! "Millôr deve estar esperando por ele", diz Fafá de Belém sobre João Ubaldo - 18/07/2014 - UOL Entretenimento

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"Millôr deve estar esperando por ele", diz Fafá de Belém sobre João Ubaldo

Do UOL, em São Paulo

18/07/2014 08h19Atualizada em 18/07/2014 15h47

A morte do escritor João Ubaldo Ribeiro, autor de "A Casa dos Budas Ditosos", pegou de surpresa familiares e amigos. Ele morreu na madrugada desta sexta-feira (18), aos 73 anos, vítima de embolia pulmonar, em sua casa no Leblon, no Rio de Janeiro. Logo cedo, a cantora Fafá de Belém se pronunciou no Twitter dizendo que havia perdido um amigo. Outras personalidades também lamentaram a morte do autor.

Dilma Rousseff, Presidente do Brasil, em comunicado
"A literatura brasileira perde um grande nome com a morte de João Ubaldo Ribeiro. Neste momento de dor, presto minha solidariedade aos familiares, amigos e leitores"

Luis Fernando Verissimo, escritor, ao UOL
"Fiquei muito surpreso. Não sabia que ele estava doente. Era um grande escritor, um dos nossos melhores. Ele era muito divertido. Brincávamos que ele tinha uma boa voz. Cantava muito. Falávamos que o verdadeiro Dorival Caymmi era ele".

Antônio Torres, mais novo escritor a ocupa uma cadeira na ABL, ao UOL
"João Ubaldo é um dos nomes mais fortes da minha geração, que é uma geração muito forte. Cada um com o seu recorte, todo o mundo mapeando o Brasil na literatura. Cada um chegando com a contribuição de seu Estado. Minha visão é de um todo. Não vejo ninguém isolado. Mas o que distingue João Ubaldo é o recorte da história do Brasil que ele faz a partir de um cenário pessoal, um cenário particular, que é a Ilha de Itaparica".

Domingos Oliveira, cineasta, ao UOL
"Quando soube dessa noticia, fiquei com muita raiva da vida e dessa injustiça da morte a que nós estamos todos submetidos. É a nossa condição humana. Depois a raiva foi passando e me veio uma depressão. É tão violento o ato da morte que é preciso reagir com vida. João Ubaldo era um homem do povo, um intelectual, um boêmio, de humor formidável e impossível de resistir. A gente perde um capitão, um general, um marechal, uma força. Fica essa lacuna".

Geraldo Holanda Cavalcanti, presidente da ABL, ao UOL
"João Ubaldo foi um grande acadêmico, um grande romancista e um grande jornalista. Vai deixar marca profunda na nossa história literária, na história do romance e na vida da Academia. Eu entrei na Academia não tem nem 4 anos. Nesses últimos anos, por questões de saúde e outros problemas, o João Ubaldo não frequentava a Academia. Eu só o encontrei uma única vez. Mas ele deixou muitos amigos aqui. Isso eu tenho certeza. Todo o mundo falava muito bem dele. Era um grande companheiro, uma pessoa jovial e agradável". 

A última coluna de João Ubaldo Ribeiro

  • O correto uso do papel higiênico

    "O título acima é meio enganoso, porque não posso considerar-me uma autoridade no uso de papel higiênico, nem o leitor encontrará aqui alguma dica imperdível sobre o assunto". Leia a íntegra

Carlos Heitor Cony, jornalista e escritor, a Globonews
"Antes de mais nada, o João Ubaldo antes de ser um dos maiores escritores do Brasil, foi um grande ser humano. Ele um grande amigo de seus amigos. Era um homem que estimulava as pessoas. Enquanto Jorge Amado foi um grande escritor baiano, o João Ubaldo era mais universal, ele tinha uma formação mais universal. Vou sentir falta dele sempre. Ele é um dos mais procurados. Ele transcende o episódio da vida dele".

Zuenir Ventura, escritor, a Globonews 
"Era um grande contador de história. Realmente, foi um choque forte. Ele foi uma figura realmente clássica na literatura, com 'Viva o Povo Brasileiro' e o 'Casa dos Budas Ditosos'". 

Artur Xexéo, jornalista, à GloboNews
"Um escritor que deu sempre alegria para gente. Ele era um grande contador de histórias. Ele vem na tradição da literatura regional no nível de escritores como Guimarães Rosa, Graciliano Ramos, Jorge Amado. Não é por acaso que suas obras recebem os maiores prêmios e costumam ser adaptadas para outros formatos. Tive o privilégio de conviver com ele durante a Copa do Mundo da Alemanha e o João Ubaldo acordava muito cedo, já esperava alguém aparecer no hall do hotel para conversar e a gente começava o dia assim, conversando, ele só tinha história boa para contar". 

Jaques Wagner, governador da Bahia, em nota oficial
"A obra deixada por João Ubaldo Ribeiro nos auxilia, neste momento, a superar a dor pela sua perda. Imortal das academias de letras do Brasil e da Bahia, irônico e bem-humorado, soube como poucos desvendar as entranhas da epopeia brasileira. Sua crítica social muitas vezes incomodava, porém também apontava caminhos. Ubaldo é leitura essencial para quem quiser contribuir para a construção de uma sociedade melhor. Minhas condolências aos familiares e amigos".

Nélida Piñon, escritora, à Globonews
"Eu tinha muito carinho, nos conhecemos há 30 anos, e eu tinha devoção. Ele era, por si próprio, um homem apaixonado pelo conhecimento. Todo mundo comenta do cronista, mas ele era também foi um excelente narrador, com "Sargento Getúlio", uma epopeia do sertão nordestino, e "Viva o Povo Brasileiro", com esse título carnavalesco, mas é um romance que abrange nossa existência. Ele era um pouco esquivo na Academia, ele não frequentava tanto quanto gostaríamos, era um homem seletivo. Lamentamos a morte cedo, tinha tanto a dar ainda. Ele defendia o uso extensivo e profundo da língua. Ele usou a língua em toda sua extensão. É uma grande perda, dou meu abraço na Berenice".





Contador de histórias

Sétimo ocupante da cadeira 34 da Academia Brasileira de Letras desde 1994, como sucessor de Carlos Castello Branco, João Ubaldo Osório Pimentel Ribeiro nasceu em Itaparica, na Bahia, em 23 de janeiro de 1941. Formado em direito (1959-1962) pela UFBA (Universidade Federal da Bahia), ele nunca chegou a advogar, mas construiu uma carreira que o consagrou como romancista, cronista, jornalista e tradutor.

Aos 21 anos, escreveu seu primeiro livro, "Setembro Não Tem Sentido", que ele desejava batizar como "A Semana da Pátria", contra a opinião do editor. Em 1971 veio o segundo livro, "Sargento Getúlio", consagrado como um marco do moderno romance brasileiro, levando a comparações com Graciliano Ramos e Guimarães Rosa.

Em 1999, João Ubaldo foi um dos escritores escolhidos para dar depoimento, ao jornal francês "Libération", sobre o Terceiro Milênio. "Viva o Povo Brasileiro" foi o tema do exame de "agrégation", concurso para detentores de diploma de graduação na universidade francesa. Este romance (que virou tema de samba-enredo da Império da Tijuca em 1987) e "Sargento Getúlio" (adaptado ao cinema) constaram na maior parte das listas dos cem melhores romances brasileiros do século e ambos lhe renderam o Prêmio Jabuti.

No mesmo ano, ele lançou "A Casa dos Budas Ditosos", narrado por uma mulher de 68 anos que nunca se furtou a viver as infinitas possibilidades do sexo. Foi adaptado para o teatro por Domingos de Oliveira em 2004, em forma de monólogo e encenado por Fernanda Torres.

João Ubaldo trabalhou como professor de administração e filosofia, e como jornalista colaborou com diversas publicações, como "Frankfurter Rundschau" (Alemanha), "Diet Zeit" (Alemanha), "The Times Literary Supplement" (Inglaterra), "O Jornal" (Portugal), "Jornal de Letras" (Portugal), "Folha de S. Paulo", "O Globo", "O Estado de S. Paulo" a "A Tarde", entre outros. O escritor foi ganhador do Prêmio Camões em 2008, maior prêmio da língua portuguesa.

Entre 1990 e 1991, ele morou em Berlim, a convite do Instituto Alemão de Intercâmbio. Na volta, passou a morar no Rio de Janeiro. Era casado com Berenice de Carvalho Batella Ribeiro, com quem tinha dois filhos, Bento e Francisca. Do casamento anterior com Mônica Maria Roters, João Ubaldo teve duas filhas, Manuela e Emília.

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