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De branco, Emicida prega paz e tolerância religiosa na Virada Cultural

Mariane Zendron

Do UOL, em São Paulo

21/06/2015 16h30

Emicida subiu ao palco Júlio Prestes, na Virada Cultural, em missão de paz. O rapper se uniu ao grupo religioso As Águas de São Paulo para pedir fim do ódio religioso.

Ao lado de João Donato, que assumiu o teclado no começo do show na tarde deste domingo, ele e os músicos de sua banda vestiram branco e pediram que o público fizesse o sinal de paz com as mãos e foi prontamente atendido.

Emicida havia convocado o público para ir de branco ao show, mas foi atendido apenas por apenas alguns fãs. No entanto, o rapper e os músicos estavam a caráter.

"Não viemos de branco à toa. Viemos de branco porque uma menina tomou uma pedrada ao sair de um culto de candomblé. Nos viemos de branco porque tem gente que, para falar de jovem, fala mais de cadeia do que de escola", disse o músico, acompanhado pelos músicos também de branco.

Emicida também convocou todos para uma grande roda de samba ao chamar Martinho da Vila para o palco para cantar músicas do repertório do sambista, como "Canta, Canta Minha Gente".

Martinho contou com o coro da multidão para cantar "Mulheres". "Ja tive mulheres...", convocou ele. "De todas as cores", completaram os fãs.

Depois da saída de Martinho, Emicida voltou a mostrar seu rap e até ensaiou uns passos de hip hop ao lado dos músicos. "Aí, tem maloqueiro nessa p...?", perguntou.

O rapper ainda fez um discurso pró-diversidade racial ao dizer que "ninguém pode esquecer de onde todos viemos: foi da África. Ruivos, japoneses, brancos e negros. Todos de lá".

Em um show carregado de discurso político, ele ainda criticou a Fundação Casa – "É fácil amar o diabo, difícil é morar no inferno" – e ainda defendeu as mulheres: "Quando é estuprada, ainda dizem que a culpada é ela".

Leia trecho do discurso de Emicida durante o show:

“A fundação é tudo menos casa para os internos. É mó boi odiar o diabo. Quero ver vocês viverem lá no inferno. Não existe amor em São Paulo? Existe pra c.... Vocês acham que as Mães de Maio choram por quê? Ter que sobreviver ao pai que abusa, o ferro sobre a blusa, as fardas que mata ‘nóis’ e nunca fica reclusa, ao Estado que te usa, e aos otários que querem vir falar de racismo ao contrário. Tempo doido, a espinha gela, onde as mulheres são estupradas e a culpa ainda é delas.
Aos bunda mole, um aviso: não é por que a gente tá sonhando que a gente tá dormindo, viu?”.
 

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