Livros e HQs

Do auge ao declínio: Livros de colorir chegam desbotados ao final de 2015

Rodrigo Casarin

Colaboração para o UOL, em São Paulo

16/12/2015 20h02

Johanna Basford, ilustradora escocesa que criou os livros de colorir mais famosos do mundo, experimentou neste 2015 o auge e o declínio. Enquanto "Jardim Secreto" permanece como a obra mais vendida do ano, com impressionantes 714.886 cópias comercializadas, "Floresta Encantada" vem logo atrás, com 482.988 exemplares. Ambos de sua autoria, os dois títulos já estavam nas livrarias no início do ano e foram o principal alvo de pessoas ávidas por pintar desenhos em branco. Por outro lado, "Oceano Perdido", também de Basford, chegou ao mercado nacional somente em outubro, com o fenômeno já desgastado, colhendo números bem mais modestos: até agora, foram cerca de 10 mil unidades.

"Os livros de colorir já não vendem mais como há seis meses", diz Vitor Tavares, vice-presidente financeiro da CBL (Câmera Brasileira do Livro) e responsável por acompanhar as vendas desses grandes fenômenos do mercado editorial. "As pessoas compraram para presentear, para uso próprio e, principalmente, como forma de aliviar o estresse. Foi um fenômeno editorial. Mas, se analisarmos a curva de vendas, perceberemos que o interesse veio e se foi num curto espaço de tempo".

A força que os livros para colorir tiveram no primeiro semestre deste ano foi mesmo gigantesca. Em maio, uma reportagem do UOL falava sobre o sucesso das obras de Johanna e como ele estava alavancando as vendas de outros títulos do gênero, como "Jardim Encantado", de Sophie Lebranc, e "Fantasia Celta", de Michel Solliec. A editora Sextante garante que chegou a vender 200 mil exemplares de "Jardim Secreto" em apenas uma semana no auge da moda.

"Houve semanas em que fazíamos pilhas de livros nas lojas pela manhã e já na hora do almoço estavam quase esgotados. Fazíamos a reposição e no fim do dia era quase tudo comercializado novamente. Foi incrível. Isso chamou atenção da mídia e toda imprensa falou do assunto, o que ajudou ainda mais nas vendas", lembra Marcos Pedri, diretor comercial do Grupo Livrarias Curitiba, que conta com 24 lojas pelo país e que comercializou 364.070 exemplares desses livros em 2015.

Tudo isso mexeu com outras frentes do mercado. Fabricantes de papeis não davam conta de atender o repentino e vertiginoso crescimento da demanda pelo produto por algumas editoras. As papelarias e fabricantes de lápis de colorir também lucraram muito: em abril, o crescimento na venda do produto em uma grande rede de lojas foi de 135%, número que só não cresceu porque as caixas se esgotaram na metade do mês.

O desbotar

Do meio para o final do ano, o cenário começou a mudar. As vendas, ainda que continuassem com bons números, diminuíram significativamente. Se antes "Jardim Secreto" vendia até centenas de milhares de livros em uma semana, já em setembro essas transações tinham encolhido para aproximadamente 20 mil unidades por mês, sendo que nenhum outro título do gênero ocupou seu lugar como referência dentre esses livros.

Durante a Bienal do Livro do Rio de Janeiro, em setembro, editores de diversas casas já assumiam esse encolhimento e previam que as vendas poderiam continuar diminuindo nos meses seguintes, como aconteceu. "Foi uma moda passageira. A novidade tem um lado lúdico, levou milhares de pessoas às livrarias de todo país e o tema foi incluído em diversas agendas de eventos, mas quase nada acrescentou em termos literários ou mesmo na formação de novos leitores", constata Tavares.

Para Pedri, a repercussão foi tão grande que praticamente todas as pessoas souberam ou ouviram falar dos tais de livros para colorir. "Foi um tiro de canhão num curto espaço de tempo. Então todos foram atendidos em poucos meses. Com isso, as vendas do primeiro semestre foram muito acima da média. Aos poucos, diminuíram e se estabilizaram, mas ressalto que ainda hoje temos vendas representativas desses livros em nossas lojas".

Outros fenômenos

Em um ano de economia delicada para o país, as grandes vendas dos livros para colorir tiveram, ao menos, um papel importante para que o setor livreiro --ou as editoras e livrarias que apostaram no produto-- pudessem enfrentar o momento financeiro nacional. "Para o mercado editorial seria muito bom, em especial em um momento de crise como o atual, ter, a cada 90 dias, um fenômeno de vendas como este, verificado nos livros de colorir. Isso sem dúvida alavancaria e ajudaria as vendas de todo o setor", explica o vice-presidente financeiro da CBL.

Pedri reconhece que o mercado está sempre em busca desse próximo fenômeno e, apesar de não cravar quem herdará o posto dos livros para colorir, tem suas apostas. A primeira delas são as obras de "booktubers" como Kéfera Buchmann, autora de "Muito Mais que Cinco Minutos". Outra são os títulos gastronômicos assinados por celebridades da televisão, como Ana Maria Braga, Bela Gil e Rodrigo Hilbert. Por fim, coloca algumas fichas em tudo que é voltado para o público geek. "São algumas novidades que estão sendo bem consistentes em todo país e merecem grande atenção".

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