PUBLICIDADE
Topo

Cirque du Soleil e outros musicais no Brasil têm os ingressos mais caros no mundo

MRossi/Divulgação Time for Fun
Imagem: MRossi/Divulgação Time for Fun

Thiago Azanha

Do UOL, em São Paulo

22/03/2013 05h00

A trupe canadense do Cirque du Soleil, em cartaz com dezenove shows ao redor do mundo, cobra o ingresso mais caro em terras brasileiras. Outras produções estrangeiras em cartaz no Brasil, como o "Thriller Live", chega a cobrar 50% a mais do valor do espetáculo que no seu país de origem. Produtores culpam os elevados impostos e custos de produção local para justificar os valores vigentes.

O espetáculo "Corteo", do Cirque du Soleil, que estreará no final do mês em São Paulo -- e depois seguirá para outras capitais --, tem ingressos que variam de R$ 190 (Setor 3) a R$ 630 (Premium + Tapete Vermelho). Os preços encarecem ainda mais com a taxa de conveniência nas compras realizadas pelo site e nos pontos de venda. Só na bilheteria do Credicard Hall não há a cobrança da taxa. Mesmo com o alto valor já há setores esgotados para diversos dias.

  • 6827
  • true
  • http://entretenimento.uol.com.br/enquetes/2013/03/22/mesmo-com-o-alto-valor-dos-ingressos-voce-costuma-frequentar-os-espetaculos-no-brasil.js

Em cartaz desde 2005, quando estreou em Montreal (Canadá), "Corteo" passou por mais de 45 cidades em oito países ao redor do mundo. Durante sua recente passagem pela Alemanha no segundo semestre de 2012, os preços dos ingressos em Dusseldorf ficaram entre R$ 120 e R$ 295. Em Hamburgo, última parada da trupe na Europa antes de embarcar para o Brasil, os valores partiam de R$ 150.

Na Bélgica, o espetáculo "Kooza", que estreará em julho, possui entradas entre R$ 86 e R$ 265. Em Paris, as apresentações da trupe do Cirque com o show "Michael Jackson The Immortal World Tour" custam entre R$ 142 a R$ 312 -- menos da metade do valor inteiro cobrado no Brasil.

Até nos EUA, onde os preços são mais elevados, os espetáculos não conseguem chegar aos valores praticados no Brasil.

Em Las Vegas, o show "Zarkana" tem entradas a R$ 407 num cassino da cidade. Já em Nova York os ingressos que dão acesso ao tapete vermelho para o espetáculo "Totem" saem por R$ 517 - cerca de R$ 113 a menos que o valor do mesmo ingresso brasileiro.

Até na Colômbia, país vizinho ao Brasil, os valores são menores. No espetáculo "Varekai", que entrará em cartaz no fim do mês em Bogotá, a entrada mais cara sai por R$ 450.

Procurada, a Time For Fun, responsável pelas apresentações do Cirque no Brasil, não se manifestou.

O bolso também dança

  • Graça Paes/Foto Rio News

    Cena do musical "Thriller Live" no Rio de Janeiro

Os preços altos não se limitam ao Cirque du Soleil. Outras produções estrangeiras que se apresentam no Brasil chegam a cobrar o dobro do valor do ingresso que no seu país de origem.

Orçado em R$ 10 milhões, o musical "Thriller Live Tour" -- baseado no cantor Michael Jackson --, originário de Londres e atualmente em turnê pelo Reino Unido, cobra entre R$ 33 e R$ 105 pelas entradas.

Em cartaz no Rio de Janeiro com dezesseis atores brasileiros, além de cantores e banda da produção original inglesa, os ingressos variam entre R$ 100 (Lateral) e R$ 180 (Vips). Quando chegar a São Paulo, em maio, os valores ficarão entre R$ 80 (Plateia 3) e R$ 250 (Cadeira Vip) - mais que o dobro do maior preço praticado na terra da rainha Elizabeth.

A produtora Future Group, que trouxe o respectivo musical para o Brasil, culpou os elevados impostos e custos de produção como responsáveis pelo preço do ingresso. Mas ressaltou que, por estar em final de temporada na Inglaterra, os preços lá estão mais baixos.

"Além dos impostos e dos custos de produção aqui serem muito superiores aos da Europa [hospedagem, alimentação, transporte da equipe, parte técnica do espetáculo como som, luz, figurino], o espetáculo em Londres já está em final de temporada. Em cartaz desde 2007, seus custos já foram diluídos. Hoje Londres está cobrando um valor quase 70% mais baixo da época da sua estreia", afirmou em nota enviada para o UOL.

A expectativa de público e receita da bilheteria gerada até o momento com as apresentações não foram divulgadas pela Future Group.

Bom e "barato"?

A única produção mais em conta no país é o musical "O Rei Leão". Adaptação brasileira da peça de sucesso da Broadway, os ingressos variam de R$ 50 a R$ 280. O original, em Nova York, não sai por menos de R$ 350.

Orçado em R$ 50 milhões, o musical conseguiu captar R$ 11 milhões via Lei Rouanet. O restante do valor deverá ser custeado por receita gerada pelo próprio musical a partir de bilheteria e ações de merchandising.

Nos nove meses de temporada, estima-se que a venda de ingresso totalize R$ 31 milhões.