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Após críticas e denúncias, Fora do Eixo lança "portal da transparência"

ALICE VERGUEIRO/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
05.ago.2013 - O produtor cultural Pablo Capilé, fundador do coletivo Fora do Eixo, no programa "Roda Viva" da TV Cultura Imagem: ALICE VERGUEIRO/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

Do UOL, em São Paulo

12/08/2013 14h34

A rede de coletivos Fora do Eixo divulgou nesta segunda-feira (12), em seu site, tabelas com prestações de contas de suas atividades. A divulgação ocorre depois de uma semana em que surgiram nas redes sociais diversos questionamentos e denúncias de omissão de pagamento a artistas e colaboradores.

O que é o Fora do Eixo?

O Fora do Eixo é uma rede de coletivos da área cultural, com a proposta de fazer um intercâmbio solidário de produção e conhecimento na produção de eventos. O grupo surgiu do Espaço Cubo, idealizado pelo produtor cultural e publicitário Pablo Capilé, em Cuiabá (MT), que passou a articular coletivos e eventos fora do eixo Rio-São Paulo, como festivais de música, cinema e teatro, entre eles o Festival Calango e Grito Rock. Recentemente, ganhou notoriedade com o surgimento da Mídia Ninja, que passou a cobrir ao vivo, via streaming, as manifestações em todo o País em 2013.

Conforme o publicitário e produtor cultural Pablo Capilé, fundador do grupo, adiantou em entrevista ao UOL na sexta-feira, a ideia era divulgar todas as planilhas que até então estavam no ar de maneira difusa. "Na real, a gente não é o Estado. O Estado é quem precisa estar dentro da lei da transparência, mas damos o maior número de informações possíveis", disse.

O "Portal da Transparência" do Fora do Eixo, no entanto, traz apenas algumas informações relacionadas à Universidade Fora do Eixo, que mantém também o caixa coletivo das casas da rede, e da Rede Brasil de Festivais, que engloba eventos musicais até 2015. Em ambos os casos, a Petrobras é a única fonte de captação.

O Centro Multimídia e o 4º Congresso Fora do Eixo, realizado em 2011, também tiveram seu balanço divulgados. 

Na entrevista, Capilé afirmou que os relatos de não pagamentos de artistas foram erros no processo. "Por um momento alguém pode ter deixado de receber. Isso não pode ser encarado como uma política nossa. Não temos essa política do calote. É um erro que precisa ser corrigido", disse.

"Bollywood Dream"
A cineasta Beatriz Seigner, realizadora do filme "Bollywood Dream - O Sonho Hollywoodiano", está entre os ex-colaboradores que divulgaram nas redes sociais críticas ao modus operandi da rede. Em nota, ela acusou o Fora do Eixo de ter omitido patrocínio para a exibição de seu longa

Junto com o lançamento do site, a rede divulgou uma nota em que volta ao caso da exibição do filme. “O investimento realizado pelo Fora do Eixo na difusão do filme ‘Bollywood Dream’ teria custo superior a R$100 mil se fosse calculado e cobrado por uma empresa comum (...) A proposta de aplicar a marca do Fora do Eixo em seu filme se deu a partir de nossa compreensão dessa troca. Beatriz não aceitou, cobrando da rede sua cota mínima de patrocínio de R$ 50 mil em moeda corrente. Mesmo com sua recusa, entendemos que era importante realizar o investimento para fortalecer nossa parceria e fomentar o audiovisual independente” .

Pablo Capilé explica o Fora do Eixo no "Roda Viva"

Segundo documento divulgado na nota, o projeto custou R$ 1.191 e R$ 109 mil em cubo card, que segundo Capilé, é “a verdadeira moeda que nos financia”. “Eu moro em uma casa Fora do Eixo, em São Paulo, que custa R$ 20, R$ 25 mil por mês. Como moram muitas pessoas lá, o custo de cada uma é de R$ 1 mil, mas cada uma faz mais do que isso por mês. É isso que nós chamamos de card”, explicou ao UOL.

Resposta em nota
Ao negar o “trabalho escravo”, as acusações de sexismo e a pecha de “seita religiosa”, a nota afirma: “É notório que, mesmo após uma semana de denúncias públicas e grande repercussão nas redes sociais e na imprensa, nenhum membro ativo, colaborador ou vivente decidiu se retirar da rede sob nenhuma prerrogativa (...) Lamentamos se no decorrer de nossa trajetória e construções possamos ter soado frios ou menos humanos de qualquer maneira”

A má experiência de Laís Bellini, que relatou sofrer xingamentos dentro da Casa Fora do Eixo São Paulo, onde chegou a morar, foi citada na nota como “dificuldade de se adaptar ao ambiente coletivo”. “A informalidade e as conversas francas podem ter contribuído para que eventuais situações e comportamentos individuais, num ambiente livre e aberto, sejam lidos de forma equivocada como regra ou comportamento do grupo”.

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