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1ª noite da Virada tem happy hour para adultos e "fluxo" para adolescentes

Renata Nogueira e Felipe Branco Cruz

Do UOL, em São Paulo

21/05/2016 00h37

Eram 18h de sexta-feira (20) quando o pregão da Bolsa de Valores (Bovespa), no centro de São Paulo, encerrou suas atividades, mas muitos corretores que iriam para casa resolveram ficar mais algumas horas no centro para aproveitar as atrações do primeiro "happy hour" da Virada Cultural. Pela região, foram espalhados palcos com atrações variadas.

"Nunca tinha vindo na Virada porque tinha medo da violência. Geralmente o centro nesse horário é vazio, sem policiamento e sujo", disse Ademar Sanchez Junior, médico que trabalha na Bolsa e estava em frente ao coreto da Bovespa curtindo o show de samba do Mestre João Borba. "Geralmente não escuto samba, mas hoje resolvi dar uma chance", diz ele, que mesmo morando em São Paulo e trabalhando no centro há anos curte pela primeira vez a Virada.

Os amigos Fabio Pires, 29, e Júlio Pazini, 23, disseram estar acostumados ao clima de happy hour das sextas-feiras nos bares do centro, mas esta sexta era especial. "Viemos curtir um samba mais próximo do nosso trabalho e também pretendemos curtir outros ritmos. Hoje a farra no centro vai se estender até meia-noite".

Perto dali, na esquina das ruas Quintino Bocaiúva e Direita, artistas como Ná Ozzetti, Kiko Dinucci e o pernambucano Siba foram escalados para inaugurar um "novo" espaço do centro: o Palacete Tereza de Toledo Lara, construído em 1910 e famoso por sediar a Rádio Record nos anos de ouro do rádio no país. O público, que assistia aos shows da varanda, deu tom politizado ao show, inclusive com gritos de "Fora Temer".

Ademar Sanchez Junior, médico da Bovespa - Renata Nogueira/UOL
Ademar Sanchez Junior, médico da Bovespa
Imagem: Renata Nogueira/UOL

Enquanto isso, no palco Batekoo, no Largo São Francisco, o público de maioria adolescente, que em outros tempos ficou conhecido por seus "rolezinhos" pela cidade, não queria saber de circular. O interesse dos jovens era mesmo nas atrações de black music, funk e hip hop. "Viemos de ônibus do Grajaú e vamos ficar aqui até as 22h. A nossa ideia é curtir o som e aproveitar a noite", disse Murilo Araújo, 20, que estava acompanhado da estudante Kayt Morais, 18. Um dos mais animados da noite, por volta das 23h, o local lembrava os "fluxos", festas improvisadas da periferia. Moças de shortinho e top, alternativos e o público remanescente dos palcos que encerraram mais cedo dançavam e suavam ao som de funk ostentação.

Em frente à Catedral da Sé, cerca de 500 pessoas se reuniam em uma celebração ao reggae. Comandadas pelo Dubversão Sound System em parceria com o Strikkly Vikkly, projeto do DJ americano Victor Rice, as atrações atraíam rastafaris e jovens em clima de balada.

Os moradores de rua que normalmente ocupam a praça da Sé estavam espalhados pelas ruas ao redor e não pareciam se incomodar com a movimentação.

Julio Pasini, 23, e Fábio Pires, 29, também estavam no Coreto da Bovespa - Renata Nogueira/UOL
Julio Pasini, 23, e Fábio Pires, 29, também estavam no Coreto da Bovespa
Imagem: Renata Nogueira/UOL

Diversidade de público e violência isolada

A diversidade de público marcou o Happy Hour da Virada. No palco Garagera, por exemplo, em frente a Galeria do Rock, a banda Autoramas abriu a programação. O grupo reuniu cerca de 300 pessoas, a maioria fãs, que só ficaram sabendo do show por meio do Facebook oficial da banda. "Acho que só divulgaram as atrações dos palcos grandes. Os palcos pequenos não tiveram muita divulgação. Vim hoje só para ver o Autoramas e já vou embora", disse o locutor André Machado, 32. 

O público pareceu preocupado com a falta de segurança. Muitas pessoas seguravam suas mochilas em frente ao corpo com medo de assalto. Assim que o show do Autoramas acabou, um jovem tentou assaltar uma pessoa, mas foi impedido pelo público, que tentou linchá-lo. A polícia atuou, o jovem escapou e fugiu. "Está muito perigoso aqui", reclamou Fabio Montimiano, 31, também fã da banda. 

Tirando casos isolados de violência, entretanto, o clima de happy hour deu o tom à maior parte dos palcos. Ponto positivo na ideia da organização de atrair um público acostumado a frequentar o centro da cidade apenas de segunda a sexta.

Em frente ao prédio da Prefeitura, casais apaixonados curtiam o Jazz na Kombi. Ao lado deles, grupos de amigos com latas de cerveja na mão completavam o clima de descontração.

Na praça Don José Gaspar, o clima também era de festa. Por lá estava rolando o Samba de Vela, com cerca de 200 pessoas, além dos clientes dos barzinhos próximos. O local transformou-se numa verdadeira quadra de escola de samba.

Se os palcos atraíram um público específico e os desavisados, os bares e restaurantes também saíram ganhando com a novidade da Virada. Lotados, alguns como o tradicional Café Girondino chegaram a estender o horário de funcionamento em até duas horas para atender a demanda atípica. De um palco para outro, a pausa para uma cerveja era quase obrigatória.

Com menos palcos no centro do que nas edições anteriores, a festa acabou mais cedo graças a uma forte chuva que caiu sobre a região por volta da meia-noite. Os shows voltam a acontecer neste sábado por toda a cidade e se estendem até o domingo.

Público lota a festa Batekoo, na Praça do Ouvidor Pacheco e Silva, no Happy Hour da Virada Cultural - Renata Nogueira/UOL
Público lota a festa Batekoo, na Praça do Ouvidor Pacheco e Silva, no Happy Hour da Virada Cultural
Imagem: Renata Nogueira/UOL

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