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Corpo de Carlos Heitor Cony será cremado na próxima terça

Antônio Gaudério/Folhapress
O escritor Carlos Heitor Cony veste o fardão de membro da Academia Brasileira de Letras, em maio de 2000. Ao fundo, sua mulher Bia segura o chapéu Imagem: Antônio Gaudério/Folhapress

Do UOL, em São Paulo

06/01/2018 21h28

O corpo de Carlos Heitor Cony será cremado na próxima terça-feira (9), no cemitério Memorial do Carmo, localizado no Caju, bairro central do Rio de Janeiro. O jornalista, escritor e colunista da "Folha de S.Paulo" morreu na última sexta, por volta das 23h, aos 91 anos, vítima de falência múltipla de órgãos.

Cony deixou orientação por escrito, lavrada em cartório, para que seu velório e enterro fossem reservados aos familiares. Ele dispensou todo ritual ao qual, como membro da Academia Brasileira de Letras, teria direito na ABL.

Cony estava internado no hospital Samaritano, em Botafogo, na zona sul do Rio, desde 26 de dezembro devido a problemas no intestino. A informação foi confirmada ao UOL pela ABL (Associação Brasileira de Letras).

Cronista ácido e de humor peculiar, Cony foi vencedor de três prêmios Jabuti e era o quinto ocupante da cadeira de número 3 da ABL desde 2000. Seu romance mais famoso, "Quase Memória", foi publicado em 1995 e vendeu mais de 400 mil exemplares.

Ainda que tocando em temas políticos, a obra de Cony tinha como foco, antes de mais nada, as relações humanas. E o modo como tratou esses temas deu ao autor a pecha de pessimista inveterado.

Em 2001 foi diagnosticado com um câncer linfático e, por causa da quimioterapia, ficou com dificuldade de locomoção, perdeu força nos braços e nas pernas. Em 2013, levou um tombo na Feira de Frankfurt, na Alemanha, e desde então já não se sentia tão bem: a queda fez um coágulo na cabeça e aumentou os cuidados com a saúde.

Cony era casado com Beatriz Latja e tinha três filhos: Regina, Verônica e André.

Luto oficial

O governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, decretou oficialmente luto de três dias no estado pela morte de Cony. Em comunicado divulgado na tarde deste sábado, Pezão afirmou que "Cony foi um crítico de primeira hora do autoritarismo e da censura do regime militar".

Leia a nota na íntegra:

"O jornalismo e a literatura perderam um de seus nomes mais importantes. Com uma trajetória brilhante em jornais, revistas, TV e rádio, Carlos Heitor Cony foi um crítico de primeira hora do autoritarismo e da censura do regime militar. Também deixou como legado uma obra de ficção marcante. Neste momento difícil, quero prestar minhas condolências à família, aos amigos e admiradores de Cony. E, como homenagem a esse grande carioca, decreto oficial luto de três dias no estado do Rio de Janeiro."

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Pelo Twitter, o presidente Michel Temer lamentou a morte de Cony, a quem chamou de "um dos mais cultos e preparados pensadores nacionais."

O MinC (Ministério da Cultura) também se manifestou oficialmente e disse que recebeu a notícia com pesar. "O Ministério da Cultura manifesta sinceros sentimentos de pesar à família, amigos, colegas e admiradores de seu trabalhou."

O ministro da Secretaria-Geral, Moreira Franco, também divulgou nota de pesar afirmando que o escritor "ajudou minha geração a amar a democracia". "O pesar foi grande. Foi-se C.H. Cony, testemunho dos anos duros do regime militar. Cony esteve do começo - com memorável atuação no Correio da Manhã - ao fim com militância intelectual, política. Ajudou minha geração a amar a democracia, respeitar o contraditório, sonhar com a liberdade".

(Com informações da Agência Estado)

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