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Rami Malek tenta fazer show continuar no Oscar

Rami Malek em "Bohemian Rhapsody" (2018) - Divulgação
Rami Malek em "Bohemian Rhapsody" (2018) Imagem: Divulgação

David Villafranca

Em Los Angeles

22/02/2019 07h05

Rami Malek ("Bohemian Rhapsody") na pele do inesquecível cantor Freddie Mercury é o favorito indiscutível ao Oscar de melhor ator, categoria em que concorre com Bradley Cooper ("Nasce Uma Estrela"); Christian Bale ("Vice"); Viggo Mortensen ("Green Book: O Guia") e Willem Dafoe ("No Portal da Eternidade").

RAMI MALEK, o mito do Queen

Rami Malek em cena de "Bohemian Rhapsody" - Divulgação/IMDb - Divulgação/IMDb
Rami Malek como Freddie Mercury
Imagem: Divulgação/IMDb

Encarnar um mito como Freddie Mercury poderia ser uma bênção ou um presente de grego, mas o trabalho de Rami Malek em "Bohemian Rhapsody" não só convenceu os milhões de fãs do Queen, mas também lhe rendeu reconhecimentos no Globo de Ouro (melhor ator de comédia ou musical), no Bafta e no Sindicato dos Atores (SAG).

"Sabíamos, e pensamos isso de forma coletiva, que era preciso refletir aspectos difíceis de sua vida, os desafios, as dúvidas e também os sucessos. Mas, após conhecer Freddie com todas as pesquisas que fiz, acho que falamos de um homem muito perfeccionista que queria celebrar a alegria da vida, se divertir, antes de tudo e sobretudo", afirmou Malek em entrevista à Agência Efe.

A carreira de Malek inclui papéis em séries como "The Pacific" e filmes como "Temporário 12" (2013), mas o papel que o apresentou ao grande público foi o do hacker taciturno de "Mr. Robot".

Será uma surpresa se não levar o Oscar de melhor ator, embora nesta temporada de prêmios Malek já tenha tido que contornar, como pôde, um turvo obstáculo em seu caminho: as acusações de agressão sexual contra Bryan Singer, diretor de "Bohemian Rhapsody" e de quem ele tentou se afastar o máximo possível.

CHRISTIAN BALE, um satã político

Christian Bale como Dick Cheney em "Vice" - Divulgação - Divulgação
Christian Bale como Dick Cheney em "Vice"
Imagem: Divulgação

"Obrigado a Satã por me servir de inspiração". Com este surpreendente e ácido agradecimento, Christian Bale recebeu o Globo de Ouro de melhor ator dramático pela sua interpretação do ex-vice-presidente americano Dick Cheney em "Vice".

Esta é a quarta indicação no Oscar para um artista que já sabe o que é levar a estatueta para casa, algo que conseguiu como melhor ator coadjuvante em "O Vencedor", de 2011.

Muito aplaudido pela interpretação de Batman na trilogia de Christopher Nolan, Bale também brilhou em filmes como "Psicopata Americano" (2000), "O Grande Truque" (2006), "Trapaça" (2013) e "A Grande Aposta" (2015).

O peso de interpretar alguém tão maquiavélico e misterioso como Cheney, vice-presidente durante o mandato de George W. Bush na Casa Branca (2001-2009), não foi só algo metafórico para Bale, que engordou cerca de 20 quilos para tomar as rédeas do personagem.

BRADLEY COOPER, estrela na frente e atrás das câmeras

Bradley Cooper e Lady Gaga em "Nasce Uma Estrela" (2018) - Reprodução - Reprodução
Bradley Cooper em "Nasce Uma Estrela"
Imagem: Reprodução

Bradley Cooper gosta de desafios. Para sua estreia como diretor, ele não só se arriscou com um remake de um clássico como "Nasce Uma Estrela", mas também se atreveu a travar um duelo interpretativo e musical com uma estrela como Lady Gaga.

A ousadia de Cooper foi reconhecida, já que neste ano ganhou indicações aos prêmios de melhor ator, melhor filme (é um dos produtores de "Nasce Uma Estrela") e melhor roteiro adaptado, e só lhe restou a decepção de não concorrer ao prêmio de melhor direção.

Com estes reconhecimentos, Cooper soma sete indicações ao Oscar na carreira, mas ainda não ganhou.

Seu crepuscular e emotivo retrato de um músico em decadência e acossado pela inveja, pelas dúvidas e pelas dependências é sua quarta chance de levar uma estatueta por interpretação, após as indicações por "O Lado Bom da Vida" (2012), "Trapaça" (2013) e "Sniper Americano" (2014).

VIGGO MORTENSEN, parceria com Mahershala Ali e reflexão social

Viggo Mortensen em "Green Book - O Guia" - Reprodução - Reprodução
Viggo Mortensen em "Green Book - O Guia"
Imagem: Reprodução

A dupla formada por Viggo Mortensen e Mahershala Ali em "Green Book: O Guia" foi uma das sensações da temporada, em particular, por tratar questões atuais nos Estados Unidos como o racismo, e ainda pode render o Oscar de melhor ator ao primeiro.

"Respeito e empatia são valores que sempre estão em risco (...). Há pessoas que se alegram que tenhamos feito este filme porque consideram que, desde que se proclamou a Lei de Direitos Civis, caímos nos mesmos erros: racismo, xenofobia, homofobia... Enfim, intolerância. E estou de acordo, mas este filme tem sua razão de ser e será valioso em qualquer momento", disse Mortensen em entrevista à Efe.

Indicado em duas ocasiões anteriormente por "Senhores do Crime" (2007) e "Capitão Fantástico" (2016), Mortensen (Nova York, 1958) alcançou o topo da sua popularidade como Aragorn na célebre trilogia de "O Senhor dos Anéis".

WILLEM DAFOE, frente a frente com Van Gogh

Willem Dafoe interpreta Van Gogh no filme "No Portal da Eternidade" - Divulgação - Divulgação
Willem Dafoe em "No Portal da Eternidade"
Imagem: Divulgação

Com o gênio da pintura como Vincent Van Gogh como inspiração, o ator americano Willem Dafoe concorre ao Oscar de melhor ator pelo papel no filme "No Portal da Eternidade", que conta os últimos meses de vida do artista holandês.

Embora o filme dirigido por Julian Schnabel só tenha esta indicação ao Oscar, a candidatura de Dafoe conta como credencial com a Copa Volpi de melhor ator que obteve no último Festival de Veneza.

Consagrado como um símbolo do cinema americano, tanto na vertente mais popular como em filmes mais originais e arriscados, Dafoe concorreu em três ocasiões ao Oscar, mas nunca venceu, com "Platoon" (1986), "A Sombra do Vampiro" (2000) e "Projeto Flórida" (2017).

Sua extensa trajetória inclui outros grandes filmes como "A Última Tentação de Cristo" (1988) e "Anticristo" (2009).