oficial do evento, com a aba de led, veio pela primeira vez ao festival e resumiu a experiência: "Top. É o festival brasileiro mais conhecido. Gosto da mistura de ritmos".

11 horas de música

Gusttavo Lima - Mariana Pekin/UOL - Mariana Pekin/UOL
Com hits como "Apelido Carinhoso", Gusttavo Lima agita o VillaMix Festival
Imagem: Mariana Pekin/UOL

O VillaMix Festival reuniu alguns dos principais nomes do sertanejo e ainda separou momentos certeiros para um grande karaokê a céu aberto. Tanto que o clássico "Evidências", de Chitãozinho & Xororó, não ficou esquecido na festa que avançou pela madrugada paulistana.

Quem foi ao festival não estava interessado em um estilo musical definido. Pregando o tema do VillaMix deste ano, "Música é Mix", a galera dançou com arrocha, sertanejo, eletrônico e funk.

Wesley Safadão lembrou dos hits que todos presentes queriam ouvir, mas guardou 10 minutos do show para transformar o VillaMix em um baile funk, espécie de "esquenta" para o show de Kevinho. Quem ficou em sua área de conforto foi Gusttavo Lima, celebrado em "Apelido Carinhoso", que rendeu diversos gritos de "bebê" do próprio protagonista e dos fãs.

O mineiro mostrou ser um showman de primeira, chamando o público para interagir com ele nas músicas agitadas, propícias para aproveitar uma cerveja gelada, e jogando camisetas para o público nas baladas sertanejas.

Os embaixadores do VillaMix Jorge & Mateus não poderiam ficar de fora da festa, assim como Kevinho, o único funkeiro do festival, que fez jus ao seu estilo musical com "O Grave Bater", "Rabiola" e "Olha a Explosão".

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Mais novos na cena, Cleber & Cauan tocaram modão para levar o sertanejo raiz ao VillaMix, e ainda se emocionaram ao lembrar de um acidente recente na estrada. "Foi um susto violento. No dia do show de Volta Redonda todo hora dava vontade de chorar, porque você imagina que poderia não estar ali", contou a dupla em entrevista ao UOL.

Alok, por outro lado, fez a pista ferver com o novo single "Favela", que contou com participação especial da cantora norueguesa Ina Wroldsen e uma pequena orquestra para incrementar o tom épico. O clima esfriou um pouco na sequência, quando um problema nos alto-falantes do lado esquerdo deixou som extremamente baixo, levando a galera a ensaiar uma pequena vaia.

A festa ficaria completa com "Ao Vivo e a Cores" e "Te Assumi Pro Brasil". O "popnejo" de Matheus & Kauan chegou já na madruga para dar adeus aos fiéis que aguentaram a maratona de shows do VillaMix.

Além do sertanejo

Com o tema "Música é Mix", o festival este ano já rodou o país em 11 Estados e se prepara para invadir Portugal, com uma edição em Lisboa em outubro, sempre com a intenção de colocar os sertanejos ao lado de atrações mais pop, com uma programação parecida com São Paulo: Jorge & Mateus, Kevinho, Wesley Safadão e Alok.

"São os melhores e maiores artistas que temos em cada segmento. Todos são expoentes. Só tem fera!", afirma o produtor geral Marlus Marcelus.

"O sertanejo é um dos poucos gêneros que abraçam outras vertentes. É só ver o Kevinho aqui", observa Alok, DJ incensado na cena eletrônica, mas que tem ido com frequência aos festivais sertanejos.

"Fazer esse mix é importante para o nosso público. O VillaMix nasceu tendo como base a música sertaneja, mas ao longo dos anos percebemos que poderíamos agregar outros estilos. A cada edição, construímos uma marca que é referência no mercado do showbusiness e entretenimento", completa o produtor.