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Prisão de Chris Brown põe serviços como Spotify em novo dilema

Chris Brown - Getty Images
Chris Brown Imagem: Getty Images

Nick Turner*

23/01/2019 13h26

O Spotify e outros serviços de streaming de música, que têm tido dificuldades para lidar com acusações de má conduta de artistas, estão enfrentando um novo teste. O cantor e rapper Chris Brown foi detido nesta segunda (21) em Paris depois que uma mulher registrou queixa de estupro contra ele, segundo a agência Associated Press.

Trata-se de mais um problema judicial para um artista que se confessou culpado de agredir a ex-namorada Rihanna em 2009. Brown foi detido e poderia ser acusado de estupro com lesão corporal e infrações relativas a drogas, disse um oficial judicial francês à agência de notícias. Procurados, representantes do cantor de 29 anos premiado com o Grammy não comentaram sobre o caso.

O incidente pode colocar os serviços de streaming sob novo escrutínio, especialmente depois da derrocada de R. Kelly, que enfrenta acusações de má conduta há anos.

O Spotify tentou penalizar o mau comportamento dos artistas com uma política adotada no ano passado, quando retirou R. Kelly e o rapper XXXTentacion de suas listas de reprodução. Mas a empresa teve que voltar atrás e anular a política depois de algumas semanas, quando artistas como o rapper Kendrick Lamar ameaçaram boicotar o serviço.

Após o declínio dos CDs e do rádio terrestre, os serviços de streaming de música como Spotify, Apple Music e Pandora Media se tornaram um elo fundamental entre artistas e ouvintes. Isso aumenta a pressão sobre as empresas para reagir ao comportamento dos músicos que elas transmitem.

Nem Spotify nem Apple Music responderam imediatamente a pedidos de comentários sobre a prisão de Brown. A plataforma Pandora, por sua vez, tem refinado suas políticas relativas a artistas com conteúdo ofensivo ou comportamento inaceitável.

"Abordamos cada situação individualmente para que possamos continuar fiéis a nossos princípios, evitar censuras desnecessárias e proporcionar uma experiência segura a nossos ouvintes", disse a porta-voz Dayle Dempsey, que não abordou diretamente a situação de Brown, em mensagem enviada por email.

O rapper R. Kelly no 41º American Musica Awards, em 2013 - Mario Anzuoni/Reuters - Mario Anzuoni/Reuters
O cantor americano R. Kelly, acusado de manter relações sexuais com fãs menores de idade
Imagem: Mario Anzuoni/Reuters

Policiamento de listas de reprodução

Durante o curto período em que as regras do Spotify estiveram vigentes no ano passado, artistas que tivessem cometido atos ofensivos foram retirados das listas de reprodução, mas os ouvintes ainda podiam procurá-los no serviço.

A política não especificava qual comportamento considerava problemático, e o Spotify não comunicou seus planos à indústria da música antecipadamente. Algumas pessoas acreditaram erroneamente que os artistas já não estavam disponíveis no serviço de nenhuma forma.

"Embora acreditemos que nossas intenções tenham sido boas, a norma era excessivamente vaga, criamos confusão e preocupação e não dedicamos tempo suficiente a ouvir nossa própria equipe e parceiros-chave antes de compartilhar as novas diretrizes", afirmou a empresa em uma postagem de blog na época.

XXXTentacion, rapper acusado de agredir uma mulher grávida, foi reinserido no serviço em junho (ele foi assassinado no final daquele mês em um aparente roubo). Mas R. Kelly continuou banido das listas de reprodução do Spotify.

R. Kelly foi acusado de coagir mulheres a fazer sexo quando elas eram menores de idade. Pais também alegaram que o cantor de R&B reteve suas filhas contra a vontade delas. Um recente documentário seriado chamado "Surviving R. Kelly" reacendeu as preocupações em relação ao artista com relatos de suas supostas vítimas.

Na esteira dessa comoção, a RCA, que pertence à Sony, rompeu com R. Kelly na semana passada. A gravadora também representa Chris Brown.

*com a colaboração de Mark Gurman