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Lollapalooza

Quatro momentos do palco eletrônico no Lolla que só viu quem esteve lá

Mariana Pekin/UOL
Mac Miller se apresenta no palco eletrônico do Lollapalooza Brasil 2018 Imagem: Mariana Pekin/UOL

Renata Nogueira

Do UOL, em São Paulo

24/03/2018 22h05

O sábado (24) foi cheio de boas surpresas para quem escolheu ficar no Perry's, o palco eletrônico do Lollapalooza Brasil 2018. As atrações mais diversificadas refletiram no público, mais jovem, colorido e descolado do que no dia anterior, quando o EDM dominou a pista.

Destaque para Mac Miller, que apresentou suas rimas e politizou o show com gritos de "Fuck, Donald Trump", acompanhado pela plateia. Os mesmos jovens que resolveram debandar para o show do Imagine Dragons, no palco vizinho, deixaram a pista tranquila e as atrações vazias. Resultado: roda-gigante sem filas; banheiros, idem. E espaço de sobra para se divertir.

"Fuck Donald Trump"

Em vez do já conhecido "Fora, Temer", que já tomou conta de shows e festivais Brasil afora, o grito de protesto no palco eletrônico foi contra o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O rapper Mac Miller --que se apresentou no final da tarde e levou suas rimas, hip-hop e até pitadas de R&B para o palco dominado pela eletrônica-- pediu para que o público gritasse contra o presidente dele. E foi atendido.

"Por favor, repitam comigo: 'Fuck, Donald Trump'", pediu antes de cantar um dos seus maiores hits, que leva justamente o nome do presidente republicano. Miller ainda lembrou que, quando ele lançou a música, em 2011, nem imaginava que um dia Trump viria a ocupar um dos cargos de maior poder do mundo. Na plateia o apoio também veio em forma de camisetas, como "Mac Miller para presidente", e bandeiras de outros países, inclusive do México, país que enfrenta as mais duras políticas do magnata.

Ricardo Matsukawa / UOL
Roda gigante, uma das atrações do Lollapalooza Brasil 2018 Imagem: Ricardo Matsukawa / UOL

Roda-gigante sem fila

Apesar de ser o dia mais movimentado do festival, algo surpreendente aconteceu neste sábado: roda-gigante sem filas em horário nobre. Tudo graças ao Imagine Dragons. A banda tocou no afastado palco Ônix e levou quase o festival inteiro para lá. Como a roda-gigante está bem em frente ao Perry's, sobrou espaço no brinquedo mais disputado do evento. A fila para se fazer um piercing gratuitamente, outra atividade bastante concorrida, também era inexistente. Sorte de quem ficou na área eletrônica entre 19h e 21h.

Poeirão

O aumento do público neste sábado, um dos dias com ingressos esgotados, e a ventania que em alguns momentos refrescava o Autódromo destacou uma das características do palco que recebe o público do Lolla. A poeira do chão de pedrinhas subiu e criou uma névoa que competia com os efeitos de luzes dos shows. Nos pés da galera, muitos tênis com meias cobrindo a canela para segurar o poeirão e botinhas "desbotadas" pela poeira fina. As cangas, tão populares nos outros palcos que contam com gramado, também perderam espaço por ali. O que não é um grande problema, já que o Perry's foi mesmo pensado para ficar em pé e dançar.

Girl Power

A DJ e produtora Devochka arrasou representando as mulheres em cima do palco. Com um set que abriu os trabalhos do Perry's, a mineira foi a única artista feminina escalada para o palco em todo o festival. "A gente quer mais mulher na cena de música eletrônica, produzindo as próprias músicas, tipo eu. Para mim é sempre uma honra representar as mulheres, pois sei que faço isso muito bem", disse Devochka ao UOL logo após o show, enquanto atendia fãs e fazia selfies com eles.