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Música

Bazar com acervo de Renato Russo rende R$ 65 mil ao Retiro dos Artistas

Laís Gomes

Colaboração para o UOL, do Rio

07/04/2018 16h04Atualizada em 08/04/2018 10h29

Mais de 20 anos após a morte de Renato Russo, os fãs do cantor tiveram a chance de ficar "perto" do ídolo no sábado (7), no bazar beneficente com o acervo pessoal do músico promovido pelo Retiro dos Artistas, na zona oeste do Rio. O evento, que contou com itens doados pelo filho do cantor, Giuliano Manfredini, dá o pontapé nas comemorações dos cem anos do instituto que abriga artistas aposentados e sem condições financeiras.

A ação de sábado rendeu R$ 65 mil para a instituição, mas alguns itens não foram vendidos e ficarão disponíveis no acervo do bazar permanente, que funciona de segunda a sábado, das 10h às 18h. A meta é arrecadar R$ 100 mil. Apesar de ter manifestado desejo de adquirir todo o acervo, Dinho Ouro Preto não compareceu ao bazar nem enviou nenhum representante, confirmou a diretora da intituição Cida Cabral neste domingo (8).

Com o embate entre a irmã de Renato Russo, que não queria que os itens fossem vendidos, e o filho, que procurou o Retiro oferecendo os objetos, o bazar ganhou ainda mais repercussão. Apesar de ter abertura ao meio dia, horas antes os fãs já faziam fila para ver e comprar as peças que pertenceram ao ex-Legião Urbana.

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A fã Lívia Ribeiro, 27 anos Imagem: Laís Gomes/UOL

Foi o caso da fotógrafa Lívia Ribeiro, 27, que apesar de ter conhecido Renato só após a sua morte, sempre foi fã do cantor. "Estudei na escola que ele estudou e a minha professora de português e redação foi professora dele, então aprendíamos com as músicas de Renato e assim eu fui me apaixonando. Quando soube do bazar já separei um dinheiro e vim, fui a primeira a chegar", disse ela, que comprou um móvel de R$ 500 e um short do pijama do cantor. "O short eu vou guardar. O móvel vou colocar no meu quarto", contou.

Ricardo Tavares, engenheiro e músico, 44, levou as filhas pequenas para compartilhar do amor pelo ídolo. "Fui ao show do terceiro disco da Legião quando eu tinha 18 anos, no Maracanãzinho e sou fã desde então. Entrei e olhei tudo para ver o que eu gostaria de levar, até que dei de cara com uma camisa. Lembro perfeitamente de ele usando. Não resisti.".

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O engenheiro e músico Ricardo Tavares Imagem: Laís Gomes/UOL

Pessoas de diversos estados compareceram ao evento, como a professora Heloísa Nahara, 36, de São Paulo. "Meu marido me deu de presente as passagens de avião e a hospedagem. Ele disse que não entendia a minha loucura, mas me apoiava porque eu sou fã. Eu entrei e dei de cara com uma poltrona e um aparador que eu queria muito. Tinha visto em um vídeo de divulgação e fiquei alucinada. Queria pelo menos encostar e aí consegui comprar. Só quem é fã consegue entender."

Heloísa garantiu, além da poltrona, que custava R$ 5.000, artigos como camisas, CDs, livros e um aparador. Ela contou que, futuramente, pode doar os objetos para a irmã de Renato. "Eu fiquei na dúvida se vinha por conta da briga de família, mas vi que era só objeto do acervo pessoal. Vou colocar essa poltrona na minha sala, mas a irmã do Renato pediu para que os fãs de verdade doassem o que comprasse. Penso em dar pra ela futuramente".

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A professora Heloísa Nahara, de São Paulo Imagem: Laís Gomes/UOL

Não foram só fãs que lotaram o evento. Muitos curiosos apareceram, como o engenheiro Paulo Roberto, 65. "Não sou fã, mas gostava da banda. Vim pra dar uma olhada mesmo, não penso em comprar nada", contou.

As peças foram vendidas somente em dinheiro e cartão de débito. Cida Cabral, diretora do Retiro dos Artistas, celebrou. "Estamos todos muito felizes. A procura está sendo grande e as peças mais caras foram as primeiras a serem vendidas. Os fãs estão muito felizes e nós também", disse.

Com um gasto mensal fixo próximo a R$ 120 mil, Cida ainda explicou que a verba será usada para quitar dívidas da folha de pagamento do Retiro dos Artistas, regularizar a situação com fornecedores de remédios e alimentação, entre outras despesas do dia a dia. "Dá um respiro", desabafou a diretora.

A maquiadora Cida Freitas e o artista circense Lourivao Negrito, que moram há dez anos no instituto, andavam de um lado para o outro, agradecendo aos compradores. "O filho do Renato não sabe o bem que fez a gente, doando tudo isso, e eu estou fazendo questão que as pessoas aqui saibam. Dou o meu sorriso e abraço e agradeço a todos os que eu vejo ajudando a gente. É o mínimo que podemos fazer para retribuir".

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