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Segunda noite da Virada Cultural é marcada por protestos e clima pacífico

Do UOL, em São Paulo

22/05/2016 03h17

Com missão de diminuir a violência urbana que marcou as duas últimas edições, a 12ª Virada Cultural reduziu a quantidade de palcos no centro e espalhou as atrações culturais pela cidade inteira. As zonas Norte, Sul, Leste e Oeste também receberam parte dos shows e apresentações de teatro, dança, literatura e artes plásticas. Além disso, a programação da maioria dos palcos não viraram a madrugada.

A estratégia parece ter funcionado até a primeira metade do evento. A reportagem do UOL presenciou um clima tranquilo, mesmo nos palcos mais lotados. O público pode se divertir em regiões onde estavam instalados os palcos Júlio Prestes, São João, Rio Branco e Largo do Arouche sem se sentir intimidado. 

Juliana Barreto, 25, que esteve pelo terceiro ano na Virada, aprovou o novo formato. "Esse ano achei mais calmo no Arouche. Há dois anos eu vim com a minha irmã e saí horrorizada. Agora achei tranquilo, não vi brigas. Adorei Beto Barbosa e o concurso das drags", disse ela, que pretende voltar neste domingo com o namorado para ver Roberta Miranda, que encerra a Virada no palco Arouche

O tom de protesto, que começou na noite de sexta (20) durante o happy hour da Virada 2016, teve continuidade e não faltaram manifestantes nos principais pontos do evento. Durante as apresentações de artistas consagrados como Ney Matogrosso, Elza Soares, Baby do Brasil e Alcione, a plateia se mostrou insatisfeita com o atual momento do país.

Pontualmente às 18h, o cantor Ney Matogrosso, subiu ao Palco Júlio Prestes, na região central de São Paulo, para abrir a programação. O público que acompanhava o show mostrava faixas, folhas de papel ofício e adereços diversos com inscrições como "Fora, Temer" e "Temer Jamais". Em alguns momentos, o grito contra o peemedebista prevaleceu, mas também foi ouvido o "Fora PT", embora em menor volume e empolgação. O cantor, conhecido por opinião política forte, não se manifestou sobre o assunto no palco.

A cantora Alcione foi a segunda atração a subir no palco da estação Júlio Prestes, e diferente de Ney, Marrom não poupou críticas ao atual governo. "Fiquei sabendo que o Ministério da Cultura voltou. Não era nem para ter acabado. Como um país como o nosso, com nossa diversidade cultural, pode ficar sem ele?", afirmou depois de abrir com "Juízo Final".

E o discurso continuou. Alcione lembrou o desastre ambiental da cidade de Mariana (MG). Despachada, ela alvejou a mineradora Samarco, que pertence à Vale, responsável pelo rompimento da barragem que dizimou o distrito de Bento Rodrigues.

A cantora aproveitou também para falar da presidente afastada Dilma Rousseff. "Gosto muito da Dilma. Só estive ausente dos protestos por causa de problemas de saúde".

Palco das mulheres

Novidade no evento, o palco dedicado às mulheres na avenida São João recebeu Valesca Popozuda, Elza Soares e Céu. Dois anos depois de ser recebida com uma chuva de granizo e levantar polêmica por ser a primeira funkeira a integrar a programação da Virada Cultural, Valesca aproveitou bem a posição. Foi ovacionada pelos "popofãs" e deu o recado ao cantar "Baile de Favela", hit do MC João: "A Virada é baile de favela".

No fim do show, a funkeira desceu e distribuiu selfies com os fãs, houve tumulto e teve quem passasse mal com o empurra-empurra.

Valesca também frisou sua insatisfação com o atual momento político do Brasil. "Fora Temer? Temer jamais?", perguntou para a plateia. "Tá tudo uma palhaçada, né? Desistir jamais, porque somos brasileiros. Vamos fazer o nosso, exigir o que é nosso. Sem abaixar a cabeça", concluiu.

Pouco depois da meia-noite, manifestantes e organizadores da Virada Cultural bateram boca antes do show de Elza.

Com gritos de "Fora, Temer" e inúmeras bandeiras levantadas, manifestantes contra o governo interino e secundaristas pularam a grade que separa o público do palco para estender faixas contrárias à situação.

 

Houve empurra-empurra e um dos objetos chegou até ao palco. A banda que acompanha Elza abriu uma das bandeiras e passou o som entoando o coro do público.

Rainha da Virada Cultural 2016

Em sua segunda edição, o concurso Rainha da Virada Cultural foi a primeira atração do Palco Arouche. Um dos poucos palcos que neste ano teve programação durante a madrugada. Por ele passaram Fat Family, Beto Barbosa e Luiz Caldas.

O concurso, apresentado por Léo Áquila, contou com batalhas disputadas por duelos onde as drags queens tinham que dublar músicas nacionais com repertório que incluiu Gaby Amarantos, Perla, SNZ, Marina Lima, karol Conka, Carmem Miranda entre outros. As concorrentes foram julgadas pelo público e o júri.

Apesar de não estar lotado, o público presente no Arouche estava animado. Mais tarde, enquanto Fat Family marcava seu retorno aos palcos, o espaço encheu mas o clima se manteve tranquilo e seguro.

"Tocar na Virada Cultural é um momento muito especial para nós, é nossa primeira vez aqui e sempre tivemos o desejo de participar e tocar para São Paulo, que a gente adora. Nosso objetivo é proporcionar ao público diversão e alegria", contou Celinho, ao UOL.

Atraso na periferia

A banda pernambucana Nação Zumbi, que tinha o show marcado para às 22h, no Palco M'Boi Mirim, na zona sul de São Paulo, subiu ao palco com uma hora de atraso. O público não pareceu se importar e acompanhou a apresentação.

Mano Brow também não conseguir manter a pontualidade. Previsto para se apresentar à 1h no Centro de Formação Cultural Cidade Tiradentes, o rapper subiu ao palco com mais de uma hora de atraso.

*Com colaboração dos repórteres Alexandre Matias, Gisele Alquas, Guilherme Bryan, Jotabê Medeiros, Leonardo Rodrigues e Tiago Dias

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