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Acrobata brasileira diz que sentiu medo ao ver número que fará pelo Cirque du Soleil no país

MRossi/Divulgação Time for Fun
31.jan.2013 - Camila Comin, integrante brasileira do Cirque du Soleil, durante entrevista ao UOL Imagem: MRossi/Divulgação Time for Fun

Mariana Pasini

Do UOL, em Hamburgo (Alemanha)*

06/02/2013 07h00

A partir do dia 30 de março, a paulistana Camila Comin terá a chance de mostrar ao público brasileiro o que faz para ganhar a vida pela primeira vez ao vivo. Seria um trabalho como qualquer outro se não envolvesse piruetas, saltos e manobras a cerca de seis metros do chão, além de turnês com duração de anos ao redor do mundo e um treinamento semanal de 18 horas.

Junto a cerca de 60 outros artistas, a ex-ginasta de 29 anos faz parte do elenco do Cirque du Soleil que apresentará em seis cidades do país o espetáculo “Corteo”, um compilado de lembranças e devaneios de um palhaço que imagina o próprio funeral.

“Cortejada” para o Cirque durante as Olimpíadas de 2000 e 2004 (a organização tem olheiros em competições em busca de novos talentos), Camila admite que se assustou ao conferir pela primeira vez um dos números dos quais participa em “Corteo”. Nele, quatro acrobatas são jogadas no ar pelas mãos entre as pernas por quatro homens, a uma altura de cerca de seis metros, com uma rede de segurança abaixo.

“Na primeira vez em que eu assisti, falei ‘Eu não vou fazer, não!’”, conta a brasileira aos risos ao UOL antes de uma apresentação de “Corteo” em Hamburgo, na Alemanha, onde fica em cartaz até o domingo (10). “Eu, Camila, um cara me jogar e outro cara me pegar? Eu nem conheço o cara. Vai que ele está com raiva de mim, me joga sem força e eu caio no meio?”, brinca.

Veja trecho do número que deu medo a Camila na primeira vez que viu

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Hoje, porém, a acrobata acredita que é capaz de fazer o número com os olhos fechados. “A confiança é tão grande que a partir do momento em que ele me pega e me segura, eu posso até abrir a minha mão que é 100%. Eu acho que ele daria a vida dele pela minha. Essa confiança é o dia-a-dia, é treinamento, e é só com o tempo.”

Ela calcula que já realizou 1.500 vezes a sequência do número, intitulado “Paradis” ("paraíso" em francês). “E mil e quinhentas vezes acertando, não errando”, completa. “A ginástica é precisão também. Não tem como explicar, é física, é treino, é concentração. Mas na ginástica você é totalmente sozinha, e aqui eu tenho alguém que me ajuda e completa. É uma equipe”.

Camila participa de outros dois números do espetáculo, que tem duas horas e meia de duração. “Corteo” contará com apresentações em São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Curitiba, Belo Horizonte e Porto Alegre até 2014. “Será a primeira vez que todo mundo vai ver o que realmente eu faço, de verdade (risos). Acho que o Brasil vai gostar muito [do espetáculo], porque toca muito em saudade, na emoção, e é muito carismático.”

Há cerca de 23 números diferentes em “Corteo” ("cortejo" em italiano), dos complicados aos mais simples, que representam passagens imaginadas ou relembradas pelo palhaço. É o quinto espetáculo da trupe a ser apresentado no país. A estreia ocorre em São Paulo, no Parque Villa-Lobos, onde fica em cartaz de 30 de março a 14 de julho. O Cirque segue depois para Brasília (26 de julho), Belo Horizonte (19 de setembro), Curitiba (8 de novembro), Rio de Janeiro (27 de dezembro) e Porto Alegre (7 de março de 2014).

“É pela harmonia”
Para a ex-atleta, participar do Cirque é uma realização própria e é também ótimo por não ter “aquela pressão psicológica, do ‘vou ganhar’, da perfeição”. Apesar de não haver diferença em relação ao treinamento, o difícil mesmo foi fazer algumas mudanças em relação a como tratar a plateia.

São 30 nacionalidades aqui dentro, então você pega um pouco de cada cultura. Cada um adiciona um pouquinho de si e um pouquinho do seu tempero e no final sai uma coisa ainda mais rica

Camila Comin, brasileira que integra o elenco de "Corteo"

“Eu achava que tinha que ficar muito concentrada e não sorrir, não dar uma atenção, mas o Cirque du Soleil é isso: a atenção é focada totalmente no espectador; não adianta você fazer uma coisa difícil se não há uma reação. Não é para os jurados, não tem ninguém julgando, então não é pela perfeição. É pela harmonia, pela brincadeira, pelo sonho, que o Cirque du Soleil faz.”

Ginasta desde os cinco anos, com a carreira desenvolvida em Curitiba, Camila conta que no Cirque não existe “quem é melhor”. “São 30 nacionalidades aqui dentro, eu acho, então você pega um pouco de cada cultura. Cada um adiciona um pouquinho de si e um pouquinho do seu tempero e no final sai uma coisa ainda mais rica.”

Participando de “Corteo” há cinco anos (o espetáculo estreou em Montreal em 2005), a ex-atleta diz sentir saudade dos tempos de ginástica, mas que também se sente completa após suas realizações no esporte. “A ginástica é passado mas continua presente em mim”, avalia.

*A jornalista viajou a convite da Time For Fun

Assista a trecho do número "Cyr Wheels"

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