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Jonas Mekas, um dos cineastas experimentais mais importantes, morre aos 96

O cineasta Jonas Mekas na capital paulista, em 1994 - Folhapress
O cineasta Jonas Mekas na capital paulista, em 1994 Imagem: Folhapress

De Nova York (EUA)

23/01/2019 16h44

O americano de origem lituana Jonas Mekas, considerado uma das figuras mais importantes da história do cinema experimental, morreu nesta quarta-feira aos 96 anos, segundo informou a organização Anthology Film Archives, fundada pelo cineasta em 1970.

"Jonas morreu em paz nesta manhã cedo", afirmou na sua conta de Instagram a instituição cultural situada em Nova York. "Estava em casa com sua família. Sentiremos muito sua falta, mas sua luz segue brilhando", acrescentou.

Embora a causa da sua morte não tenha sido divulgada, o jornal "The New York Times" afirmou que no ano passado Mekas foi internado em um hospital por causa de uma doença sanguínea pouco conhecida.

Mekas foi protagonista de várias retrospectivas e agraciado com uma série de prêmios, entre eles o Grand Prix do Festival de Cinema de Veneza, que obteve em 1964 pelo seu filme "The Brig".

Suas obras foram incluídas nas edições de 2002 e 2017 do Documenta, uma importante mostra que acontece em Kassel, na Alemanha, a cada cinco anos, e também em 2003 e 2005 na Bienal de Veneza.

Mekas nasceu na Lituânia rural em 1922 e chegou a Nova York no final dos anos 1940 após fugir dos campos de concentração nazistas e dos recrutamentos da União Soviética.

Em 1958 se tornou o primeiro crítico de cinema do "Village Voice", um jornal cult de Nova York, onde se estabeleceu entre a comunidade vanguardista da sétima arte.

Foi a partir de então que começou a idealizar formas de projetar filmes raros e desconhecidos de forma habitual, o que lhe levou a cofundar o Film-Makers' Cinematheque, onde se viam filmes que não chegavam ao circuito cultural dominante.

Depois, esse projeto acabou convertendo-se no Anthology Film Archives, um dos centros de referência de cinema experimental e filmes de difícil acesso para o público.

Mekas seguiu sendo uma personalidade ativa no seu campo até o final da sua vida e apareceu em vários festivais de cinema e protestos, como o Occupy Wall Street, o movimento surgido em Nova York durante a crise econômica iniciada em 2008.