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Álbum de estreia de Britney Spears, "...Baby One More Time" completa 20 anos

Britney Spears em cena do clipe "...Baby One More Time" - Reprodução
Britney Spears em cena do clipe "...Baby One More Time" Imagem: Reprodução

Javier Herrero

Madri (Espanha)

12/01/2019 06h02

"...Baby One More Time", muito mais que um álbum de pop adolescente cujo lançamento completa 20 anos neste sábado, marcou não só o início da carreira musical de Britney Spears, mas reformulou o gênero que dominou sua década.

Fundamental para isso foi a contribuição de Max Martin, então um jovem produtor e compositor sueco que construiu sua trajetória no "glam-metal", mas que terminou mostrando um talento inusitado para as melodias de pop dançante, gênero no qual seu país mostrou uma espécie de aptidão natural desde os tempos do ABBA.

Apadrinhado por Denniz Pop, Martin escreveu músicas para o primeiro álbum de Britney depois de trabalhar para seus compatriotas do Ace of Base (no disco "The Bridge", de 1995) e, sobretudo, nos dois primeiros álbuns dos Backstreet Boys: sua estreia homônima de 1996 (sucesso na Europa antes dos Estados Unidos e que terminou vendendo 8 milhões de cópias) e de "Millenium" (1999).

De próprio punho e de sua mentalidade como produtor surgiram sucessos comerciais da época como "Everybody (Backstreet's Back)" e "I Want It That Way", além de "...Baby One More Time", que foi descartada previamente pelos Backstreet Boys e pelo trio TLC.

"Não haverá outra Madonna", diziam sobre Britney, que então tinha 16 anos e havia sido estrela infantil do "The Mickey Mouse Club", quando ela batia na porta de gravadoras.

Foi assim até que um executivo de Jive Records teve a visão de contratá-la e apresentá-la a Max Martin, um produtor necessariamente estrangeiro para uma adolescente com tudo a provar, em um momento no qual o pop e a indústria tinham perdido contato com seus potenciais ouvintes mais jovens.

O gênio sueco terminou oferecendo à jovem cantora "...Baby One More Time", que foi lançada como single em 23 de outubro de 1998 e vendeu 10 milhões de cópias.

Como curiosidade, vale ressaltar que as reticências foram uma maneira de atenuar a ênfase no verbo "hit" pelo seu significado (literalmente, "bater"), embora o uso desta palavra, que tem muitas outras acepções (entre elas algumas de cunho sexual e, a mais provável, a de telefonar), fosse um erro de tradução de Martin.

A conotação sadomasoquista do refrão (procurada ou não) unida a um videoclipe icônico para o qual a própria protagonista decidiu se apresentar como uma Lolita colegial, com tranças, barriga de fora e cantando sobre um tema sentimental de singela identificação para adolescentes (e adultos), ajudaram a alavancar a música.

Capa do álbum "...Baby One More Time" - Divulgação
Capa do álbum "...Baby One More Time"
Imagem: Divulgação
Mixada no estúdio Cheiron, em Estocolmo, "... Baby One More Time" se destacava pela quantidade de ganchos ("hooks", em inglês), isto é, frases melódicas e arranjos que chamam a atenção do público, como os célebres "oh Bay-bay bay-bay" e os "mow-wowww", presentes já na versão gravada com a voz do próprio Martin.

Parte da sua modernidade provém de seu toque mais urbano e do R&B, atribuídos a outro coprodutor sueco, Rami Yacoub, que, além disso, estimulou o canto anasalado de seus intérpretes, uma qualidade natural de Britney.

Tal parceria de sucesso não teria ido além se não houvesse outras músicas que encorpassem o resto do álbum, uma compilação de baladas ao estilo americano e ritmos de base sueca, com destaque para "(You Drive Me) Crazy" e "Born to Make You Happy".

Editado em formato de vinil pela primeira vez nas últimas semanas, a edição original do disco "...Baby One More Time" vendeu mais de 25 milhões de cópias no mundo todo, o que o transforma em um dos mais vendidos da história, e agora ainda mais valioso, já que a "princesinha do pop" anunciou que vai se afastar dos palcos para cuidar da saúde de seu pai.

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