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Partindo do funeral de um palhaço, Cirque du Soleil brinca com o risco e até faz rir em "Corteo"

Número do espetáculo "Corteo", do Cirque du Soleil, no qual o palhaço protagonista é levado por anjos em sua cama - MRossi/Divulgação Time For Fun
Número do espetáculo "Corteo", do Cirque du Soleil, no qual o palhaço protagonista é levado por anjos em sua cama Imagem: MRossi/Divulgação Time For Fun

Mariana Pasini

Do UOL, em Hamburgo (Alemanha)*

28/03/2013 08h00

É a partir de um funeral que o Cirque du Soleil constrói a procissão de números de “Corteo”, o quinto espetáculo da trupe canadense a chegar ao Brasil. Embaralhada como a própria memória e sem uma ordem cronológica, a apresentação conta com 17 números que representam as passagens da vida e devaneios de um palhaço no momento de seu funeral.

O próprio nome, que significa "cortejo" em italiano, faz referência à comitiva de um velório. Porém, ao invés de enveredar pelo caminho das lágrimas ou da tristeza que se imagina partirem da morte, a escolha do criador e diretor Daniele Finzi Pasca foi misturar o sonho, acrobacias aéreas e até algum humor.

Repare bem

Todas as luzes usadas são quentes, amarelas, para aumentar o clima de circo antigo e a intimidade.

Todas as músicas e falas são tocadas e realizadas ao vivo. Procure reparar nos músicos e cantores nas laterais do palco e nos microfones colocados nos artistas.

Algumas falas serão em português, mas não todas. O palhaço da história é italiano e será interpretado por um ator brasileiro. “É um palhaço italiano, não faz sentido sonhar em outra língua”, explica Patrick Flynn, diretor do Cirque du Soleil.

A cortina transparente que é erguida logo nos primeiros minutos é pintada à mão.

Os artistas não têm permissão para cortar os cabelos sem a aprovação dos diretores. A ideia é assegurar o visual dos espetáculos mais antigos de circo.

Todos os artistas fazem as próprias maquiagens e recebem um treinamento sobre a atividade.

Antes de chegar ao Brasil, "Corteo" passou por 48 cidades desde sua estreia em Montreal em 2005, incluindo Hamburgo, na Alemanha, de onde desembarca em São Paulo a partir de 30 de março. Até o final de 2014, Rio de Janeiro, Brasília, Curitiba, Belo Horizonte e Porto Alegre também vão receber a apresentação.

O que mais impressiona em “Corteo” é a combinação entre o clima de circo tradicional do começo do século 20 e as alturas e dificuldades que as ambiciosas acrobacias alcançam. Não é à toa que todas as luzes do espetáculo são quentes, amarelas: tudo foi pensado para recriar o clima da época. Os figurinos contam com gravatas borboletas, suspensórios, coletes, saias longas, bordados, golas espalhafatosas e flores na lapela. Combinados à música, que é tocada e cantada ao vivo, o resultado é único.

Em um dos números mais simples, mas que roubam mais o fôlego, um acrobata sobe e desce de uma escada sem apoiá-la em uma parede. O artista faz o movimento com velocidade suficiente para não cair.

O tom de brincadeira disfarça acrobacias mais ousadas em um número que relembra a infância do palhaço, no qual artistas vestidos de pijamas pulam entre duas grandes camas elásticas. Também promete arrancar risadas a performance em que uma bola de golfe é representada pela cabeça de uma artista, emergindo de um buraco do chão.

 

O público poderá relaxar em atos como o que traz copos de cristal e cumbucas tibetanas sendo tocadas enquanto o palco giratório se movimenta. Há ainda um número com o casal de anões Valentyna e Grigor Pahlevanyan, que se equilibram em um carinhoso abraço, não perdendo em nada para artistas mais jovens no quesito elasticidade.

"Corteo" em números

8 anos em turnê (estreou em 2005 em Montreal)

60 artistas

de 19 nacionalidades (Alemanha, Argentina, Armênia, Austrália, Belarus, Brasil, Canadá, Cazaquistão, China, França, Itália, Japão, Romênia, Rússia, Suécia, Ucrânia, Uzbequistão, Reino Unido, Estados Unidos)

30 técnicos

131 fantasias

41 personagens

1.200 toneladas de equipamento

65 caminhões para transporte

150 minutos de duração

30 minutos de intervalo

É Valentyna quem reserva uma das surpresas da noite, com um ato no qual é sustentada por balões de hélio presos à sua cintura.

Uma das representantes do Brasil no espetáculo, a brasileira Camila Comin participa do número "Paradis" ("paraíso"). Ela é uma das quatro acrobatas que são jogadas no ar por quatro homens, a uma altura de cerca de seis metros, com uma rede de segurança abaixo. "Na primeira vez em que eu assisti [o número], falei ‘Eu não vou fazer, não!’", contou a brasileira, aos risos, ao UOL.

O que parece ser uma rixa entre dois dos acrobatas ganha as alturas em uma performance no qual "brigam" jogando-se nas extremidades de uma gangorra, no número que alcança mais altura. Mas o ato que mais assusta e encanta ao mesmo tempo é o final. Nele, oito acrobatas giram em barras horizontais, seguros pelas mãos, sincronizados para não se encontrar.

Não há uma continuidade clara entre os 17 números que compõem “Corteo” e nem fica evidente o tempo todo sua relação com o funeral ou com o próprio palhaço. Mas com a ajuda de um palco giratório, é fácil para o espectador esquecer o ponto de partida da performance e deixar-se levar pelas acrobacias dos 60 artistas de 19 nacionalidades diferentes.

Talvez o único defeito de “Corteo” seja um "pecado pelo excesso”: há muitos detalhes a serem percebidos. Não é difícil ficar perdido em meio a tantas acrobacias, tentando acertar qual será a mais difícil e merecedora de atenção. Há, contudo, um bom equilíbrio entre os números mais difíceis, de deixar o coração na goela, e os mais simples, de malabarismos, por exemplo.

Definitivamente, “Corteo” não é direcionado apenas às crianças. Em 150 minutos que passam despercebidos, o capricho de produção está em cada detalhe e na precisão quase matemática dos movimentos, que formam uma atração engraçada e nada piegas.

*A jornalista viajou a convite da Time For Fun

Serviço
"Corteo", do Cirque du Soleil
Onde:
São Paulo - Parque Villa Lobos - Av. Queiroz Filho, s/nº - Pinheiros
Brasília - Local a definir
Belo Horizonte - Local a definir
Curitiba - Local a definir
Rio de Janeiro - Local a definir
Porto Alegre - Local a definir
Quando:
São Paulo - de 30 de março a 14 de julho
Brasilia - estreia dia 26 de julho
Belo Horizonte - estreia dia 19 de setembro
Curitiba - estreia dia 8 de novembro
Rio de Janeiro - estreia dia 27 de dezembro
Porto Alegre - estreia dia 7 de março de 2014
Sessões: Terça a sexta-feira, às 21h (sessões às 17h em algumas datas durante a semana); sábados, às 17h e 21h; domingos, às 16h e 20h
Quanto: 
Terça a quinta, sexta (1ª sessão) e domingo (2ª sessão):
Setor Premium: R$ 440 (inteira) e R$ 220 (meia); Setor 1: R$ 400 (inteira) e R$ 200 (meia); Setor 2: R$ 290 (inteira) e R$ 145 (meia); Setor 3: R$ 190 (inteira) e R$ 95 (meia)
Sexta (2ª sessão), sábado e domingo (1ª sessão):
Setor Premium: R$ 450 (inteira) e R$ 225 (meia); Setor 1: R$ 410 (inteira) e R$ 205 (meia); Setor 2: R$ 290 (inteira) e R$ 145 (meia); Setor 3: R$ 190 (inteira) e R$ 95 (meia)
Serviço Tapis (área VIP, reservada a apenas 450 pessoas, que não está sujeito à meia-entrada): R$ 190 (em todas as sessões)
Duração: 150 minutos (com intervalo de 30 minutos)
Capacidade: 2.775 lugares
Classificação: livre; menores de 12 anos devem estar acompanhados dos pais ou responsável legal
Mais informações: 4003-5588 e www.cirquedusoleil.com/pt/shows/corteo/default.aspx