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"Só tenho medo dos políticos no poder", diz diretor do terror "A Freira"

O diretor e roteirista Corin Hardy -  Larry Busacca/Getty Images
O diretor e roteirista Corin Hardy Imagem: Larry Busacca/Getty Images

Felipe Branco Cruz

Do UOL, em São Paulo

05/09/2018 09h51

Os produtores de “Invocação do Mal” vão conjurar o tinhoso mais uma vez nesta quinta-feira (5), quando estreia nos cinemas “A Freira”, o quarto filme da franquia. Agora, a história será focada nesta sinistra personagem, que teve pouco destaque nos outros filmes.

“A Freira” tem direção do britânico Corin Hardy (de “A Maldição da Floresta”), que aproveitou os 96 minutos de projeção para, mais uma vez, profanar o sagrado e impedir que qualquer espectador durma tranquilo ao sair dos cinemas.

Ao UOL, o diretor explicou por que as pessoas se interessam tanto por histórias de terror que envolvam figuras sacras e contou ainda como filmes com temáticas de possessões demoníacas continuam a atrair a atenção do público.

Para ter uma ideia do sucesso da franquia, em 2016, ela se tornou a terceira mais lucrativa no gênero de terror, com US$ 882 milhões de faturamento (somado “Invocação do Mal” 1 e 2 e “Annabelle”), perdendo apenas para “Resident Evil” e “Atividade Paranormal”.

“A vida real é muito mais assustadora do que a ficção”, disse o diretor. “O que mais me aterroriza são os políticos que estão no poder".

Parte do filme foi gravado em um convento na Transilvânia, na Romênia. O enredo acompanha os desdobramentos de uma freira que cometeu suicídio neste convento. Para investigar o caso, o Vaticano envia um padre e uma noviça, que também está prestes a se tornar uma freira. Não é preciso muita criatividade para imaginar como o resto da história se desenrola.

"A Freira": spin-off de "Invocação do Mal" ganha pôster e trailer assustadores - Reprodução - Reprodução
Cena de "A Freira"
Imagem: Reprodução

A seguir, leia os principais trechos da entrevista:

UOL: Você teve problemas com freiras ou padres na infância?

Corin Hardy: Absolutamente não. Eu tive uma tia que era freira e ela sempre foi muito agradável.

“A Freira” é um spin-off de uma franquia idolatrada pelos fãs de terror. Como você lidou com a expectativa que eles tinham por um novo filme tão assustador quanto os outros?

Eu sei que “Invocação do Mal 2” tem muitos fãs e o personagem da freira é insano. A freira aparece pouco em “Invocação do Mal 2”, o suficiente para os fãs conhecerem o personagem, sem saberem, no entanto, a sua história. Os roteiristas [James Wan e Gary Dauberman] tiveram liberdade para criar algo completamente novo. Criamos novas coisas e, intencionalmente, levamos a história para outras áreas.

Demián Bichir, Jonas Bloquet e Taissa Farmiga em cena do longa - Reprodução - Reprodução
Demián Bichir, Jonas Bloquet e Taissa Farmiga em cena do longa
Imagem: Reprodução

Vocês gravaram na Transilvânia. Por que essa região do mundo é tão assustadora?

Imagine um padre e uma freira em uma estrada da Romênia? O filme tem um senso de aventura que nos encorajou a ir além. Nós gravamos em uma região remota que ficava sete horas distante de carro da capital. Parte desse interesse pela Transilvânia vem do “Drácula”, de Bram Stoker. A atmosfera do local é muito rica em história que poucos lugares do mundo têm. Também pedimos para um padre nos abençoar antes de começarmos a filmar. Tudo isso ajudou a criar essa atmosfera herética.

As freiras são pessoas que dedicam a vida a Deus. Por que, no filme, uma delas desperta tanta curiosidade e medo?

Acho que qualquer coisa que você puder subverter: criança, polícia, padre, assusta. Você confia nessas pessoas, mas as transformam em pessoas malignas. No caso da freira, foi interessante porque ela é uma personagem cheio de tons de cinza, que dá para criar cenas chocantes. Acho que "sagrado e profano" é uma boa dualidade.

Corin Hardy - Larry Busacca/Getty Images - Larry Busacca/Getty Images
Imagem: Larry Busacca/Getty Images

“Invocação do Mal” tem o alerta de “baseado em fatos reais”, ao contrário de “A Freira”, que é apenas uma obra de ficção. Aviso de que os filmes são baseados em fatos reais ajuda a atrair a atenção do público?

Meu sentimento é que muitos filmes abusam desse recurso. Em alguns casos, eles são mais “baseados em fatos reais” do que em outros. “Invocação do Mal” é inspirado por pessoas de verdade, que existiram de verdade. "A Freira", por ser um spin-off, ajuda a criar essa conexão.

“A Freira” e “Invocação do Mal” trabalham com temas como possessões demoníacas. É difícil sair do clichê nos filmes de terror?

Tento fazer o meu melhor e o que seja agradável para o público. Existem muitos filmes bons de possessões demoníacas que já foram lançados. Mas existem também muitas histórias que não foram contadas. Acho que possessão é o clássico do horror. Mas esse é bem diferente. A freira já está morta e o mistério é saber o que aconteceu dentro daquele lugar sagrado. Além disso, às vezes o clichê não é ruim. Basta seguirmos por caminhos diferentes.

O que realmente te assusta?

Essa resposta é fácil: alguns políticos no poder. A vida real é muito mais assustadora do que a ficção. Filme de terror é uma maneira agradável de escapar do terror da vida real.