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Como Adam Sandler teria ajudado "A Freira" a abraçar a comédia de vez

ZUMAPRESS/Divulgação/Montagem
O ator Adam Sandler e Bonnie Aarons como a protagonista de "A Freira" Imagem: ZUMAPRESS/Divulgação/Montagem

Rodolfo Vicentini

Do UOL, em São Paulo

15/09/2018 04h00

Ver "A Freira" no cinema é uma mistura de sentimentos. Com uma campanha de marketing pesada, o filme foi cantado como um terror baseado no popular demônio que vimos em "Invocação do Mal 2", mas no fundo poderia ser tranquilamente mais um capítulo de "Todo Mundo em Pânico", a franquia que faz piada com blockbusters de Hollywood.

O ideal mesmo seria ter chamado Adam Sandler (odiado por muitos e amado por poucos) para dar um rumo ao filme. Teria sido melhor que o produtor Jason Blum (dono da Blumhouse) e o roteirista James Wan transformassem o projeto em uma comédia pastelona, muito mais interessante do que a tentativa de fazer dar medo com sustos bobos.

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"A Freira" tem até um núcleo cômico, como se fosse uma novela da Globo. Frenchie (Jonas Bloquet) é o encarregado de fazer rir após alguma cena mais tensa, e em certos momentos até consegue. Logo no início do filme, quando o jovem vai levar o padre Burke (Demián Bichir) e a Irmã Irene (Taissa Farmiga) para a abadia assombrada, há uma cena sensacional em que ele se "esconde" atrás de um caminhão. Enquanto a dupla estrangeira coloca seus pertences no bagageiro, o veículo dá partida e Frenchie aparece com seu cavalo e um olhar de quem não está entendendo nada.

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Gene Wilder e Marty Feldman em cena do filme "O Jovem Frankenstein" Imagem: Reprodução

A sacada divertida é o melhor momento do filme inteiro, e poderia muito bem ter ditado o ritmo do projeto. Com Adam Sandler fazendo um papel semelhante ao de Igor (Marty Feldman) no excelente "O Jovem Frankenstein" (1974), uma paródia da obra-prima de Mary Shelley com Gene Wilder, o humorista teria espaço livre para tirar piadas da abadia onde uma freira se suicidou na década de 1950.

É sangue que não seca, alucinações que parecem saídas de heróis da Marvel e até batalhas demoníacas que seriam ideias para o tipo de humor de "Um Maluco no Golfe", "Billy Madison, um Herdeiro Bobalhão" e "Click", títulos que marcaram a boa fase de Sandler. Acostumado no mundo de monstros após dublar Drácula em "Hotel Transilvânia", talvez a participação até garantisse algumas críticas positivas para o ator.

O que não dá para entender é como o diretor Corin Hardy saiu tanto do prumo após "A Maldição da Floresta", na qual ele explorou de forma competente criaturas da floresta que vinham perseguir uma família inocente. Há alguns momentos realmente bons, como espera-se de um filme de terror, mas são tão poucos em comparação com o resto que fica um sentimento de oportunidade desperdiçada.

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Cena do filme "A Freira" Imagem: Reprodução

Os primeiros minutos, quando a história da freira possuída é apresentada, fazem a expectativa em cima do filme subir muito, e o que vem na sequência é um bolo mal assado de sustos fracos e partes risíveis, sem falar nas inúmeras vezes que alguém vestido de freira entra em cena e logo desaparece. Nas primeiras vezes é interessante, mas depois da décima já fica para lá de cansativo.

O que é incompreensível também é a edição do filme. A impressão é que tudo foi tão condensado para caber nos 95 minutos que não dá há espaço para respirar entre uma piada de Frenchie após um momento mais tenso. Apenas não faz sentido: não dá medo e nem vontade de rir. 

"A Freira" prometeu tanto e não cumpriu nada. O filme foi um desperdício do talento promissor de Corin Hardy e o curioso é que nem de longe vai incomodar o universo de "Invocação do Mal". Com mais de US$ 200 milhões arrecadados até agora, e com um orçamento de apenas US$ 22 milhões, a freira demoníaca tem tudo para voltar aos cinemas.

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